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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

UMA RESPOSTA MUITO DIFÍCIL

Diário de Penapolis

Tem sido realmente difícil entender como este país tem progredido tanto nos últimos, digamos, cinquenta anos. Houve períodos de semiparalisia, mas o fato é que houve progressos.

E é difícil de acreditar, quando se lêem coisas como as que tenho lido nos últimos dias. Uma delas fala sobre o descalabro do monotrilho de Poços de Caldas. Outra, sobre um acidente entre um trem e um automóvel em Penápolis, SP. E também sobre o fato de uma visita da presidente da República às obras da Trannordestina ter sido cancelada em cima da hora por terem descoberto que as obras estavam praticamente paralisadas.

Há muito mais exemplos. Vou me ater a estes três. No caso do trem em Penápolis, é certo que um dos motivos foi o de não haver sinalização no cruzamento da linha com a rua. É um absurdo não existir esta sinalização, principalmente porque, até 20-30 anos atrás, tudo o que era cruzamento ferroviário tinha ou avisos de cruzamento, ou cancelas. Hoje, isso praticamente não existe mais, pois concessionárias e prefeituras brigam entre si, cada uma afirmando que o problema é da outra parte. Mas o que realmente me assunsta é que as pessoas, na falta de sinalização ou cancelas, perderam o bom-senso de olhar para os lados quando vêem à frente uma linha ferroviária. É o mínimo que se pode esperar de um cidadão que tenha carteira de motorista.

No caso da Transnordestina, suponho que uma pessoa específica tenha preparado toda a viagem para a Presidente. Visto horários de vôos, pessoas participantes, etc. Mas se esqueceram, pelo visto, de avisar as empreiteiras e - pior - de conferir se realmente estavam trabalhando naquele ponto das obras. Aí, alguém descobriu (antes da viagem) que havia um problema. Por que não conferiu isto alguns dias antes? Por que anunciou a viagem à imprensa sem conferir isto? E, pior, por que a empreiteira está com as obras paradas? A isto, ninguém até agora deu a resposta. O fato é que a Transnordestina somente teve até agora cerca de quinze quilômetros entregues - o que, para um ferrovia, não é coisa alguma. Deveria estar pronta em 2006. Depois, em 2008. Depois, em 2010, 2012... hoje, já falam em 2014.

E, por fim, o monotrilho de Poços. "Talvez o projeto mais antigo inacabado do país, completou 30 anos, em 20 de agosto de 2011, e ainda não apresenta sinal de solução para a conclusão. A empresa detentora da concessão municipal, por 50 anos, até 2031, a J Ferreira Ltda, executou menos de um terço (8 km) dos 30 km previstos. Ao final da concessão, o patrimônio do modal seria revertido ao município. Da inauguração, logo após dada a concessão, o monotrilho de Poços de Caldas, que era o único a funcionar no país no sistema ferroviário de transporte de massa, circulou poucas vezes. Oito anos depois, encerrou sua presença nas vias públicas da cidade". O trecho entre aspas foi tirado de uma reportagem de hoje, de Nairo Alméri (Notícias S. A.). O fato é que, depois disso, segue o artigo, houve brigas entre a Prefeitura e a empresa. E nada foi resolvido depois de anos e anos sem funcionar e com uma parte acusando a outra.

Por que essas coisas somente acontecem no Brasil? Será que ocorrem em outros países de economia considerável? Parece que o Brasil é hoje a sexta economia no mndo, né? Como?

Tirem suas próprias conclusões.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O DILEMA DO POVOAMENTO - PARTE II


Recebi ontem fotografias antigas da cidade de Poços de Caldas, algumas reproduzidas aqui. São antigos cartões postais, muito interessantes e que mostram uma cidade muito bonita, com poucas edificações e jardins bem cuidados. E também muito menor que hoje.

É interessante notar que o grande aumento da área urbana e da população das cidades brasileiras começou a partir dos anos 1950. Até aí, elas tinham um crescimento lento, exceto pelas que surgiram a partir das ferrovias, que geralmente cresciam mais rápido.
No caso de Poços de Caldas, o crescimento deu-se mais pelo fato de a fama da cidade como fonte de águas termais ter crescido muito rapidamente, fazendo com que muitos paulistas (embora a cidade fique em território mineiro, eles tinham acesso mais fácil pela ferrovia, que vinha da capital paulista e não das cidades mineiras) ali comprassem terrenos, construíssem casas e prédios de apartamento para veraneio.
A cidade, evidentemente, perdeu suas características primitivas, escondendo suas belezas e suas paisagens atrás de ruas e de construções. Tal fato aconteceu com diversas outras cidades turísticas.
É estranho como o próprio homem não percebe a destruição da própria paisagem. Quanto mais ele constrói justamente para aproveitá-la ele, ao mesmo tempo, diminui-a. Problema difícil de evitar? Sim, realmente. O melhor negócio hoje é deixar seu paraíso em paz. Não alardeie que ele existe.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

NO FIM DO MUNDO, ENGENHEIRO MENDES

Eis a única fotografia da estação de Engenheiro Mendes que conheço. É do Album da Mogiana, publicado por volta de 1910.
O título desta postagem leva a um outro quase igual, sobre a estação ferroviária de Engenheiro Maia, na Sorocabana, região de Itararé e que escrevi em 4 de dezembro último.

No trabalho que desenvolvo há quinze anos já, cataloguei por volta de 5 mil delas no Brasil todo. Desde Belém do Pará até Rio Grande, no RS, de São Paulo à Madeira-Mamoré em Rondônia, há estações diversas delas, nas mais variadas condições. Muitas abandonadas, poucas ainda com o uso original a que se destinaram... algumas prédios suntuosos, outras paradinhas sem nenhuma cobertura.

Curiosamente, é mais fácil se arranjar fotografias que histórias que contam o passado dessas estações. E, assim como há algumas delas que das quais até hoje não consegui fotografia alguma, há outras das quais não consegui qualquer informação que seja.

Muitas delas estão não muito longe de minha "base" de atuação: São Paulo. Querem ver exemplos? Na estação de Engenheiro Mendes, da Mogiana, jamais consegui chegar. Ela fica na linha original dessa ferrovia, logo depois da estação de Aguaí, sentido Casa Branca. A essa estação estava previsto um futuro bem diferente do que se tornou - um pequeno ponto de parada no meio do nada. Mas era dali que se recebia toda a carga de café que vinha de Poços de Caldas, chegando por carros de boi, carroças e o que fosse possível na distante década de 1880, quando ainda não havia sido construído o ramal de Caldas, que hoje liga Aguaí a Poços.

O dono das terras não quis ceder nada para a construção do ramal, que deveria se entroncar ali com a linha principal (o nome da estação em 1880 era Caldas, pois dali se chegava à cidade mineira). Com isso, os engenheiros e diretores da ferrovia resolveram fazer o ramal partir de Cascavel, onde nada havia, nem estação. Resultado: Cascavel cresceu, mais tarde virou Aguaí e cidade. Engenheiro Mendes foi esquecido.

Tão esquecido que nas várias vezes em que estive pela região jamais consegui chegar ao local da estaçãozinha. Ninguém sabe, ninguém viu. Nunca recebi fotos dessa parada, esteja ela demolida ou não - nem disso se tem certeza. Triste destino!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

POR QUE O PATRIMÔNIO FERROVIÁRIO ESTÁ ABANDONADO HOJE

A estação em 1999, como eu a encontrei então
No município de São João da Boa Vista, próximo a Águas da Prata, no estado de São Paulo, próximo à divisa com Minas Gerais, existe um pequeno bairro rural de nome Bairro Alegre, entre as sedes dos dois municípios citados.

Estive nesse local no ano de 1999, buscando por sua estação ferroviária. Nesse dia eu estava percorrendo de automóvel as imediações do ramal de Caldas, que liga Aguaí a Poços de Caldas, Minas Gerais, desde o já longínquo ano de 1886. Uma curiosidade: de todos os muitos ramais da Companhia Mogiana, esse foi o único que sobrou em atividade até hoje, com trens carregando bauxita que vem da divisa de Minas para, depois de um caminho tortuoso, chegar à cidade de Alumínio, entre Mairinque e Sorocaba. O outro ramal ainda existente, mas completamente abandonado é o ramal de Sertãozinho, sem tráfego pelo menos desde o ano de 1996.

Nesse dia descobri, no meio de mato alto, o simpático prediozinho da estação ferroviária de Bairro Alegre. Totalmente depredado, já sem piso de madeira, foi até difícil conseguir tirar fotografias, tal a altura do mato em volta. Não percorri, devido ao avançado da hora, o restante do bairro. E nunca mais retornei lá.
A estação em 2008 - Foto Cesar Augusto Tonetti
Há poucos dias recebi uma simpática mensagem por e-mail de um antigo morador da estação. Transcrevendo o texto enviado pelo Sr. Daniel Cândido Moisés: "Venho através deste parabenizá-lo pela matéria que achei na internet sobre as estações ferroviárias do Brasil, em destaque a de Bairro Alegre no município de São João da Boa Vista SP.
Tal prestígio se dá pelo fato de ter passado minha infância toda lá naquela estação, pois meus avós paternos tornaram-se moradores do imóvel 2 anos após a desativação da estação mantendo de pé um imóvel que , a meu parecer, deveria ter sido tombado e mantido os moradores para conservação. Assim tornando o local refúgio em finais de semana e todo o período das minhas férias escolares.
Eles saíram de lá em 1995 devido a uma notícia de que todos os moradores de imóveis da antiga RFPSA (Fepasa) seriam retirados das casas.
Assim, meu avô como cidadão pacato, comprou um terreno com tamanho de 1/5 daquele e construiu uma casinha pra ele e minha avó.
Depois de sua saída o casarão foi invadido por ciganos, andarilhos, desocupados, usuários de droga e teve arrancados todo seu piso e forro de madeira, bem como janelas e portas.
Se meus avós estivessem lá teriam preservado o imóvel como original até hoje, tenho certeza disso.
A duas semanas estive lá para relembrar meus passos.
Ótimas recordações...
"

O que ele escreveu nos permite entender por que existem tantos imóveis das ferrovias abandonados por aí. Um dia veio a dona dele, no caso a FEPASA, dizendo que ele teriam de sair pois ela precisaria do prédio. Porém, graças à própria incompetência e descaso dos donos, ele foi abandonado. Os avós de Daniel, que cuidavam do local, saíram e ninguém jamais se importou com a casinha. Por que não se as deixaram habitadas, afinal?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

UMA CARTA DE 1932


Uma carta do acervo de meu avô, enviada para minha avó Maria em 1932. Somente uma lembrança de época.

Não conheço Pocinhos do Rio Verde, que é um balneário mineiro próximo a Poços de Caldas. Olhei na Internet e vi que ainda há um "Grande Hotel de Pocinhos".

Será o mesmo hotel da carta?

Interessante sempre é ler o que o hotel oferecia nesse distante ano de 1932, a três meses da revolução constitucionalista de São Paulo.

Como sempre, a indicação era o trem com que se chegava à região. No caso, o ramal de Caldas, da Mogiana.