Mostrando postagens com marcador Parque Dom Pedro II. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parque Dom Pedro II. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de outubro de 2017

SÃO PAULO: 93 ANOS DEPOIS, A VARZEA DO CARMO


Anuncio do loteamento em 1924 (O Estado de S. Paulo).

Os quarteirões existentes entre o morro do Pátio do Colégio, a rua Barão de Duprat e a várzea do rio Tamanduateí, em frente de onde apareceu logo depois o Parque Dom Pedro II (hoje uma pálida amostra do que foi) foram loteadas em junho de 1924.

De local chic que era para ser, tornou-se hoje zona comercial com uma série de problemas.


Mapa do loteamento em 1924 (O Estado de S. Paulo).


Os mapas do loteamento Varzea do Carmo e o que o bairro é hoje são mostrados aqui. Algumas ruas e pedaços de ruas foram extintas em modificações posteriores. O Mercado ainda não existia, mas já aparecia como a ser construído e o Palácio das Indústrias, recentemente aberto, eram os chamativos para os potenciais compradores de lotes.


Mapa do loteamento em 1924, alguns dias após o anterior, mostrando lotes já vendidos (hachurados) entre a Avenida do Exterior e a rua 25 de Março (O Estado de S. Paulo).


Os quatro mapas têm o norte no sentido para a esquerda deles.


A região em 2017 (Google Maps)

Bem próximo dali, também se instalou, bem mais tarde, um enorme terminal de ônibus e uma estação de metrô.

Pouca gente mora por ali.

Algumas ruas mudaram de nome. O Aterrado do Carmo tornou-se parte da avenida Rangel Pestana, então sua continuação. A rua Americo Brasiliense (canto esquerdo superior do mapa) tornou-se a rua Professor Euripedes Simões de Paula. A rua Ytobi virou rua Cavalheiro Basilio Jafet. A rua Pagé tornou-se a rua Comendador Afonso Kherlakian. A rua Anhangabahu virou rua Carlos de Souza Nazaré (e a parte inicial dela, entre a São João e a curva para passar debaixo do viaduto da rua Florencio de Abreu, virou avenida da Luz e depois Prestes Maia).

(Este artigo foi atualizado em 1/11/2017)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

1937: UM TÚNEL DEBAIXO DO CENTRO VELHO DE SÃO PAULO


Nos idos de 1937 - já são oitenta anos passados - a cidade de São Paulo continuava aumentando de forma meteórica sua população e, apesar dos poucos automóveis e ônibus circulando em suas ruas, já apresentada problemas de pequenos congestionamentos, todos concentrados no que hoje chamamos de centro velho, ou seja, a cidade original.

Não ajudava nem um pouco, também, as ruas estreitas e construídas séculos antes sem qualquer respeito à geometria e que ficavam nessa antiga área.

Por isso, já nos últimos trinta anos, obras como a reforma do vale do Anhangabaú e da Várzea do Carmo (Parque Dom Pedro II), o alargamento da avenida São João e a abertura da Praça do Patriarca, entre outras, foram implementadas.

Em 1937, mais uma, que, na verdade, já estaria projetada desde os anos 1910, era anunciada: a construção de um túnel para facilitar a passagem pela Colina Histórica, partindo das ruas laterais do Parque Anhangabaú e, seguindo em linha praticamente reta, atingir o cruzamento das ruas 25 de Março e General Carneiro.

A maior dificuldade para essa construção seria ter um projeto de engenharia que deveria levar em conta "o peso de certos edifícios que ficavam no percurso" e que são mostrados no mapa mostrado mais acima.

No fim, o túnel jamais foi construído.

A cidade mudou muito desde então. Se este túnel tivesse sido feito, qual seria a importância dele hoje para a circulação de veículos? Considerando-se que essa região da cidade teve diversas ruas proibidas para o tráfego de veículos e, na região da 25 de Março, o tráfego existe, mas é reduzidíssimo por causa da invasão de gente para compras (a calçada não dá conta), esse túnel poderia até ter sido abandonado. Ou, então, todo o planejamento de tráfego que hoje existe tanto no Anhangabaú quanto na região do Mercado e do Parque Dom Pedro II seria hoje totalmente diferente...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A LIGAÇÃO LESTE-OESTE EM SÃO PAULO (1966)

Duas opções das quatro sugeridas. Nenhuma das duas acima foi utilizada, a ligação passou por baixo da praça inteira. (Folha de S. Paulo, 13/9/1966)
.

Eu já escrevi neste blog sobre a construção da Radial Leste, há cerca de três anos. Já sobre a ligação da Radial Oeste com a Radial Leste, creio que não.

A Radial Leste, a partir do Parque Dom Pedro II, começou a ser construída bem antes, ainda nos anos 1950. Já a Radial Oeste, da Praça Roosevelt para a avenida São João, estava sendo acabada com o alargamento da rua Amaral Gurgel ainda no final de 1966.

Além de nem se falar em Minhocão nessa época, via que acabou deteriorando a própria Amaral Gurgel duplicada e a São João e sua continuação, a General Olímpio da Silveira, em outubro de 1966 ainda se discutia como a rua Amaral Gurgel iria atingir a avenida Alcântara Machado ali no Braz. A Praça Roosevelt ainda mantinha sua feira aos sábados e a passagem do Oeste para o Leste da cidade ainda era feita pelo centro novo da cidade, seguindo a Consolação, Maria Paula até a Praça João Mendes e dali se descendo para a Rangel Pestana.

Eu estudava no Colégio Visconde de Porto Seguro e não me lembro tão bem assim dessa obra.

A discussão em outubro de 1966 era sobre se a ligação seguiria pelo alargamento da rua Caio Prado, se sobre uma paralela a ela a ser construída - o que levaria à demolição do Colégio Des Oiseaux ou ainda se passaria pela rua Olinda (hoje rua Guimarães Rosa), a rua lateral da Praça Roosevelt, o que levaria 'a demolição certa do Col~egio onde eu estudava.

Dessa discussão não li nada na época, mas hoje sei que os jornais a noticiavam. No fim, acabaram escolhendo uma quarta opção, fazendo a reforma total da praça Roosevelt - em cima e em baixo. Ou seja, em cima tornou-se um parque de concreto onde apenas a igreja da Consolação sobrou em pé entre as duas ruas que a formavam (Olinda e Martinho Prado) e por baixo fez-se a ligação entre a rua Amaral Gurgel e o Braz.

Após passar por baixo da praça, a avenida passou também sob a rua Augusta e por cima da rua Avanhandava e da avenida Nove de Julho (este foi chamado de Viaduto do Café) e depois, por uma enorme trilha de demolições, no meio do bairro do Bexiga, cortando várias ruas, passando por sobre a avenida 23 de Maio, por baixo da avenida da Liberdade e da rua Galvão Bueno, para finalmente ter uma saída para a Alcântara Machado passando por sobre o Parque Dom Pedro II. O parque foi destru~ido por uma sequência de viadutos nos anos 1960.

Uma das opções para a Leste-Oeste está retratada no mapa no topo da página.

Por fim, posso dizer que me lembro das obras de construção do viaduto da rua Augusta sobre a ligação Leste-Oeste; do bate-estacas na Praça Roosevelt funcionando os dias inteiros em 1968; do alargamento da rua da Consolação, especialmente em frente à praça Roosevelt e na subida até a Paulista. Uma "carnificina" de belas casas na época.

O Colégio Porto Seguro sobreviveu. Mudou-se para o Morumbi em 1972 e hoje é o Caetano de Campos. O Des Oiseaux foi demolido no início de 1970, mas não por causa de alargamento de rua alguma. No seu terreno, até hoje não existe coisa alguma.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

LUXO NO PARQUE DOM PEDRO II

Ralph M. Giesbrecht - 27/7/2010

Há alguns meses atrás, fui à rua 25 de Março para comprar uns badulaques. A loja estava perto daquela praça grande que fica perto do final da zona comercial daquela rua. Ragueb Chohfi, creio, é seu nome. Na esquina, um belo prédio de 5 andares mais o térreo. Estilo bem típico dos anos 1920 e 30. Não prestei atenção no nome do prédio. Estava (ainda está) em estado ruim por fora. Por dentro, nem tenho ideia de como possa estar. É, ou foi, pelo jeitão, um prédio de apartamentos. Hoje, não sei. No térreo, lojas - acho que sempre foram lojas ali. Eu tirei algumas fotografias naquele dia: uma delas está acima.

Fico sempre curioso de saber a historia desses edificios. Não sou nem um pouco fã de prédios de apartamentos, mas assim, antigão, bonito, só 5 andares, dá para engolir bem. Prédios assim não matam uma cidade. O problema de gente que pesquisa a história como eu é que não há tempo para se pesquisar tudo o que se quer. É muita coisa. As descobertas muitas vezes vêm por acaso. Na época, perguntei para o Douglas Nascimento se ele conhecia o prédio. Ele disse que sim (claro) e me disse o nome. Era um nome "turco". Não guardei.

O Estado de S. Paulo - 2/2/1930

Há umas duas semanas, no entanto, o acaso começou a acontecer. O jornal O Estado de S. Paulo do dia 2 de fevereiro de 1930 publicou um anúncio sobre o prédio, que foi construído e estava sendo lançado para venda de seus apartamentos. O anúncio, reproduzido logo acima, saiu no blog "reclames do Estadão".

Naquele tempo - 1930 -, quem tinha dinheiro bancava sua própria construção, tornava-se, claro, dono de todos os apartamentos e depois os alugava. Era mais difícil vender. As vendas desses apartamentos geralmente somente ocorriam anos mais tarde, quando algum herdeiro queria ou precisava dispor do imóvel.

O anúncio dizia: Situado no ponto mais central da cidade a três minutos apenas da Rua 15 de Novembro. De todas as dependências deste majestoso prédio se descortina um magnífico panorama, dominando-se inteiramente o incomparável Parque D. Pedro II, o maior logradouro do Brasil. Edificado em lugar saudável, banhado pelo sol durante o dia inteiro, e onde se respira ar puro, está naturalmente indicado para moradia das pessoas de bom gosto de todas as classes, particularmente ao pessoal do comércio, que nos seus amplos e confortáveis apartamentos vão encontrar os elementos necessários para sua instalação em condições favorabilíssimas.

Atualmente, no entanto, a situação ali é totalmente diferente. Continua a três minutos da rua 15 de Novembro a pé, mas quem quer ir nessa rua hoje em dia? O Parque Dom Pedro II continua incomparável, sim, mas na feiura, arrasado que foi pelos viadutos e terminais de ônibus nos anos 1970. O prédio até continua banhado pelo sol - não se construíram outros edifícios altos em torno dele, mas o ar está longe de ser puro, pela quantidade de veículos que por ali passam. E as pessoas de bom gosto somente vão se mudar para esse prédio se ele for totalmente reformado por dentro. Enfim, o caos, oitenta anos depois.

E, finalmente, hoje o acaso se completou. Procurando um documento para algo completamente diferente nos arquivos de meu avô, encontrei uma carta em que ele e sua esposa Maria tornaram-se fiadores do Sr. João Câmara - nunca ouvi falar dele - num apartamento que este estava alugando no Palacete Nacim Schoueri - este era o nome do prédio. A carta estava datada do dia 30 de dezembro de 1930.

Nessa carta havia uma cópia do recibo de entrega do imóvel ao Sr. João: O abaixoassignado Inquilino do appartamento no. 33 do predio no. 97 da avenida Exterior de propriedade do Sr. Nacim Schoueri declara que lhe entregue dito appartamento em perfeita ordem e precisamente: Existem e funcionam sem defeitos, uma bacia de latrina com tampa e caixa de descarga - um lavatorio de louça - um banheiro - um aquecedor a gaz - uma pia de cozinha com pedra de marmore e um fogão a gaz. Os ralos não estão entupidos e todas as torneiras e registros se acham em boas condições. Todos os abat-jours, globos e a instalação completa pertencem ao proprietário. As portas e janellas tem fechaduras, maçanetas e cremonas sem defeitos; não tem vidros quebrados. A pintura das paredes e esquadrias não estão manchadas. Declara tambem que lhe foram entregues duas chaves da porta de entrada do apartamento assim como todas as chaves das portas internas e bem assim uma chave do portão de entrada da rua.

Acervo Ralph M. Giesbrecht

Havia dois recibos de pagamento do apartamento, do ano de 1931, anexos a esses documentos de meu avô. Um deles está reproduzido acima. O recibo tem uma foto do prédio. Que eu tenha conhecimento, nunca houve problemas com essa fiança.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MEMÓRIA PAULISTANA

Avenida Adolfo Pinheiro nos últimos dias, com os trilhos do ex-tramway de Santo Amaro à mostra; foto Mario Curcio/AE

Parabéns ao jornal O Estado de S. Paulo pelas duas reportagens de hoje no Metrópole: uma sobre o quartel do Parque Dom Pedro II e outra pelos bondes de Santo Amaro.

Mas nota zero no quesito erros: no do quartel, cita-se duas ou três vezes que a Marquesa de Santos foi amante de Dom Pedro II. Não foi, foi-a de Dom Pedro I.

Já nos bondes, meu Deus! As datas importantes estão todas erradas. Os bondes elétricos foram implantados em 1900 (e não 1890 e 1930, como consta em dois dos "pontos-chave") e os bondes para Santo Amaro apareceram em 1913, mas não 45 anos antes de 1968, como no "para lembrar". Lendo isso, o leitor fica em dúvida se eles começaram em 1913 mesmo ou em 1923 (foi 1913). Ou se o final foi em 1958 ou 1968 (foi 1968).

Parece que, como acontece há anos na Folha de São Paulo, as revisões no "Estadão" estão deixando de ser feitas por economia...

Isso não denigre, entretanto, as reportagens: histórias como essas são importantíssimas para se conservar a memória da cidade e do País.

Há cerca de três semanas eu estive nesse local e vi os trilhos ali. Dá uma dor no coração. E não há o que fazer: com a construção da estação do metrô, não podem mesmo ficar ali. Deveriam ir, depois de retirados, para um museu? Difícil - a figura deles no piso é muito representativa. A foto no jornal (acima republicada) é comovente para quem conheceu o passado. Para mim, uma das grandes fotos no jornal neste ano. Parabéns ao fotógrafo Mario Curcio, o qual não conheço.

A uns dois quarteirões dali, a praça Santa Cruz não lembra em nada o local em que ficava a estação Santo Amaro, retratada em outra fotografia publicada no mesmo artigo (e que, segundo algumas fontes, data de 1920; segundo o jornal, 1916). A praça ocupa hoje pouco mais do que o espaço que ocupava o prédio - que, segundo Werner Vana, foi demolido em 1966, já sem uso.

Essa estação não atendia ao bonde, e sim ao seu antecessor - a antiga Companhia de Carris de Ferro de Santo Amaro, que funcionou com locomotivas a vapor até a abaertura da linha de bondes para Santo Amaro.