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quinta-feira, 3 de junho de 2010

FERIADOS


Hoje é feriado. Corpus Christi. Nome latino para "corpo de Cristo". Está bem. Sou católico, mas, sinceramente, não sei o porquê do feriado. Se eu fosse à igreja e prestasse atenção ao que o padre diz, talvez aprendesse. Mas não. Haja paciência para assistir a missas.

Antigamente, missa era o "divertimento" do domingo. Se não fosse a missa, far-se-ia o quê? E olhe que nem se entendia o que o padre dizia, pois a missa era rezada em latim. Mas não havia televisão, nem computador... ia-se à missa e depois passeava-se na praça, na avenida, ia-se à estação de trem para ver o trem chegar... e visitava-se os amigos e parentes.

Por isso, naquela época conhecia-se a família toda. Quando tínhamos interesse em saber quem era tio, quem era primo etc., então, ficava mais interessante ainda. Era o meu caso. Nem por isso eu gostava de ir à missa, e somente ia quando minha mãe obrigava. Íamos muito para a cidade de Santos. Minha mãe ia à missa no Embaré todos os domingos quando estava lá. Até que um dia disse que não ia mais, pois o padre criticou os turistas que iam a Santos e preferiam ir à praia a ir à missa. Minha mãe era turista e frequentava a missa, por isso ficou ofendida e não foi mais.

Acabou-se a missa, acabaram-se as religiões, mas ficaram os feriados, agora sem significado algum. Não há procissão, exceto nas cidades menores e, mesmo assim, porque é evento turístico. Veja o caso, aqui, de onde moro, Santana de Parnaíba. É hoje, lá no centro. Aqui no bairro, alguém vai? Só se for de curioso.

A última procissão a que compareci foi por acaso, há uns quatro anos. Foi na Lapa, cidadezinha linda e histórica a 65 km de Curitiba. Fui conhecer a cidade e de repente demos de cara com uma procissão. Apesar de a cidade ser turística, não havia muita gente olhando. A maioria estava era participando dela. Eu fiquei olhando uns 2-3 minutos e fomos para outro lado.

Enfim, que significado têm os feriados hoje em dia? Nenhum. É dia "de ir pra praia", de fazer churrasco, de tomar uma bebedeira, de jogar futebol. Não sabemos por que eles existem, qual o significado histórico ou religioso deles. Às vezes damos graças aos céus por eles existirem, para podermos descansar. Às vezes, eles são uma atrapalhação.

Porém, ninguém para para refletir no seu significado, o que, teoricamente, é o motivo de os feriados existirem. Dia de Tiradentes. Quem foi mesmo ele? Sim, eu sei, mas quanta gente sabe? Dia da consciência negra. É preciso um dia inteiro para se parar e pensar no que isso significa? Se sim, quem faz isso? Não! É mais um dia "para ir para a praia".

Sou a favor de que se acabem com os feriados. Ou, pelo menos, que se diga: "tais dias serão feriados: a, b, c, d e e. Não terão nomes. Somente isso: serão dias em que não se trabalha. Apenas isso. Não é, afinal, o que eles são?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

KASSAB DELIRA

A nova avenida sobre os trilhos da CPTM não lembraria certamente os projetos do metrô da Light de 1927

Saiu hoje em todos os jornais a "nova" idéia do prefeito Kassab: demolir o Minhocão. Nada de diferente do que quase todos os prefeitos de São Paulo que vieram depois do seu construtor (Paulo Maluf - foi ele quem fez!) propuseram.

Ok. Vá lá. Mas o que ele propõe em troca? Demole o Minhocão e fica o eixo Amaral Gurgel-São João-Olímpio da Silveira com todos os semáforos existentes para escoar o tráfego? Certamente não dá, até ele concorda com isso. O que ele apresenta para aliviar a demolição é a construção de uma avenida expressa no lugar da linha de trem entre as estações do Brás e da Lapa. E a linha? Ah, essa seria rebaixada e "canalizada", como é o metrô e como o foram diversos córregos da Capital de São Paulo nos últimos cem anos.

Legal. Agora, no entanto, vamos aos problemas: primeiro, não foi ele quem há uns três-quatro dias atrás disse que a cidade não tem como pagar a dívida com o governo federal? Como ele pagará essa nova obra, certamente caríssima?

Segundo: onde será construída a linha para passarem os cargueiros que continuam a cruzar São Paulo conduzidos pela MRS e ALL? Junto com a linha subterrânea? Convenhamos, é um túnel muito longo para ser transitado pelos fumarentos trens diesel. Além do mais, uma terceira linha (ou quinta, se considerarmos que já existem ao menos quatro linhas herdadas da Santos-Jundiaí e da Sorocabana, pois eram linhas duplas - não há como reduzir linhas, com o movimentadíssimo sistema de metropolitanos de São Paulo). Então, há de se construir o ferroanel no seu tramo norte, que tem o mesmo problema do rodoanel na região: ecologistas que implicam com a mata da Cantareira.

Terceiro: sempre que obras desse porte são feitas em países que têm dinheiro e são governados não por impulsos, elas são feitas em tempo relativamente curtos: não se perdem anos com autorizações deste e daquele órgão nem com liminares impostas pela Justiça porque alguém está roubando ou por algum cosntrutor que não se conforma de perder a licitação.

Quarto: se a ferrovia vai ser rebaixada (tunelizada), ela precisará ser construída primeiro, para depois se remover os trilhos de cima e fazer a avenida (ah, como prefeitos adoram avenidas!). No duro, no duro mesmo, os prefeitos jogariam a linha para longe e que se ferrasse a CPTM e seus usuários.

Quinto: o enorme pátio da Barra Funda, feito para se unir as linhas da Sorocabana/Fepasa, Santos-Jundiaí/RFFSA (depois unidas na CPTM), Metrô e trens de passageiros de longa distância (estes de saudosa memória para os passageiros, não para os retrógrados governantes) vai para onde? Segundo o prefeito, para a Lapa. E aí? Todo o investimento vai virar sucata? As oficinas da Lapa terão de ceder seu lugar para este novo pátio, pois seria o único local disponível num local saturado.

Vejam o custo de tudo isso somente para se demolir o Minhocão por que ele é feio. Sim, ele é horrível, deteriorou mesmo as ruas por onde passa. Mas é um escoadouro que funciona, guardados os limites do tráfego paulistano. Deixe-o lá mesmo. Ou faça o seguinte: os investidores que ganhariam uma fortuna com a liberação de mais uma área para ser recuperada (veja-se Cracolândia, Itaquera, margens ferroviárias e mais outras eventuais citadas há pouco tempo pelo nosso imaginativo alcaide) é que devem pagar por todas as reformas. A prefeitura apenas supervisiona. Aí sim.

Finalmente, a pergunta: qual será a nova ideia do Kassab quando ele acordar? Devolver a terra para os Tupinambás? Será que eles querem?

sábado, 1 de maio de 2010

OPERAÇÃO SANTA ENGRÁCIA

Linha da CPTM na Lapa. Foto Alexandre Giesbrecht

A Prefeitura de São Paulo anunciou nos últimos dias três novas operações urbanas para atrair moradores da cidade para o eixo ferroviário por onde hoje circulam os trens da CPTM, particularmente nas zonas deterioradas e regiões mais pobres.

Os mapas divulgados na imprensa mostram a região dos armazéns entre as estações Julio Prestes e Domingos de Moraes, esta no Alto da Lapa, outra ao longo dos trilhos da Santos-Jundiaí ao sul da Luz e finalmente a região limítrofe do município na parte leste, mais particularmente Itaquera, São Miguel, Parque do Carmo e José Bonifácio.

Perguntas:

- Vai demorar tanto quanto está demorando a operação Cracolândia?
- Vai ser coisa bem feita ou somente vai tentar atrair gente de classe média alta favorecendo somente especuladores?
- E, conhecendo como pensa boa parte do povo brasileiro, depois de se mudarem para lá não vão ficar reclamando do barulho do trem, como já fazem em diversos pontos de São Paulo e do Brasil?

Eu já estou num ponto em que mesmo quando as notícias são boas, desconfio de tudo e acho que as coisas vão ser feitas com terceiras, quartas e décimas intenções.

Enfim, é aguardar para ver... resta saber quanto tempo vamos aguardar.

Operações como estas, comuns em cidades dos Estados Unidos, costumam começar quase que imediatamente e já apresentam resultados em dois, três anos. Já aqui... é só ver a Cracolândia, anunciada em 2006 e até agora pouco foi feito. Além do mais, lembrem-se que a operação Cracolândia ainda pega uma parte já realizada nos últimos dez anos antes de seu anúncio, quando houve a restauração e remodelação das estações da Luz, Julio Prestes, casa de Santos Dumont e largo General Osório. Hoje estes prédios estão ilhados no meio de hordas de drogados.