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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A CORRUPÇÃO DOS POLÍTICOS É QUE AUMENTA OU SOMOS NÓS QUE NOS TORNAMOS MENOS INGÊNUOS?

Foto RBS - Local: Florianópolis, SC, ontem

A primeira eleição da qual me lembro foi a de 1958. Foi por volta do dia 3 de outubro - se não me engano, as eleições eram sempre nesse dia ou ao redor dele - se não fosse num fim de semana, era decretado feriado. Não entendo por que o brasileiro precisa sempre votar em feriados. Não dá para votar em dia de serviço? Qual é o grande problema? Se o voto é obrigatório, o patrão não pode descontar esse tempo. O camarada acorda, vai votar e dali vai para o trabalho.

Se ele vota do outro lado do País, viaja e volta. Não é isso que ele faz hoje? Se não consegue por que não tem dinheiro, não tem tempo, ele justifica o voto. Ou vota em trânsito - num País que tem urnas eletrônicas como tem hoje, isso não deveria ser problema algum. O camarada se apresenta em qualquer lugar perto de sua casa, diz que vota na seção tal em outra cidade e que está votando ali. A conferência pode ser feita on-line. Não me digam que isso é um problema para ser feito hoje em dia.

Voltando a outubro de 1958, eu achava bonitinho ver o chão cheio de papeizinhos impressos. Alguns com fotos, outros sem. O fato é que esses "santinhos", na verdade, eram o que se depositava na urna. Não havia a tal cédula única. Lembram-se da cédula única? Ela foi introduzida nos anos 1960 e mostrava o nome de todos os candidatos. Desde que fossem poucos... ou seja, no caso de deputados e vereadores, havia uma linha onde v. escrevia o nome ou o número do sujeito. Ou ambos.

Nessa eleição, eu me lembro até hoje - embora vagamente - de um candidato a deputado. Ele tinha o nome parecido com aquele que traiu Tiradentes. Joaquim Silvério dos Reis, não era isso? O final era com certeza igual - dos Reis - e que o resto do nome não era igual ao do "traidor", mas próximo. Aliás, nessa época, eu ainda não havia ouvido falar em Tiradentes e sua turma, eu tinha apenas 6 anos; a associação veio depois.

Por que minha família tinha tantos santinhos desse sujeito? Isso eu somente descobri anos depois: ele era diretor do Centro do Professorado Paulista, que ainda tinha ligação com a família da minha avó, apesar de meu avô ter morrido havia já dez anos. Ele foi presidente por dezoito. Minhas tias - nesse dia da eleição, eu estava na casa da minha avó, na Vila Mariana - e elas votavam no Grupo Escolar Marechal Floriano. À medida que a gente subia a rua Capitão Cavalcânti, onde estava a casa, e se aproximava do grupo, na rua Dona Júlia, o volume de santinhos no chão aumentava. No grupo, era um tapete de papeizinhos.

Hoje, com urnas eletrônicas, sem papéis para se colocar nelas... colocar onde, as "urnas" são pequenos computadores, na verdade! Apenas apertam-se botões. Os santinhos continuam a existir, embora em número muito menor. As pessoas continuam porcas e jogando-os no chão à medida em que elas os ganham dos distribuidores, ilegais (boca-de-urna!!!), mas ainda existentes.

Só não mudam os políticos. Continuam fraquíssimos, a corrupção parece aumentar a cada dia. Ou talvez tenha sido sempre igual, nós é que nos tornamos menos ingênuos. Ingênuos a ponto de acharmos que não tem mais jeito. Que mesmo que um amigo nosso honestíssimo seja eleito, ele jamais deixará de se corromper em nome de "um bem maior"... se isso não ocorre, é porque ele renunciou. Ou ficou no ostracismo durante um mandato todo e, no fim, cai fora pelo resto da vida. Já vi isso acontecer.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

FERIADOS


Hoje é feriado. Corpus Christi. Nome latino para "corpo de Cristo". Está bem. Sou católico, mas, sinceramente, não sei o porquê do feriado. Se eu fosse à igreja e prestasse atenção ao que o padre diz, talvez aprendesse. Mas não. Haja paciência para assistir a missas.

Antigamente, missa era o "divertimento" do domingo. Se não fosse a missa, far-se-ia o quê? E olhe que nem se entendia o que o padre dizia, pois a missa era rezada em latim. Mas não havia televisão, nem computador... ia-se à missa e depois passeava-se na praça, na avenida, ia-se à estação de trem para ver o trem chegar... e visitava-se os amigos e parentes.

Por isso, naquela época conhecia-se a família toda. Quando tínhamos interesse em saber quem era tio, quem era primo etc., então, ficava mais interessante ainda. Era o meu caso. Nem por isso eu gostava de ir à missa, e somente ia quando minha mãe obrigava. Íamos muito para a cidade de Santos. Minha mãe ia à missa no Embaré todos os domingos quando estava lá. Até que um dia disse que não ia mais, pois o padre criticou os turistas que iam a Santos e preferiam ir à praia a ir à missa. Minha mãe era turista e frequentava a missa, por isso ficou ofendida e não foi mais.

Acabou-se a missa, acabaram-se as religiões, mas ficaram os feriados, agora sem significado algum. Não há procissão, exceto nas cidades menores e, mesmo assim, porque é evento turístico. Veja o caso, aqui, de onde moro, Santana de Parnaíba. É hoje, lá no centro. Aqui no bairro, alguém vai? Só se for de curioso.

A última procissão a que compareci foi por acaso, há uns quatro anos. Foi na Lapa, cidadezinha linda e histórica a 65 km de Curitiba. Fui conhecer a cidade e de repente demos de cara com uma procissão. Apesar de a cidade ser turística, não havia muita gente olhando. A maioria estava era participando dela. Eu fiquei olhando uns 2-3 minutos e fomos para outro lado.

Enfim, que significado têm os feriados hoje em dia? Nenhum. É dia "de ir pra praia", de fazer churrasco, de tomar uma bebedeira, de jogar futebol. Não sabemos por que eles existem, qual o significado histórico ou religioso deles. Às vezes damos graças aos céus por eles existirem, para podermos descansar. Às vezes, eles são uma atrapalhação.

Porém, ninguém para para refletir no seu significado, o que, teoricamente, é o motivo de os feriados existirem. Dia de Tiradentes. Quem foi mesmo ele? Sim, eu sei, mas quanta gente sabe? Dia da consciência negra. É preciso um dia inteiro para se parar e pensar no que isso significa? Se sim, quem faz isso? Não! É mais um dia "para ir para a praia".

Sou a favor de que se acabem com os feriados. Ou, pelo menos, que se diga: "tais dias serão feriados: a, b, c, d e e. Não terão nomes. Somente isso: serão dias em que não se trabalha. Apenas isso. Não é, afinal, o que eles são?