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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

VERGONHA NACIONAL


Os brasileiros, que ontem à noite em Belém do Pará cantaram tão bem o hino nacional (surpreendente saber que tanta gente conhece a letra) no estádio antes do jogo Brasil e Argentina, ainda têm muito a aprender. Seria bom aprenderem antes que o país acabe.

Mas, acabar? Por quê? Não, não se trata do problema do calendário azteca no final do ano que vem. Trata-se de um possível esfacelamento em alguma época futura, que pode estar próxima ou mais longínqua, causada pela falta de vergonha na cara. Ou seja, eventuais áreas com mais vergonha na cara do que outras tentarem e conseguirem se separar das outras justamente por terem mais (ou menos, sei lá!) vergonha de serem brasileiros.

Afinal, o brasileiro vem sendo escorchado durante anos a fio - mais de um século, quase dois, e isto contando-se somente o tempo de independência em relação ao império português - pelos seus governantes e diversos poderes sem protestar contra nada.

Quando foi a última vez que os brasileiros realmente protestaram? Revolução de 1932, em São Paulo? Revolução de 1930? Foi o povo ou setores do exército que promoveram essa agitação? Que não lembrem dos caras-pintadas, que me pareceu mais uma brincadeira de jovens do que um protesto real. Ou das "diretas~já", promovidas pelos políticos da oposição. Não me parecerem grandes protestos.

Já desde o governo daquele nefando maranhense, cujo nome não quero citar para não lhe fazer mais propaganda ainda (pois até no governo militar um escândalo geralmente fazia cair um ministro, um governador) que não adianta a mídia publicar escândalos - o governo nem liga. Itamar ligou? Fernando Henrique? Lula? Dilma?

Ah, mas há um mês o povo se revoltou contra Ricardo Teixeira no Twitter. Grande coisa. Por pior que Teixeira possa ser, ele preside uma associação que todos dizem corrupta e voltada para interesses pessoais que - notem - é uma entidade privada. Vai mudar a vida de alguém a queda de Teixeira? Só mesmo a dele. Ora, que se dane a CBF e quem os sustenta - as federações de futebol estaduais, também entes particulares. Que protestemos contra o que realmente nos interessa!

Enquanto isso, ninguém protesta contra o escândalo das verbas da Prefeitura e do Estado para um estádio paricular em Itaquera, nunguém liga para os escândalos dos ministérios e do Judiciário, fora os da Câmara e das Assembleias estaduais, e das prefeituras - quais escândalos? Quais Câmaras, quais Assembleias, qual Judiciário(!?), quais ministérios? Ora, se você não sabe quais foram, é porque você não se importa com eles, pois eles foram graves e sérios e todos aconteceram nos últimos dois ou três meses.

Fora Ricardo Teixeira, mas não "fora ministro, fora deputado, fora vereador, fora prefeito, fora secretário"? Será que o brasileiro gosta de sofrer mesmo? É duro ler os jornais todas as manhãs. A seção de cartas dos leitores é terrível. Concordo com praticament tudo que os leitores escrevem em suas cartas decepcionadas e indignadas - mas adianta? Nada muda. Os governantes não lêem jornais e, se lêem, dão risada. Aliás, é sabido, alguns nem sabem ler, são analfabetos, ou semi.

As cartas enviadas para a seção de reclamações contra empresas e serviços públicos são inacreditáveis. Existem leis que protegem os consumidores e, na caradura, diversas empresas não ligam a mínima para isso. Muitas nem respondem ou, se o fazem, escrevem cartas-padrão que muitas vezes não respondem a nada que o leitor reclamou. E fica tudo por isso mesmo. Dizem os advogados e juízes: "procurem a Justiça". Para que? Para ficar esperando anos e anos para se decidir sobre coisas que nem de julgamento precisariam, bastaria conferir com o que dizem as leis? Processos se arrastam pelo judiciário por décadas, às vezes por questões mínimas.

A vergonha na cara está em processo de extinção. Os políticos e empresários já a perderam em sua grande maioria; o povo está perdendo-a também, por conivência. E tome pão e circo: Copa do Mundo, Rock in Rio, Olimpíadas. E que se pegue o escudo na camisa do seu time que o torcedor veste e beije-o, mostre para a televisão (nunca viu?). Para que? É como esconder a cabeça no chão como fazem os avestruzes.

Um amigo meu disse que eu estou rabujento e desesperançoso, que sinto um rancor tremendo atualmente. Bom, com 59 anos, quase 60 e tendo uma experiência de vida como a que tenho, devo sentir o que?

Mas que ele não se preocupe, já estou em alto grau de alienação. Meu humor vai melhorar a partir da hora em que eu aceitar tudo. Quem mandou meu pai me educar para ser um cidadão honesto? E quem mandou eu aprender? Devia ter sido um mau aluno e filho ausente.

Sinto saudades de meu pai. E graças a Deus ele não está vendo tudo isto. Hoje, com os 91 anos que teria, ele ficaria desiludidíssimo com a vida.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

OS FRESQUINHOS DE GENEBRA

Vamos fazer a copa de 2014 aqui. Vai ser divertido.
Discussões e mais discussões sobre a lentidão do Brasil - ou do seu governo e entidades particulares - em colocar as coisas em ordem para a Copa do Mundo de 2014 e, de tabela, para as Olimpíadas de 2016. Estádios cujas obras não começam, infraestrutura ruim, inundações que não se resolvem, aeroportos que não funcionam bem há anos, transporte público geralmente insuficiente.

É difícil saber quem tem razão em criticar, pois o que acompanho são notícias de jornal. E todos nós sabemos que jornais e meios de comunicação não conseguem retratar tudo o que existe, de certo ou de errado. Porém, há coisas que vemos e que, consequentemente, temos como dar alguma opinião.

Primeiro lugar: o transporte público funciona nas cidades em que haverá jogos da Copa? Em regra, não. Há cidades em que funciona melhor, como Curitiba. Em São Paulo, onde moro, acho que não funciona tão mal quanto dizem, mas está longe de ser uma Brastemp (se bem que, hoje, a própria Brastemp está longe de ser uma). Imaginem se todos nós atendêssemos à propaganda do governo que diz para deixar o carro em casa e usar mais os ônibus e trens. Simplesmente não haveria lugar para todos e o caos estaria instalado. Pois é, imagine isto em dias de jogos com a cidade lotada de gringos e de visitantes das cidades do estado inteiro. Há como resolver isto? Duvido. Pode-se melhorar alguma coisa, mas não vão conseguir isto a curto prazo - ou seja, três anos. E talvez não se resolva nunca.

Segundo: os estádios são tão ruins assim? Ora, se são, porque todos nós vamos a jogos nos estádios? Gostamos de sofrer? Aguentamos o sol e a chuva, nenhum estádio é coberto - com exceção de algumas partes deles, o resto fica ao relento. Não é, convenhamos, nenhuma tragédia. Os banheiros são ruins e sujos. Poderiam ter manutenção decente, mas isto não é tão difícil e caro assim: basta querer. Os estádios não têm estacionamentos, mas mesmo assim, todos vão aos jogos. Têm evasão de renda, mas isto acontece porque as autoridades não querem resolver o problema (por que será, hein?). O resto é frescura da FIFA.

Terceiro: aeroportos. Estes, sim, têm de ter uma solução. São um caos hoje, imagine quando receberem mais gente, muito mais gente, todos de uma vez. Aí, sim, tem-se de meter a mão na massa e urgente.

Uma sugestão seria fazer todos os jogos em cidades não tão grandes assim. Ou seja: nada de São Paulo ou Rio de Janeiro, mas sim, por exemplo, Araraquara. 200 mil habitantes. (esta foi a primeira cidade que me veio à cabeça, é somente um exemplo). Tem jogo hoje? Ora, que se coloquem os interessados em hoteis na própria cidade ou em cidades em volta, com ônibus (já que trem não tem mesmo, nem vai ter) na porta programados para o número necessário. Como o trânsito na cidade normalmente é pequeno, um aumento não vai causar o mesmo caos que causaria por exemplo no Rio ou em São Paulo, que já são normalmente caóticas.

Ah, o Maracanã é tão tradicional, não podemos deixar de fazer um jogo ali. Ótimo. Façam a final e a cidade viverá um dia de caos somente e ficará contente. São Paulo ficará sem jogo? Ora, façam a abertura e pronto. Mais um dia de caos em outra cidade. Aliás, São Paulo só tem atualmente dirigentes e governantes que tentam passar a perna um nos outros, então, parece que não vai ter estádio nenhum pronto.

Convenhamos: a FIFA é uma frescura só. Dá para fazer uma Copa aqui, sim, exatamente do jeito que as coisas são hoje - estádios inclusive. Quem não gostar que não volte mais. Afinal, quando teremos outra copa no Brasil? Faz diferença? Se eu fosse o governo brasileiro, acho que, um ano antes da Copa, só de sacanagem diria: "parem de encher o saco. A Copa será realizada do jeito que as coisas estão agora, pois não conseguimos nem queremos resolver as coisas do jeito que vocês querem. Portanto, ou vêm assim mesmo, ou mudem de país. Vocês decidem".

E um abraço.