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terça-feira, 16 de agosto de 2011

A ESTRADA DE FERRO EM ARAÇATUBA

A estação "nova" de Araçatuba atualmente - foto Roberto Garcia

A postagem "Um trem corr(ia) para o oeste" de ontem neste blog levou a um comentário de Roberto Garcia, por e-mail, mas fora dos comentários da postagem.

Ele enviou um mapa feito a partir do Google Maps mostrando o traçado velho por dentro da cidade de Araçatuba e sua desativação, quando da entrega da estação "nova" - a quarta"! - na cidade. Aliás, fora da cidade.

Comentou ele que eu esqueci de Araçatuba ontem, mas eu na verdade concentrei-me nas estações da Companhia Paulista naquele caso, embora a referência ao livro "Um trem corre para o oeste" de Fernando de Azevedo referisse-se à linha da Noroeste, no ano de 1948, e não às da Paulista. Ambas, porém, seguiram para o oeste, assim como também a Sorocabana e a E. F. Araraquara.

Roberto enviou-me fotos da estação abandonada de Araçatuba, a que foi aberta em 1992. Como os trens de passageiros entre Bauru e Campo Grande acabaram em janeiro de 1993, o uso dessa estação deve ter sido por pouquíssimo tempo - fora a dificuldade de os passageiros se deslocarem até ela, em local ermo e distante.
Do Google Maps, as linhas velha, nova e o ramal de Lussanvira - amplie para ver o que houve em Araçatuba, a cidade do Brasil que possivelmente mais teve estações (quatro) diferentes com o mesmo nome, uma depois da outra.

Por isso, a declaração da época da retirada dos trilhos da linha velha da Noroeste dada pela prefeita da época não teria sido exatamente o que ela falou em um panfleto de 17 de dezembro de 1991 que anunciava o início dessa retirada. Lá, fala-se das vantagens da retirada, com a eliminação de diversas passagens de nível, de melhora do tráfego na cidade e que isso era um dos anseios da população.

Tenho dúvidas. Mesmo numa época em que os poucos trens de passageiros que ainda existiam no Brasil estavam fadados ao desaparecimento pela cegueira dos dirigentes, ele ainda tinha serventia, principalmente para a camada mais pobre da população, que ainda não se importava de tomar trens malcuidados e lentos, sem horário a cumprir.

Note-se que, desaparecendo linhas, entravam em seu lugar avenidas - prefeitos adoram avenidas.

Enfim, gastou-se muito dinheiro para se construir uma estação e mudar uma linha férrea (que economizou, é certo, mais de 4 km de percurso com a variante) para ter, 19 anos depois, um prédio inútil e abandonado e uma linha em mau estado de conservação percorrida por raros trens cargueiros na região.

sábado, 28 de maio de 2011

ENGODO PUBLICITÁRIO

Mapa sem escala publicado hoje para anunciar um prédio na rua Fidalga
Vi hoje no Estadão uma propaganda de um prédio a ser construído na rua Fidalga, na Vila Madalena. O mapa que mostra a localização do prédio está sem escala e mostra qarteirões quase vazios com uma ou outra casinha e também poucos prédio, "pequenininhos" quando comparados mesmo com as casinhas. No quarteirão entre a Cardeal Arcoverde e a Luiz Murat onde está o Cemitério São Paulo, ele também mostra diversas casinhas.

O mapa parece um paraíso. Super-bucólico. Se São Paulo fosse mesmo assim, seria um enorme prazer morar na cidade. Suponho que a maioria dos interessados nesse prédio - com nome inglês, como sempre: Soul (alma) Madá (de Madalena) - saiba que a Vila Madalena não é assim. E quando não sabe, vai visitar os apartamentos para decidir se compra ou não. Mesmo assim, o comercial não cita a grande barulheira de automóveis nas ruas durante as noites (principalmente de sexta a domingo), visto o local ser coalhado de bares e restaurantes com mesas nas ruas; também não cita que, se v. for receber um amigo em casa, ele vai ter de se virar para achar um local para estacionar. Na rua, então, nem pensar. Vai entregar um carro para um valet que vai cobrar os tubos dele e estacionar o carro na rua mesmo (é proibido, but who cares?) , longe pacas e sem qualquer vigilância.
O que teria sido o mesmo local (ainda sem escala) em 1880
Parece que o paulistano não se importa com esses fatos, parece ter já se conformado que ali é um dos bairros mais congestionados da cidade. Vai mudar assim mesmo. Acho isso incrível.
Mapa real da rua Fidalga (a rua que segue do canto esquerdo inferior para o canto direito superior) hoje - Google Maps
Enfim, é isso. No alto, o anúncio do prédio que foi publicado hoje (olhaí - propaganda grátis de construtoras!). Depois, o local real, visto pelo Google Maps (este mapa, claro, está em escala, e mostra apenas aquele quarteirão da rua Fidalga). Finalmente, um livre exercício de paciência mostrando (sem escala também e baseado no mesmo mapa da propaganda) como teria sido a mesma área em 1880, 130 anos atrás. Isso, sim, era sossego (certamente haveria mais algumas trilhas ali, e algumas pequenas construções numa área tipicamente rural - mas mágico eu não sou).