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domingo, 5 de dezembro de 2010

OBRAS RODOVIÁRIAS PAULISTAS - 1933


As informações abaixo foram transcritas do relatório A Administração do General Waldomiro Castilho de Lima no Governo de São Paulo, como Interventor Federal no Estado, Imprensa Oficial do Estado, S. Paulo, 1933, com finalidades específicas para mim. São apenas trechos da parte de construção de estradas no Estado e também de renda dos municípios que um dia constituiriam a Grande São Paulo.

Transcrevo-as agora para este blog como curiosidade. Não englobam todas as estradas, escolas ou rendas que constam no relatório. A estrada "São Paulo-Paraná" é a atual Raposo Tavares, até pelo menos a cidade de Itapetininga. Seguem as transcrições, com alguns comentários feitos por mim:

O trecho de São Paulo a Itu, no qual estava a cidade de Parnaíba, era considerado, em 1933, pela classificação do relatório aqui citado, como do “2º grupo” em termos de dificuldade de conservação (condições naturais e volume de trabalho) e tráfego (peso e freqüência). Sabe-se por esse relatório que, nesse ano, a única estrada estadual pavimentada no Estado era a DE São Paulo a Santos (Caminho do Mar), em concreto, a única também classificada no “grupo especial”. (pp. 132-133).

No 2º grupo: São Paulo a Itu (91 km); no 3º grupo: Sorocaba a Itapetininga (76 km). (pp. 132-133).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1936 – A incorporar (com trabalhos de construção): Jundiaí-Parnaíba (33 km) (pp. 143-145).

Municípios existentes na atual área metropolitana de São Paulo (Grande São Paulo) em 1933:
Município – Receita orçamentária para 1932 / Gastos efetivos em 1932 / Saldo de 1931 / Despesa efetiva em 1932:

Cotia – 136:646$ / 64:084$ / 42:822$ / 63:481$
Itapecerica – 43:200$ / 41:820$ / 6:657$ / 36:614$
Guararema – 47:837$ / 45:953$ / 7:486$ / 44:077$
Guarulhos – 215:000$ / 145:641$ / 237$ / 143:238$
Juqueri – 65:440$ / 54:131$ / 342$ / 53:865$
Mogi das Cruzes – 680:000$ / 717:874$ / 45:337$ / 646:795$
Parnaíba – 100:000$ / 86:855$ / 11.243$ / 97:551$
Salesópolis – 34:100$ / 25:575$ / 97:900$ / 25:300$
Santa Izabel – 50:612$ / 41:645$ / 5:033$ / 43:183$
Santo Amaro – 399:700$ / 415:198$ / 1:537$ / 415:560$
São Paulo – (ver despesa orçamentária abaixo)
São Bernardo – 1.396:163$ / 1.274:974$ / 23:849$ / 1.261:056$

Total: 12 municípios em 1933 (contra 39 hoje).

Maiores receitas orçamentárias do Estado em 1932:

São Paulo – 60.682:400$
Campinas – 4.727:860$
Ribeirão Preto – 2.820:000$
(São José do) Rio Preto – 2.109:100$
Santos – 16.490:654$
Entre 1.000:000$ e 2.000:000$ – 13 cidades (Araraquara, Botucatu, Catanduva, Franca, Jaboticabal, Jaú, Jundiaí, Lins, Piracicaba, Rio Claro, São Bernardo, São Carlos e Sorocaba – Destas, somente 1 na atual Grande São Paulo).

LITORAL NORTE

Sabe-se pelo relatório aqui citado que, nesse ano (1933), a única estrada estadual pavimentada no Estado era a São Paulo a Santos (Caminho do Mar), em concreto (pp. 132-133).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1933 – a incorporar (com algum trabalho de construção): Caraguatatuba-São Sebastião (23 km) (pp. 134-138).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1934 – a estudar: Santos-São Sebastião (130 km); Caraguatatuba-Ubatuba (80 km); Biritiba rumo à praia (23 km); ramal de Redenção (14 km); ramal de Natividade (da Serra) (10 km) (pp. 139-141).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1936 – a estudar: Ubatuba rumo Parati pela praia (54 km) (pp. 143-145).

Maiores receitas orçamentárias do Estado em 1932:

São Paulo – 60.682:400$
Campinas – 4.727:860$
Ribeirão Preto – 2.820:000$
(São José do) Rio Preto – 2.109:100$
Santos – 16.490:654$
Entre 1.000:000$ e 2.000:000$ – 13 cidades (Araraquara, Botucatu, Catanduva, Franca, Jaboticabal, Jaú, Jundiaí, Lins, Piracicaba, Rio Claro, São Bernardo, São Carlos e Sorocaba – Destas, somente 1 na atual Grande São Paulo).

Município – Receita orçamentária para 1932 / Gastos efetivos em 1932 / Saldo de 1931 / Despesa efetiva em 1932:

Caraguatatuba – 22:100$ / 22:466$ / 6:606$ / 15:842$
São Sebastião – 19.460$ / 18.718$ / 1:549$ / 19:136$
Ubatuba – 13.791$ / 12:229$ / 3:663$ / 14:232$
Vila Bela (Ilhabela) – 24:890$ / 18:377$ / 34$ / 17:129$

SÃO PAULO – PARANÁ

O trecho de São Paulo a Sorocaba era considerado, em 1933, pela classificação do relatório aqui citado, como do “2º grupo” em termos de dificuldade de conservação (condições naturais e volume de trabalho) e tráfego (peso e freqüência). Sabe-se por esse relatório que, nesse ano, a única estrada estadual pavimentada no Estado era a São Paulo a Santos (Caminho do Mar), em concreto, a única também classificada no “grupo especial”. (pp. 132-133).

No 2º grupo: São Paulo a Sorocaba; no 3º grupo: Sorocaba a Itapetininga (76 km); Circuito de Itapecerica (42 km); no 4º grupo: Itapetininga a Ribeira (196 km); Santos a Praia Grande (10 km); Jacupiranga-Pariquera Açu a Sabaúna (Sabaúma) (39 km); Pariquera-Açu a Registro (38 km). No 5º grupo: ramal de Biguá (12 km); ramal de Peruíbe (11 km). (pp. 132-133).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1933 – a estudar: Cotia-Ibiúna-São Miguel Arcanjo-Capão Bonito (190 km); Faxina (Itapeva)-Engenheiro Maia-Itararé (58 km). A incorporar (sem trabalho algum senão o de conserva e obras ligeiras): Capão Bonito-Buri (42 km); A incorporar (com algum trabalho de construção): Registro-Juquiá (34,5 km); Itapetininga-Buri (72 km); Buri-Faxina (Itapeva) (43 km) (pp. 134-138).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1934 – a estudar: Jacupiranga às divisas do Paraná (80 km); Juquitiba-Prainha (Miracatu)-Biguá-Juquiá (100 km); A incorporar (com trabalhos de construção): Registro-Sete Barras (18 km); São Paulo-Juquitiba (69 km); Capão Bonito-Faxina (67 km) (pp. 139-141).

Estradas de rodagem a serem incorporadas à rede estadual segundo o programa de 1935 – a estudar: Registro-Jacupiranga (34 km) (pp. 141-143).

sexta-feira, 30 de julho de 2010

OS BONS TEMPOS. MESMO?


Corria o ano de 1945. Meu avô Sud era Diretor-Geral do Ensino do Estado de São Paulo e, apesar de seus esforços, não conseguia melhorar da forma que imaginava o ensino paulista. Em sua administração construíram-se algumas escolas pelo interior do estado, melhoraram-se algumas instalações - de acordo com os jornais da época - mas algumas escolas continuavam mal instaladas, e isto em plena Capital estadual.

Um dos professores fez um trabalho - possivelmente pedido por meu avô - e saiu fotografando os edifícios escolares paulistanos. Na verdade, parece ter visitado todos os que existiam no município então - e só relatou realmente os que tinham problemas. E, pelas fotos e comentários cáusticos desse professor não identificado, a situação de diversos prédios era bastante comprometedora.

A fotografia reproduzida acima, por exemplo, estava grampeada (ainda hoje está) no alto de um papel que era uma das páginas do relatório que ele apresentou. Por algum motivo, o relatório ficou nos arquivos pessoais de Sud e veio cair em minhas mãos. Na folha de papel, estava datilografado em tinta azul o texto abaixo, mantido na ortografia original:

Uma casa de colono de um sitio decadente a centenas de quilometros da capital?
Casa abandonada a beira da estrada, esquecida dos homens e amada dos morcêgos?
Lembrança de séculos idos, quando o avião, o submarino, o telefone, o rádio, eram fantasias dos livros de Julio Verne?
Pouso de tropeiros que vêm de longe, em demanda da humilde cidadezinha que se ergue no planalto?
Cenário trágico de algum conto de assombramento?
Nada disso.
O que se vê acima é o presente! É o século XX.
É o prédio de um grupo escolar da Capital de São Paulo.
Nele se preparam os pequeninos brasileiros para o Brasil maior de amanhã.
Nele labuta uma plêiade de professores!
Êle está situado a meia hora da Praça do Patriarca!
Chama-se Grupo Escolar João Teodóro!
Está situado à rua Joaquim Marra no. 20, em Vila Matilde.

O prédio, quase que certamente, não mais existe. E devia ficar a meia hora da praça do Patriarca... de trem da Central. A rua citada fica ao lado da estação da Vila Matilde.

Fica o registro de uma época.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

TEMPOS SEM COMPUTADOR


Bons tempos em que não havia computador, nem fotoshop.

As coisas davam mais trabalho, mas eram mais bonitas, mais singelas.

Acima, a capa do programa que meu avô Sud recebeu no Colégio Estadual e Escola Normal de Mogi das Cruzes, em 1945, quando ele ocupava o cargo de Diretor-Geral do Ensino no Estado de São Paulo.

Era uma folha de cartolina dobrada em duas, fazendo uma pasta, que tinha, amarrada com uma fita verde-amarela, uma folha de papel interna, também dobrada em duas, dando o programa da "Sessão Solene de Inauguração da Escola Normal Estadual".

No programa, o diretor da escola fazia a abertura. O Orfeão Normalista de Rio Claro cantava o Hino Patriótico. Havia discursos feitos pelo Secretário da Educação e por uma normalista de Mogi das Cruzes. Havia também a inauguração de um retrato de meu avô. Mais discursos e mais cantos. Antes do encerramento, eram declamados versos.

Podia ser uma chatice, realmente, mas, naquele tempo isso ajudava a passar o tempo.

Quem terá feito o desenho do convite?

quarta-feira, 3 de março de 2010

ESCOLA RISONHA E FRANCA

Escola em Dobrada, SP, em 1920. Autor desconhecido

Eu não sou professor. Até já fui por um tempo, mas há mais de trinta anos, e por pouco tempo. Mas sempre me assombrou a enorme quantidade de “reformas do ensino” que acontecem neste País.

Não vou dizer que é quase uma por ano, mas posso dizer que vi muitas. Não as conheço em detalhes. O pouco que sei sobre educação no Estado vem do tempo em que escrevi o livro da biografia de meu avô Sud, em 1996/97. Mesmo no tempo em que ele foi professor primário, Delegado Regional de Ensino e Secretário da Educação do Estado (no tempo, este cargo se chamava Diretor Geral do Ensino, cargo que ele ocupou pot três vezes), ou seja, entre 1910 e 1945, havia uma quantidade enorme de reformas. Inclusive as feitas por ele (bastante criticadas na época, por sinal).

Na verdade, não estou capacitado a discutir quais mudanças são ou foram boas e quais não, nem o sistema de ensino em si. O problema é que o bom senso mostra que reformas em excesso dificultam a implantação delas próprias e consequentemente o ensino em si.

Tenho assistido nos últimos dias à propaganda do Governo do Estado elogiando as reformas feitas recentemente, que todos sairão ganhando, alunos e professores, haverá cursos de capacitação etc. etc. etc. Todos aparecem sorrindo no comercial, todos parecem felizes e contentes. Isto não condiz com o que a rádio-peão fala, nem com o que os pais e até alunos comentam em geral, em conversas particulares, em jornais e nas televisões.

Ou seja: não acredito no que o comercial apresenta, mas, por outro lado, gostaria imensamente que fosse tudo verdade.

Nem vou entrar no problema dos vencimentos dos professores do Estado (ou dos municípios; que seja): desde o tempo de meu avô as queixas acerca dos “baixos salários” são muitas. Professor primário, ou em geral, sei lá, não ganha nada. Como ele pode trabalhar direito assim?

Por outro lado, parece-me que o atual sistema escolar está falido. Aqui, não falo somente das escolas públicas, mas também das particulares. Num mundo totalmente diferente do que era oitenta anos atrás, onde hoje temos a companhia da televisão, dos computadores pessoais, dos vídeo-games, das lan-houses e das famosas baladas, fora a queda na qualidade da educação familiar em geral e da proliferação da pornografia pública, como querer que um aluno goste de ir à aula por meio dia todos os dias?

Ou se colocam professores excelentes e motivadores para tentar contornar isto tudo, ou continuaremos a ver as barbaridades que vemos por aí em termos de escolas de todos os tipos: alunos desmotivados, mal-educados, viciados, traficantes etc. A impressão que fica é que o bom aluno hoje é uma exceção. A escola não é mais “risonha e franca”. Ela é uma atrapalhação vista pelos olhos de uma criança.

Há oitenta anos, ela ainda podia ser considerada um passatempo para crianças que, quando voltavam para casa, ainda tinham meio dia para brincar de jogos inocentes para quem vive hoje: amarelinha, pular corda, bolinha de gude, futebol.

Tudo isso veio-me à mente quando li ontem uma carta publicada num jornal, carta que foi enviada por um professor desgostoso com o que vê acontecendo (ler o texto). Não sei se o que ele relata é verdadeiro, mas a pergunta aqui é: ele é professor e escreve desse jeito? A carta, como foi publicada no jornal: “Como é que é a vida... tenho 56 anos, sou professor a 30 anos, não aguento mais dar aula... mas tenho que sobreviver né.... e não tem outro geito... não posso me aposentar ainda... agora um sujeito de 48 anos, que passou 30 anos preso (por roubo, homicídio, etc etc) o cara é aposentado... eta paizinho de merda!” Se o professor escreve assim, o que esperar dos seus alunos?