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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CARVÃO NACIONAL NA CENTRAL DO BRASIL - 1903

Na Europa, até hoje, nas locomotivas a vapor ainda usadas, vê-se a fumaça "branquinha"
.

Não é exatamente a minha área, mas sei que a uma determinada época o preço do carvão importado usado pelas locomotivas a vapor no Brasil aumentou e muito. Na virada do século XIX para o XX. Não havia outras alternativa, como diesel e eletrificação de vias - estas últimas, na época, somente eram usadas por bondes urbanos.

O Brasil tinha carvão, mas era pouco e de baixa qualidade. Baixa qualidade significa excesso de enxofre (principalmente). Consequências: fumaça preta (combustão incompleta) e corrosão interna bem mais rápida da caldeira das locomotivas a vapor (por causa do enxofre).

Há muitas outras coisas a falar, mas ofato é que o carvão brasileiro foi experimentado diversas vezes, mas por causa de preço ou de dificuldade de se encontrar carvão importado, como durante as guerras mundiais. Até o final do uso de vaporeiras nas nossas ferrovias, foram usados outros combustíveis para elas, como madeira, carvão pulverizado, óleo mineral.

A partir de 1921, quando a primeira das grandes ferrovias - no caso, a Cia. Paulista de Estradas de Ferro - introduziu a primeira linha eletrificada - e os anos 1940, quando começaram a chegar as diesel-elétricas e algumas disesl-hidráulicas - muito carvão brasileiro foi usado. Havia carvão na região de Tubarão, em SC, onde desde 1874, época de abertura da ferrovia Dona Teresa Cristina, até os anos 1980 usaram-se locomotivas a vapor somente (até onde sei) com o próprio carvão de suas minas; havia no norte velho do Paraná, na região de Lysimaco Costa (o ramal de Barra Bonita e Rio do Peixe foi construído por causa do carvão) e na região de Jacuí, no Rio Grande do Sul. Talvez houvesse outra minas das quais não me recordo agora.

A diferença visível do uso de carvão bom e ruim era fácil: o bom, usado numa locomotiva bem regulada, gera fumaça branca; já o carvão ruim gera fumaça preta, cheia de carvão não queimado e que, claro, causa muito mais poluição e faíscas, tudo altamente indesejável para o entorno das estradas de ferro.

O fato é que em 1903 a Central do Brasil estava testando o carvão de Santa Catarina, com resultados inicialmente considerados excelentes, como mostra a reportagem de jornal (O Estado de S. Paulo, edição de 15/10/1903). Se os resultados foram esses mesmos numa viagem Rio-São Paulo (onde Taubaté ainda funcionava como ponto de baldeação, pois a linha era métrica e não larga, dessa cidade a São Paulo), é preciso que se acredite na transcrição das notícias passadas ao jornal e na sua boa ou má interpretação por este. O fato é que, não muitos anos depois, já se sabia que usar carvão nacional era reduzir o tempo de vida das máquinas e aumentar a poluição escura e queimadas ao longo das linhas.

A reportagem citada está postada abaixo.


sábado, 15 de maio de 2010

O RAMAL DE BARRA BONITA E RIO DO PEIXE

Estação de Japira, antiga Barra Bonira, no ramal do mesmo nome.Cortesia Flávio Cavalcânti

Hoje recebi uma mensagem perguntando sobre a estação de Eusébio de Oliveira, penúltima parada do já extinto ramal de Barra Bonita e Rio do Peixe, nome comprido para um ramal relativamente curto no Paraná.

Quando ele começou a ser construído, na segunda metade da década de 1910, a única cidade que existia no seu caminho era a de Tomasina, vila fundada no século XIX por mineiros que lá se instalaram. Todas as outras cidades que se constituíram ao longo do ramal o fizeram por causa deste, nascendo de uma simples estação.

O mais curioso é que os 117 km deste ramal demoraram 49 anos para ficarem prontos. A estação terminal, Lisimaco Costa, foi entregue em 1948 e extinta com o ramal 21 anos mais tarde. Ele havia sido construído para a exploração de carvão mineral por praticamente toda a sua extensão, porém, as minas mais promissoras estavam perto de Lisímaco.

Pesquisei durante algum tempo para verificar o motivo do fechamento deste ramal. Não consegui determinar se teria sido pelo esgotamento das minas ou se pela má qualidade do carvão produzido. Pode ter sido, também, pelo fato de se ter preferido o transporte por via rodoviária, situação comum neste país.

Outro fato interessante: o Estado do Paraná não teve nenhuma linha fechada durante os seus hoje 130 anos de ferrovias que não o tivesse sido por causa de substituição por uma linha mais moderna. A única exceção foi o ramal de Barra Bonita.