quinta-feira, 22 de agosto de 2013

AS FERROVIAS E OS RIOS

Estação e rotunda de Ribeirão Vermelho, em Minas, às margens do rio Grande. Foto dos anos 1980. Acervo Ricardo Coimbra/Facebook
As ferrovias, pelo menos no Brasil, sempre tiveram em quase todos os casos, as funções de alimentar portos marítimos e de receber e descarregar em portos fluviais.

Ao mesmo tempo, praticamente todas tiveram - e ainda têm - seus leitos acompanhando vales por ondem correm rios e córregos. O motivo é óbvio: a ferrovia busca as partes planas do solo.

Também é verdade que inúmeras ferrovias não atingiam portos marítimos, mas serviam de "alimento" para as que serviam. Em São Paulo, somente a São Paulo Railway, por muitas décadas, chegava ao porto - o de Santos. Outro porto com algum movimento no Estado, o de São Sebastião, apesar de diversos projetos (da Mogiana e da Central do Brasil) jamais teve qualquer ferrovia que o alcançasse.

Por outro lado, a partir de 1938, a Sorocabana conseguiu romper o monopólio da SPR e chegou a Santos também.

A Paulista e a Sorocabana, esta até 1938, eram fornecedoras da SPR. Já a Mogiana e a E. F. Araraquara o eram da Paulista, enquanto outras alimentavam outras ferrovias também.

Em São Paulo e no resto do Brasil, diversos portos morreram sem movimento quando as ferrovias foram aparecendo e chegando a determinados portos específicos, que foram aumentando seu volume de exportação (e de importação). Na Bahis, por exemplo, Salvador e Aratu receberam ferrovias, enquanto diversos outros acabaram. No Rio de Janeiro, apenas a capital e Angra dos Reis mantiveram suas atividades, pois tinham ferrovias.

Por outro lado, a navegação fluvial em apenas parte dos rios brasileiros - as partes navegáveis - determinaram a chegada dos trilhos a determinados finais onde cargas eram movimentadas. A Madeira-Mamoré ligava as partes navaegáveis destes dois rios, existindo apenas onde a navegação era impossível por causa das corredeiras. A Mate-Laranjeira, no Paraná, foi a mesma coisa. E os trens para Santa Maria, no Rio Grande do Sul, por muitos anos não saíam de Porto Alegre, mas sim de um ponto do rio Taquari que era alcançável da capital somente por barcos.

A Oeste de Minas, no seu trecho de "bitolinha", acompanhavas o rio das Mortes, até cruzá-lo e dele se afastar, dirigindo sua linha para o norte, atingindo a parte navegável do rio Paraopeba, na sua estação terminal, não por acaso chamada de Barra do Paraopeba. Outra parte seguia para Ribeirão Vermelho, às margens do rio Grande.

Porto Ferreira era o ponto onde, na Companhia Paulista, a linha recebia o café por via fluvial desde o Pontal (foz do rio Mogi-Guaçu no rio Pardo), pelo rio Mogi-Guaçu. O nome "Porto" tinha sua razão de ser. O Ferreira era o balseiro do local.

E são exemplos para se escrever não um, mas mais livros. Estudar ferrovias é estudar a história e a geografia do Brasil, seus rios, suas estradas, suas fazendas, seu litoral. Uma maravilha, enfim.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

SÃO PAULO: O BAIRRO DE PINHEIROS VIRA POEIRA

As belas e mal cuidads portas vão para o lixo.

Hoje pela manhã passei pela parte deteriorada do bairro de Pinheiros. Ou melhor, por parte dela.

Na rua Cardeal Arcoverde, todo o quarteirão lado ímpar entre a rua Cunha Gago e a avenida Faria Lima, segundo soube, deverá ir para o chão em poucas semanas.
Aqui vai tudo para o chão.

Não que haja fantásticas construções ali que mereçam preservação. Está tudo ou deteriorado ou por demais modificado. Apenas as duas portas mostradas acima neste artigo (e mais uma, que já fotografei em outra oportunidade) vão fazer alguma falta.

O grande problema é o de sempre: torres gigantescas de escritórios vão poluir e "revigorar" esse trecho após a demolição. Mais trânsito, mais gente, mais consumo de energia e água etc. para estragar a cidade mais ainda.

Chegando à rua Teodoro Sampaio, no quarteirão equivalente (Teodoro e Cardeal são paralelas), a rua virou um grande buraco. Não sei o que vão fazer ali, mas já abriram uma cratera de esquina a esquina e arrancaram os velhos trilhos do bonde, os paralelepípedos que estavam debaixo do asfalto... e muito mais.
Os antigos trilhos da Light e da CMTC vão para o sucateiro.

Os trilhos foram cortados juntamente com os velhos dormentes e colocados empilhados na ruazinha que está uma poeira só e que ali une as duas ruas. Desculpem a pergunta, caros (des)governantes, mas não seria mais sensato deixar os trilhos onde estavam e colocar para rodar sobre eles um bonde moderno, que, no mínimo, propicia uma condução melhor e mais estável do que ônibus fumarentos e que balançam no sempre péssimo asfalto paulistano? Veja foto acima.

E mais um bairro paulistano típico do século XX vira poeira no século XXI. Fotos minhas, tiradas nesta manhã.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

PAPÉIS INÚTEIS

Um dos projetos que não saiu: o trem para Cumbica (O Estado de S. Paulo, 21/5/2009).

Bem, eu tenho papéis demais. Estava eu ontem a eliminar uma série deles - recortes de jornais -, para satisfação de minha querida Ana Maria (e, por que não, minha também), quando ia lendo sobre os projetos de alguns anos atrás e o que se perdeu de tinta e papéis para falar deles. Seguem alguns dos projetos frustrados:

O trem do Aeroporto de Cumbica (que iria devolver o valor da passagem se ele atrasasse e o passageiro perdesse o voo).

A avenida subterrânea que ligaria a Águas Espraiadas à Imigrantes.

O enterramento das linhas da CPTM entre a Luz e a Lapa para fazer uma avenida em cima.

O projeto Nova Luz (que, graças a Deus, até agora somente derrubou porcarias, como, por exemplo, a velha rodoviária da Júlio Prestes...).

Esquemas do metrô de São Paulo diferentes dos que estão efetivamente sendo construídos.

Se olharmos para um passado mais distante, veríamos o aerotrem do Jânio ligando a Vila Mariana a Pinheiros.

A Radial Norte, ligando a Ponte Grande a Santana (que ficou mesmo no trecho Ponte das Bandeiras-Braz Leme).

Recuperação de prédios que continuam abandonados (são tantos os exemplos, que é melhor nem citar).

O bonde turístico ali na frente das estações Julio Prestes e da Luz (este, cogitado em 2002. Há uma foto de parte da calçada em frente à estação Julio Prestes sendo aberto para colocação de trilhos).

O Museu da Casa das Retortas.

O parque no terreno onde um dia foi o Colégio Des Oiseaux.

E muitos, muitos mais. Cada prefeito teve seus delírios.

domingo, 18 de agosto de 2013

LINHAS CRUZADAS

Nesta passagem em nível não passam trens. Foto minha.

Viajei com meus pais por boa parte do Brasil, de carro, nos anos 1960. De Porto Alegre a João Pessoa, de São Caelos a Santos, de São Paulo a Belo Horizonte, sempre passando e/ou parando nas cidades à margem das estradas.

Aliás, naquele tempo, havia muitas cidades onde você literalmente passava dentro delas. As rodovias acabavam na entrada da cidade, você então dirigia pelo centro delas até achar (com pouquíssima colaboração de sinalizações) a outra ponta da estrada para poder seguir viagem. Ou então, a estrada era a avenida principal de cidades que, não por acaso, formaram-se às margens da rodovia e em diversas ocasiões tinham pouquíssimas ruas transversais e, quando as tinham, eram muito curtas. Como diz o americano, "if you blink, you´ll lose it".

Interessante eram as passagens em nível com trilhos de estradas de ferro. Naquela época, praticamente todas as ferrovias funcionavam, precariamente ou não, e cruzavam as estradas muitas vezes sem aviso algum (porém, lembro-me de ter vistos vários, aqueles sinais em "x"). E não era raro vermos trens correndo ao lado da rodovia, ou a ponto de cruzá-las, ou mesmo cruzando-as... máquinas a vapor, diesel...

Não me lembro, porém, dessa época, de nenhuma cena específica. Ou seja, "ah, eu me lembro de na estrada tal ter ouvido e parado o carro para aguardar o cruzamento do trem tal". São apenas lembranças passageiras. Mas os cruzamentos havia, e muitos.

Basta ver os guias da Quatro Rodas que meu pai sempre levava com ele, que mostrava: km tal, saída para... km x, cruzamento em nível com linha férrea... e por aí afora. Eu adorava ficar lendo aquilo, era uma forma de a viagem não ser tão chata. Lembrem-se, não havia i-pads, i-pods ou televisão no carro.

Achei um "Roteiro Rodoviário Fluminense" editado em 1953, no governo do "Contra-Almirante Ernâni do Amral Peixoto", aquele, que era genro do Getulio, que, aliás, ainda estava vivo na época e estava até presidente da República pela enésima vez.

Nesse roteiro, já sexagenário e sem capa, na página 49, é mostrada a RJ-3 e BR-5 (mesma estrada), no trecho Iguá a Casemiro de Abreu. E vai: "começa em Iguá, ao final da RJ-1". Depois de algumas indicações outras, chega ao "km 11,900 - Tanguá - vila. Posto de Gasolina, Aí está localizada uma moderníssima usina de açúcar, o mais importante estabelecimento industrial do município de Itaboraí". Ou seja: usina de açúcar era atração turística.

Depois, em outros trechos: "km 16,900 - à esquerda, estação ferroviária de Rio dos Índios". "Km 26,900 - Cruzamento em nível com a E. F. Leopoldina". Bem depois, "km 94,000 - (de novo) Cruzamento em nível com a E. F. Leopoldina". No km 108,000, "acesso à estação ferroviária Professro Souza, sita a 500 metros". Nos kms 110,300, 112,200 e 118,000, novos cruzamentos com a Leopoldina. A linha deveria ser a linha do Litoral, ou seja, a Niterói-Campos-Vitoria.

Essas indicações de estações ferroviárias e de cruzamentos com ferrovias eram bastante comuns nos roteiros. Se fosse hoje, mesmo cruzando trilhos que geralmente são inativos, nada seria indicado. Uma estação ferroviária, então? Para que? Geralmente não passam de prédios abandonados ou mesmo reformados para servir de "centro cultural" - se dependesse dos centros culturais que se constrói em cada prédio abandonado neste país, o Brasil deveria hoje ser a nação mais culta do mundo.

Às vezes, eram um pouco mais específicos, como, por exemplo, no km 24 da RJ-2 (rodovia Iguá-Itaperuna), onde era citado um "cruzamento em nível com a estrada de ferro particular do núcleo de Papucaia". Papucaia era um núcleo colonial. Ou, então, no km 58,500 da RJ-5 que ligava Tribobó a Macaé, onde indicava um "cruzamento em nível com a estrada de ferro particular da usina". A usina era a Sampaio Correia, a ferrovia mais próxima era a E. F. Maricá . No km 18,600 da rodovia RJ-6 ou BR-5, o cruzamento em nível era com um "ramal de serviço de uma pedreira da E. F. Leopoldina". Era próxima à estação ferroviária de Suruí.

Nas estradas que percorremos nos anos 1960, houve, com certeza, cruzamentos em nível (ou viadutos) com as ferrovias da RFN em Pernambuco, em Alagoas e em Sergipe. Devemos até ter passado próximos ou cruzado com ferrovias da Viação Férrea do Leste Brasileiro na Bahia e com a Central do Brasil em Minas e Rio de Janeiro.

Lembro-me bem de uma passagem de trilhos em nível na entrada de Jaguariaíva, PR, com movimento de trens, também nos anos 1960. Devemos ter cruzado trilhos da E. F. Teresa Cristina no sul de Santa Catarina e com linhas da VFRGS no Rio Grande do Sul. Nada documentado ou fotografado, infelizmente. Seria uma maravilha ter cenas dessa época em fotografias, hoje, que as ferrovias existem, mas estão ou na  seção polcial dos jornais ou na humorística...

Este país virou uma piada.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

AMEAÇA AO VELHO DES OISEAUX

O terreno hoje - Foto Fabio Braga/Folhapress

Ainda não aprendemos e pelo visto estamos longe disso.

Continuam de olho no terreno do Colégio Des Oiseaux, ns ruas Caio Prado e Augusta. Depois de demolirem um belíssimo colégio que existiu de 1907 ao fim dos anos 1960 e manterem o terreno vazio apenas com estacionamentos durante quarenta anos, agora querem pela enésima vez construir edifícios no espaço.

Antes era um grupo japonês que queria fazer um hotel altíssimo de mais de cinquenta andares. Não deu certo e venderam o terreno para o grupo Conde. A Prefeitura parece bastente propensa a liberar a construção para o ano que vem.
O Colégio nos bons tempos.

Como sempre pergunto e escrevo: a cidade de São Paulo precisa de um prédio desses? Já não os têm suficientes? Está cero, o belo colégio já é história há muito tempo, mas impermeabilizar uma área como esta e chamar mais tráfego e movimento para essa área é realmente uma boa coisa?

Ah, dizem, "vamos revigorar a área". Porém, por que se acha que para revigorar áreas deterioradas - caso desse pedaço da cidade - precisa-se recorrer à construção de prédios? Continuo achando que somente dois grupos têm a ganhar com a sua construção: os donos e a prefeitura. Já o restante da população só perde.
As ruínas dp colégio em demolição em 1974 - Foto O Estado de S. Paulo

Espero que não façam mais essa burrice. E, só para citar, foi na capela desse colégio - chamada de "Cônegas de Santo Agostinho" - que eu fiz minha primeira comunhão, em 1960.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

UMA VIAGEM AO TATUAPÉ

Praça Silvio Romero (Google Maps). A rua da direita é a Coelho Lisboa. A decima, a Padre Adelino. A da esquerda, Tuiuti. A de baixo, Serra de Bragança.

Precisei fazer um exame de laboratório. Fui procurar onde o fariam mais rápido e somente um dos laboratórios que consultei, o Digimagem, podia fazê-lo no mesmo dia. Isto aconteceu na semana passada. O problema é que o Digimagem que tinha esse exame estava no Tatuapé.

Certo, Tatuapé está em São Paulo. Meu escritório é em São Paulo. Mas há que se atravessar a cidade para se chegar lá, no meu caso. Na semana passada, peguei o metrô e fui (estação Faria Lima - Sé - Tatuapé). Hoje ficava pronto, e eu não estava a fim de ir de metrô. Para variar, resolvi ir de carro. Até dei sorte, não peguei muito trânsito. Em São Paulo, isto é uma raridade. E serviu para rever velhos caminhos há muito não percorridos.

Quantas vezes eu fui ao Tatuapé em minha vida? Realmente, não muitas. Eu conhecia pouca gente lá. A última vez em que fui de carro, pelo menos, já fazia alguns anos.

Peguei o trajeto, saindo do meu escritório: Faria Lima - Gabriel Monteiro da Silva (a Rebouças estava entupida ali na esquina da Faria Lima) - Rebouças - rua da Consolação - túnel da Praça Roosevelt - elevado Leste-Oeste - avenida Rangel Pestana (achei que a Radial poderia estar muito cheia) - Celso Garcia - avenida Azevedo (esta é a que cruza as linhas da CPTM e do metrô por um viaduto, havia anos e anos que eu não cruzava de carro por ali) - rua Tijuco Preto - rua Coelho Lisboa - Praça Silvio Romero - rua Tuiuti - rua Cantagalo (tive de dar a volta pela rua de cima, pois a Cantagalo era contramão).

Alguns comentários: a Rangel Pestana e a Celso Garcia continuam decadentes. Aliás, desde que eu conheci essas ruas nos anos 1970 elas já eram decadentes. Com poucas exceções - o antigo prédio da Febem, muito bonito, restaurado e com um parque muito bonito em volta - e alguns sobrados em bom ou mau estado com arabescos ao longo das duas avenidas.

A Praça Silvio Romero tem tudo para estar sempre congestionada, principalmente porque a rua Coelho Lisboa muda de mão de direção exatamente na praça, obrigando os veículos a entrarem na Padre Adelino (que é um dos lados da praça) ou a retornarem para a Tuiuti (outro dos lados).

Outra coisa: morar na Zona Leste de São Paulo é bem mais barato. Incrível, o custo de vida lá é mais barato que na "rica" Zona Oeste. Não foi difícil descobrir, tendo de usar estacionamento, comer alguma coisa na lojinha de doces e salgados.

Peguei o exame. Fiz o caminho de volta. Rua Coelho Lisboa - Praça Silvio Romero - rua Padre Adelino e seu (não tão novo) viaduto sobre a avenida Farah Maluf, estaiado, claro, como é moda se fazer hoje, embora mais caros. Segui pela Padre Adelino acompanhando o Cemitério da Quarta Parada até a Tobias Barreto, aí fiz aquela curva que afasta a rua do cemitério, até a avenida Alvaro Ramos (era esta a rua da Quarta Parada, desaparecida há anos e anos) e aí entrei na Alcantara Machado - que é a Radial Leste, sentido centro.

Não havia trânsito. Milagre. Segui por ela até o elevado Leste-Oeste e entrei no acesso para a "Ferradura" sobre a 23 de Maio. Esta estava paradinha, paradinha, no sentido bairro. Então, subi pela rua Jandaia (aquela sobre os arcos) até a Brigadeiro Luiz Antonio. Segui por ela até a rua dos Ingleses. Entrei na rua dos Belgas e aí na Joaquim Eugênio de Lima. Parei para pôr gasolina.

Segui então de novo pela mesma rua até a rua Estados Unidos. Tomei esta e entrei na Maestro Chiafarelli. Cruzei a Brasil e entrei na rua Conselheiro Torres Homem e Espéria, uma continuação da outra. Cruzei a 9 de Julho. Segui pela rua Martinica, aí entrei na rua Cuba, cruzei a Groenlândia, segui pela rua França, entrei na rua Alemanha, cruzei a avenida Europa, depois peguei a rua Áustria (uso este mesmo caminho dentro do Jardim Europa há quarenta anos), depois rua Grécia, entrei na Faria Lima, fiz o contorno pelo canterio central e entrei na rua Iraci, depois Ibiapinópolis e cheguei à Rebouças, aquela parte estreita e arborizada e estacionei o carro. Ali dá para parar, pois tem zona azul.

São Paulo ainda anda, incrível, em plena quarta-feira chuviscante e fria...

sábado, 10 de agosto de 2013

IMAGINE O METRÔ DE SÃO PAULO EM 1810


Já fiz este exercício de imaginação antes em outro artigo deste blog. Um, dois anos atrás, não me lembro bem. Porém, não com a linha 4 do metrô.

Esta é a linha que liga a Vila Sônia com a Luz. Ela ainda não tem todas as estações prontas, sabemos disto. Mesmo assim, neste exercício, vamos considerá-la pronta.

Como seria esta linha se ela tivesse sido aberta há 200 anos atrás? Os nomes seriam, em quase todos os casos, diferentes dos de hoje.

O trem partiria não da Luz, mas da estação do Guaré. Passaria pela estação Curros (a praça da República era o campos dos Curros, lembram-se?), e, depois, a estação seguinte seria não a Higienópolis/Mackenzie (que nem está pronta), mas se chamaria Caminho de Sorocaba. Depois, viria a estação Real Grandeza (o caminho que, dizem, deu origem à avenida Paulista).

Desceria a estrada de Sorocaba, ou de Pinheiros, hoje Rebouças e, em vez de parar na estação Oscar Freire, pararia na estação Bela Veneza, da chácara dos Rosa. Depois, na estação do Rio Verde (Fradique Coutinho), onde cruzaria esse rio, hoje entubado ali, para em seguida parar na estação Iguatemi (na rua Iguatemi, que, muitos anos mais tarde, foi alargada com o nome de Brigadeiro Faria Lima).

Chegaria à estação Aldeia dos Pinheiros, cruzaria o rio e pararia na estação Sítio do Butantan. Dali, pararia na estação Antonico (Morumbi) - nome do córrego que cruza hoje a Francisco Morato ali ao lado do Shopping - e finalmente na estação Estrada de Itapecerica (Vila Sônia).

Deu para viajar no tempo e imaginar?