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terça-feira, 11 de novembro de 2014

FAMÍLIA VENDE TUDO... EM 1892

A casa mais à direita fica no Largo Coração de Jesus, esquina com a al. Barão de Piracicaba. Está em frente à Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na praça que açi existe. Poderia ter sido esta a leiloada? (Foto do autor - 2011)
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O jornal O Estado de S. Paulo publicou na sua edição de 8 de maio de 1892 um leilão, a ser realizado pelo leiloeiro Alexandre Prates, da dois dias depois, conforme o anúncio que começa com "Conforme a amisade e confiança de um distincto cavalheiro que se retirou para os Estados-Unidos, venderá em leilão (...)"

E segue a reportagem abaixo, reproduzida diretamente da edição digital do jornal.



É uma extraordinária descrição de uma casa de família rica, com todos os seus móveis e apetrechos internos (hoje se diz "venda de porteira fechada"). Não era portanto, a forma de se fazer o hoje tradicional "família vende tudo", mas lembra bastante,

Note-se que, como era comum naquela época, ninguém se importa com os banheiros, que, normalmente, ficavam separados da casa, em pequenas construções nos quintais traseiros. Aliás, as casa em frente ao (Liceu) Coração de Jesus são hoje em dia casas belíssimas, em não tão bom estado por fora (por dentro, não sei), ainda do século XIX. Seria uma destas casas a que foi objeto de leilão? Não adianta conferir a numeração, pois eram totalmente diferentes. Além disto, a casa tinha o endereço da rua Barão de Piracicaba, que passa ao lado do Liceu. Seria uma delas de esquina com a praça que fica em frente ou seria outra casa nessa rua, que, dita "em frente" seria realmente "ao lado" do Liceu, construção que ocupa até hoje um quarteirão inteiro?

terça-feira, 4 de maio de 2010

DO ALTO DESTA TORRE CEM ANOS VOS CONTEMPLAM

O local nem é tão alto, mas a amurada é estreita: dá o equivalente a uns 5 andares de um prédio de apartamento. Quem tirou as fotos mesmo foi o Douglas...

Conforme postado por este blog na semana passada, eu e o Douglas Nascimento fomos até a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, tendo subido até o alto de sua torre para tirar fotografias que pudessem ser comparadas com uma que havia sido tomada no início do século passado do mesmo local.

A fotografia foi tirada no sentido da rua Santa Ifigênia. Como a região se degradou durante os últimos sessenta anos, especialmente pela existência de duas estações ferroviárias que deixaram de ser o ponto de partida e chegada das classes mais abastadas da população, assim como da construção de uma estação rodoviária que ajudou bastante o processo embora tenha durado apenas cerca de vinte anos no local (saiu de lá em 1982 e hoje o seu prédio está em processo de demolição), a demolição de casas muito antiga foi estancada a um devido momento, tendo várias delas sido conservadas - se é que esta é a palavra adequada - justamente pelo seu abandono, aliados às hordas de drogados que invadiu a região nos últimos anos tornando o local a "Cracolândia".

No site SÃO PAULO ABANDONADA, o Douglas postou ontem as duas fotografias. Bondade da parte dele, a fotografia original não foi "descoberta" por mim: foi apenas encontrada uma reprodução dela em um guia do Estado de São Paulo editado em 1912, depois de anos sem tê-la visto em outras publicações.

Note-se na fotografia as três casas da frente (lado direito) em primeiro plano, ainda de pé (da primeira delas sobrou apenas a metade direita). A casa verde à esquerda (esquina da alameda Dino Bueno com rua Helvétia), bem como a casa marron-escura a seu lado ainda existem, algo modificadas. Nas fotos, a rua Barão de Piracicaba aparece à direita, sentido alto da foto e a Dino Bueno é a da esquerda. A primeira rua paralela em frente ao largo é a rua Helvetia. Ao fundo, a rua que segue bem no centro, sentido alto da foto, é a rua Santa Ifigênia. Ao lado esquerdo do seu início, uma casa comprida dando frente para o que hoje é a avenida Duque de Caxias ainda sobrevive também e em bom estado, sendo uma loja de sapatos.

A estação da Luz, antes com um andar, hoje tem dois; já a Julio Prestes não existia, nem o prédio do antigo DOPS havia sido construído (foi-o em 1914), para ser a segunda estação da Sorocabana. A primeira estação, a original, pode ser vista com dificuldade, de tão pequena que era.

Enfim, um exercício de achômetro para todos. As fotos podem ser vistas aqui, juntamente com o artigo do Douglas.