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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CRACOLÂNDIA 2: A VERGONHA CONTINUA

O jornal da região mostra o assunto em Samaritá
O mesmo Marcos Nobrega que me enviou as fotografias tristes do túnel do Marapé em Santos, no último sábado, parece que complementou a notícia hoje, mostrando a Cracolândia na parte continental do município vizinho, São Vicente (sim, o primeiro município instalado no Brasil há já 479 anos).

Trata-se da aqui já comentada Samaritá, antes um importante entroncamento da linha que descia de Mairinque para o porto de Santos e da que seguia dali para Juquiá. Com a desativação da linha para o porto, em 2008, sem nenhuma preocupação de se retomar a linha de passageiros que ali existiu até 2000 (o saudoso TIM), o local, outrora estação ferroviária, oficinas, depósito, local de lavagem de vagões e outros quetais da Sorocabana e da FEPASA está virando poeira.
E o jornal, para piorar as coisas um pouquinho, escreve o inaceitável "tá" no lugar de "está"
Como sempre, o que é desativado vira ponto de encontro dos rapazes maus das famílias boas e das meninas boas das famílias más, além de hoje, claro, tráfico de drogas e do crack assassino. E por causa deste, forma-se a famosa cracolândia, terra de ninguém onde vivem vagando como zumbis os desgraçados que se meteram no vício.

É inacreditável e inadmissível que os governos federal, estadual e municipal lavem as mãos deixando esse pessoal vagar por aí sem ajuda alguma, sem cuidar da segurança das pessoas ameaçadas por alguns deles. É incrível que aleguem que a lei não permite que se os leve sem que eles queiram para abrigos ou para tratamento. Como se esse pessoal tivesse capacidade de julgamento para o que quer da vida.

Ora, se a lei não permite, que se mude a lei JÁ. Que se mexam deputados vereadores, juízes, povo interessado, mas se mexam de forma concreta, sem se sujeitar à burocracia imbecilizante que trava tudo neste país.

E em Samaritá, túnel do Marapé, rua Helvétia em São Paulo, interior de Pernambuco (como saiu no jornal O Estado de S. Paulo deste domingo) e trocentos outros lugares espalhados por este país de Deus, quem vive ali, SALVE-SE QUEM PUDER.

terça-feira, 4 de maio de 2010

DO ALTO DESTA TORRE CEM ANOS VOS CONTEMPLAM

O local nem é tão alto, mas a amurada é estreita: dá o equivalente a uns 5 andares de um prédio de apartamento. Quem tirou as fotos mesmo foi o Douglas...

Conforme postado por este blog na semana passada, eu e o Douglas Nascimento fomos até a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, tendo subido até o alto de sua torre para tirar fotografias que pudessem ser comparadas com uma que havia sido tomada no início do século passado do mesmo local.

A fotografia foi tirada no sentido da rua Santa Ifigênia. Como a região se degradou durante os últimos sessenta anos, especialmente pela existência de duas estações ferroviárias que deixaram de ser o ponto de partida e chegada das classes mais abastadas da população, assim como da construção de uma estação rodoviária que ajudou bastante o processo embora tenha durado apenas cerca de vinte anos no local (saiu de lá em 1982 e hoje o seu prédio está em processo de demolição), a demolição de casas muito antiga foi estancada a um devido momento, tendo várias delas sido conservadas - se é que esta é a palavra adequada - justamente pelo seu abandono, aliados às hordas de drogados que invadiu a região nos últimos anos tornando o local a "Cracolândia".

No site SÃO PAULO ABANDONADA, o Douglas postou ontem as duas fotografias. Bondade da parte dele, a fotografia original não foi "descoberta" por mim: foi apenas encontrada uma reprodução dela em um guia do Estado de São Paulo editado em 1912, depois de anos sem tê-la visto em outras publicações.

Note-se na fotografia as três casas da frente (lado direito) em primeiro plano, ainda de pé (da primeira delas sobrou apenas a metade direita). A casa verde à esquerda (esquina da alameda Dino Bueno com rua Helvétia), bem como a casa marron-escura a seu lado ainda existem, algo modificadas. Nas fotos, a rua Barão de Piracicaba aparece à direita, sentido alto da foto e a Dino Bueno é a da esquerda. A primeira rua paralela em frente ao largo é a rua Helvetia. Ao fundo, a rua que segue bem no centro, sentido alto da foto, é a rua Santa Ifigênia. Ao lado esquerdo do seu início, uma casa comprida dando frente para o que hoje é a avenida Duque de Caxias ainda sobrevive também e em bom estado, sendo uma loja de sapatos.

A estação da Luz, antes com um andar, hoje tem dois; já a Julio Prestes não existia, nem o prédio do antigo DOPS havia sido construído (foi-o em 1914), para ser a segunda estação da Sorocabana. A primeira estação, a original, pode ser vista com dificuldade, de tão pequena que era.

Enfim, um exercício de achômetro para todos. As fotos podem ser vistas aqui, juntamente com o artigo do Douglas.