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domingo, 18 de dezembro de 2011

BELAS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DE SÃO PAULO

Estação de Itararé no ano de sua construção - 1912
Nos tempos em que a construção de estações ferroviárias eram feitas com algum critério, houve em todas as empresas uma preocupação de seguir determinados parâmetros para diferenciar as suas construções das de outras categorias de estações e de empresas concorrentes.

Geralmente estações com mesmas tipologias caracterizam um período de construções. Uma das tipologias mais marcantes foi a da Sorocabana, que edificou determinadas estações com uma tipologia característica dos anos 1910. Todas as estações que são mostradas neste artigo - sete, ao todo - foram construídas por volta do ano de 1911.

Não sou arquiteto e portanto não sei descrever o tipo de construção. Mas também não sou cego e posso ver que todas elas tinham determinadas características que as tornaram bastante semelhantes - ou "iguais", para facilitar. Não são iguais, mas são muito parecidas. Um das coisas que varia em todas é o tamanho (comprimento e altura dos torreões). Uma a uma, são as seguintes, lembrando que eventualmente posso ter deixado de relacionar alguma que exista ou tenha existido.
A maior delas é a estação de Itararé (acima), no ponto em que a Sorocabana se juntava com a E. F. São Paulo-Rio Grande, depois Rede de Viação Paraná-Santa Catarina - RVPSC.
Outra, a de Angatuba (acima), também no ramal de Itararé.
A de Bom Jardim (acima), no ramal de Bauru, desativada muito cedo (anos 1940) e hoje já demolida, depois de anos de abandono. Ficava no município de Agudos.
Aqui, a de Luiz Pinto (acima), na linha-tronco da Sorocabana, no município de Ipauçu.
A de Piapara (acima), antiga Alambary e situada no meio do nada, no município de Anhembi e que funcionou até 1952, quando a linha-tronco da Sorocabana naquele trecho foi substituída por uma variante entre Juquiratiba e Botucatu.
A de Vitória (acima), mais tarde Vitoriana, também no mesmo trecho de Piapara e localizada na zona rural de Botucatu.
Finalmente, a de Indaiatuba (acima), no ramal de Piracicaba da Sorocabana.

Notem a semelhança entre as construções e admirem belos prédios - que continuam belos mesmo mal cuidados.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PEQUENAS CIDADES

Fachada da estação ferroviária em Bernardino de Campos.

Para chegar a Bernardino de Campos a partir de Ipaussu, saí por volta de 11 horas e peguei a estrada. A um certo ponto existe a entrada para uma fazenda que visitei em 2004 com minha esposa quando estávamos a caminho de Londrina. É a Fazenda Palmeiras, que tinha ao lado uma bela estação de nome Luiz Pinto e que foi demolida ainda nos anos 1990. Muito interessante o local, mas desta vez não parei ali. Fica o relato para uma outra vez.
Plataforma da estação de Bernardino de Campos. Reparem na pintura.

Cheguei a Bernardino de Campos. A cidade está bem cuidada, mas não exatamente ao longo da linha férrea, exatamente onde nasceu em 1908, a parti da estação que então havia recebido o nome de um presidente do Estado no final do século XIX. As construções não são muito interessantes, mesmo a estação tem um prédio certamente não o original. Este, dizem os registros, foi entregue em 1939 e tem a mesma tipologia arquitetônica da estação de Lençóis Paulista, construída na mesma época.
Com o nome da estação em letras típicas dos anos 1930, bonitas, os desenhos infantis são uma agressão ao edifício da estação. Aliás, eu gostaria de saber quantos habitantes desta cidade sabem quem foi o seu patrono...

Ela fechou nos anos 1990; esteve semi-abandonada, estava bem mal cuidada quando ali estive em 1999, mas agora funciona abrigando órgãos da Prefeitura local. A pintura tem desemnhos infantis: isto tornou o prédio horroroso. Há ainda algumas casas em volta, inclusive o veho armazém. Como nas outras cidades na região da linha da velha Sorocabana, o tráfego de cargueiros é apenas eventual.
"Downtown" Batista Botelho. A vila não é muito mais do que isso.

Saí da cidade, passando então por um vilarejo de nome Batista Botelho, sede de um distrito do município de Óleo. Este foi constituído no final do século XIX, mas jamais se desenvolveu: sua permanência como município já por mais de cem anos é uma verdadeira aberração. Nem Batista cresceu, embora esta sim estivesse junto à linha: a vila não tem mais do que meia dúzia de quarteirões, com algumas casas antigas e de madeira. A Óleo, nunca fui, mas fica longe da linha. A estação de Batista Botelho foi demolida nos anos 1980, sobrando somente a plataforma.
Fachada da bonita estação ferroviária de Cerqueira César.

Continuei a viagem, passei direto pela saída para Piraju, por Manduri, pela saída para São Berto e cheguei a Cerqueira César, a antiga Três Ranchos. Esta estação, depois cidade, foi instalada em 1896 pela Sorocabana e permaneceu como terminal da linha-tronco por dez anos. Isto fez com que seu crescimento fosse grande nesse período, começando a decrescer quando à medida que a linha começou a avançar para os lados de Manduri, Piraju, Ourinhos e dali até o rio Paraná, onde chegou em 1922.
Câmara Municipal de Cerqueira César.

Com isso, Cerqueira César manteve muito de seus prédios mais antigos e não cresceu grande coisa. A estação, por seu estilo, aparenta ser a mesma dos tempos de sua fundação. Dois andares, janelas arqueadas... bonita. Hoje é sede, também, de órgãos da Prefeitura local.
Este pequeno rio - Ribeirão do Lajeado, segundo o mapa do IBGE - acompanhava a linha original da Sorocabana (arrancada por volta de 1960 por causa da abertura de uma variante do outro lado da cidade) por toda a passagem pela cidade. A linha estava à direita.

De lá fui a Avaré, cruzei a cidade e segui pela rodovia que a liga com a rodovia Castelo Branco. A intenção era seguir por uma outra estrada, que a liga com Itatinga e somente ali chegar à Castelo; mas a sinalização omissa de Avaré fez com que eu acabasse mesmo chegando à estrada que eu não queria.

Pela Castelo Branco, um estirão só até minha casa, onde cheguei perto das cinco da tarde. Fim de uma viagem de dois dias pelo interiorzão, nas antigas "terras desconhecidas e povoadas por índios" de cem anos atrás. Era o dia 29 de dezembro da semana passada.