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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

GREVE NA MOGIANA (1920)

Nesse tempo, greves ferroviárias começavam a ser selvagens. Apesar disso, não eram tão comuns quanto o foram a partir do final dos anos 1940.

Os jornais (no caso, a notícia é do O Estado de S. Paulo, edição de 1/4/1920) dedicavam boa parte do seu espaço com detalhes sobre elas. Afinal, a paralisação de uma ferrovia era um enorme entrave para qualquer Estado, freando a economia de toda uma região e impossibilitando cargas de chegarem a seus destinos, bem como milhares de passageiros.

Era assim (abaixo). Vale a pena ler.


sábado, 25 de agosto de 2012

ENTRE 1946 E 2012, POUCO OU NADA AVANÇAMOS

Enquanto o país está em crise, indústrias reduzem a produção, funcionários são demitidos, o desmprego aumenta, as greves de funcionários públicos federais chega já a três meses prejudicando a todos indistintamente, o governo federal simplesmente diz que vai negociar. Isto, após três meses de greve em diversos setores.

Os funcionários da União simplesmente dizem que querem o apoio do povo para sua greve, porém, parando de trabalhar ou fazendo "operações-padrão", brecam todo o processo causando prejuízos e atrados para diversas pessoas que nada têm a ver com isso e, portanto, que não somente deixam de aopiar qualquer movimento grevista, como ainda amaldiçoam a todos os grevistas.

Lá em Brasília, os arrogantes juízes do Supremo Tribunal Federal julgam o tal mensalão sete anos após ele ter ocorrido e, pelo jeito, não punirão ninguém, embora esteja mais do que claro que todos os réus são efetivamente culpados.

Em tudo que é citado acima, vemos uma série de interesses pessoais prevalecendo sobre o que deveria ser o bem maior: o interesse do povo brasileiro. E na esteira de tudo isso vêm as eleições para prefeitos e vereadores de forma desanimadora: boa parte dos candidatos são ridículos e, se não o são, não sabem mostrar que não o são. A propaganda política nas televisões é insuportável e um festival de mentias e amenidades. O que me interessa saber que os candidatos carregam crianças no colo e as beijam, andam de ônibus, comem bananas, vão visitar a própria mãe, isto tudo mostrado com musiquinhas chatérrimas ao fundo?

As promessas são de melhorias para as minorias e nada é falado em termos gerais, ou seja, nos maiores problemas que se arrasstam há anos, como educação, transporte e saúde. Estes itens são os importantes, o resto é apenas algo menor que deve ser feito aos poucos e se der. O grosso mesmo, ninguém pega.

E a situação não muda. Lendo por acaso jornais de 1946, vemos que os problemas do Brasil não se alteram. Nessa época, depois de uma guerra de seis anos que destruiu boa parte da civilização mais rica do planeta, o Brasil ficou assistindo de longe e sofreu várias consequências, como a deterioração dos transportes terrestres e aéreos por façta de peças de reposição e também sofreu com a falta de alimentos, racionados durante o final da guerra e após seu fim.

O ano de 1946 sofreu com falta de pão, farinha de trigo, milho, gêneros alimentícios em geral, combustível, moradias, automóveis... enquanto brasileiros firam mandados para guerrear na frente italiana, tendo diversos deles morrido em combate. Os que voltaram foram festejados como heróis - que foram, afinal - em manifestações de patriotismo, enquanto o contrário acontecia, como visto mais atrás neste artigo. Afinal, faltar gêneros alimentícios básicos em um país que sempre os produziu sem maiores problemas levam à sempre presente questão da ganância de fazendeiros e intermediários, que preferiram vender para o exterior a preços altíssimos em vez de manterem-nos aqui para alimentar a população brasileira.

De 1946 a 2012, o Brasil pouco avançou. A propaganda política para as eleições que ocorreram no início desse ano já mostravam a palhaçada, embora em menor grau, que toma conta dos anúcios de candidatos de hoje, ávidos por votos e sem programa algum. Decisões governamentais eram feitas sem nenhum contexto de "visão periférica", concentrando-se, como sempre, em atacar pequenos problemas como se outros não existissem, como se outros não interferissem ni contexto geral.

Posso escrever linhas e mais linhas aqui, mostrando meu descontentamento com tudo isso. A minha vida inteira - já estou com sessenta anos - esperei que as coisas melhorassem neste país. Isso não aconteceu, apenas o Brasil foi se desenvolvendo superficialmente com a maré que vem de fora, dos países mais desenvolvidos, mas os pontos centrais, estes não progridem. Os políticos são tão ou mais corruptos e despreparados como sempre foram...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ATENÇÃO, BOMBEIROS DO RIO DE JANEIRO

Atenção, bombeiros do Rio de Janeiro que se rebelaram contra os salários baixos: esqueçam, vocês vão continuar com os salários baixos para o resto de suas vidas, a não ser que consigam ser promovidos para um cargo muito superior ao que têm atualmente.

Como eu sei disso? Bom, não é muito difícil. Primeiro, gostaria de salientar que moro em São Paulo e que, portanto, não tenho a menor ideia dos problemas que podem estar tendo no momento. Se acho que seus salários são baixos? Sim, acho. Assim como acho que a enorme maioria dos salários no Brasil é baixo demais. É baixo por diversos motivos.

Vamos a eles? Bom, suponham que o governo resolva aumentar os seus salários até um nível de melhor sobrevivência. Digamos, duplicá-los. Certamente seria muito bom ganhar o dobro que vocês ganham hoje. Provavelmente não vai resolver todos os seus problemas, mas vai ajudar muito. O governo, no entanto, vai entrar numa enorme maré de problemas: todos os funcionários desse governo também vão querer ter os salários duplicados. Tanto os que merecem, pois trabalham e dão duro, quanto os que não merecem, pois existem, como vocês sabem, funcionários fantasmas, funcionários apadrinhados, funcionários que têm salários altos demais e o cargo não aguenta isso, etc.

O governo iria ficar assustado, pois não teria dinheiro para bancar isto. Não teria mesmo? Bom, é difícil de saber, pois certamente não existe nenhum planejamento global, nenhume estudo para se saber se os salários atuais são justos, se são baixos ou altos, se há funcionários demais em certas áreas, ou de menos. Os problemas são sempre resolvidos (ou não) isoladamente e somente quando explode alguma greve... muitas vezes, aliás, elas explodem e nada acontece. Pelo menos para vocês, bombeiros, até onde eu posso saber lendo jornais, vocês só se ferraram até agora. Infelizmente, pois precisamos de vocês e tenho certeza de que muitos de vocês fazem o serviço direitinho.

O buraco é mais embaixo. Não há um estudo global para uma mudança radical de toda a organização do estado do Rio (e de estado nenhum, na verdade) para mudar isso. A maioria dos governadores, secretários e adjuntos são incompetentes ou despreparados para os cargos. Ou ambos. Portanto, duplicar o salário de todo mundo pode quebrar um estado mesmo ele tendo dinheiro. Fora aqueles deputados, vereadores e prefeitos que ganham uma baba para trabalhar no máximo uma vez por semana.

Suponha um pouco mais, porém: um de vocês, ou um parente, uma prima, o seu vizinho, de repente consegue ser eleito para ser... governador. Ele é honesto, sempre foi competente, boa pessoa, boas intenções. Quando chega lá, ele descobre o óbvio: ele não pode duplicar os seus salários, como prometeu. Não há dinheiro para isso e ele sabe que os outros funcionários vão reivindicar a mesma coisa. Não há estudo nenhum e ele não vai ter apoio nenhum para mudar tudo, nem para parar o estado por 6 meses para fazer um estudo destes. Ou por mais tempo. Portanto: não interessa em quem você vota, as coisas não mudarão.

Pessimista o que escrevo? Realista, eu diria. É bom você mudar de emprego. Nesse, você jamais vai ganhar muito, vai sempre ser essa miséria. O certo seria emv ez de fazer greve, todos se demitirem. Onde o governo iria arrumar novos bombeiros de uma vez só? Pois é, ele teria de recontratá-los. E aí, sim, vocês teriam cacife para pedir mais. Talvez o dobro. O dinheiro teria mais chance de aparecer de dentro daquele buraco negro que é o caixa do estado e dos municípios.

Agora, fazer bagunça e dar chance para o governador populista que o Rio tem de falar e fazer tudo que ele diz que vai... mau negócio, não é mesmo? Está na hora dos grevistas pararem para pensar em como gerenciar sua crise. Greves já não dão mais certo, pelo visto. Sim, sou paulista e vivo em São Paulo, mas as coisas por aqui não são muito diferentes nessa área. Pode estourar alguma coisa aqui a qualquer hora também . Simplesmente alguém não teve ainda essa ideia.

Enquanto isso, o jornal daqui publicou hoje uma reportagem dizendo que as taxas de juros no Brasil são as mais altas de mundo, e disparado sobre o Chile, que está em segundo lugar. No Brasil, cerca de 6% ao ano. No Chile, por volta de 1,5%. Abaixo, todos os outros países do mundo. Do décimo-segundo lugar para baixo, as taxas são negativas, ou seja: por ano, a taxa de inflação é mais alta que a taxa de juros.

O que os bombeiros têm a ver com isso? Na verdade, a mesma coisa que os restantes 190 milhões de brasileiros: quanto mais alta a taxa de juros, mais se manda dólares do exterior para cá, para especular com essa taxa indecente e fazer dinheiro fácil. Em contrapartida, por que há excesso de dólares por aqui, o preço dele é baixo; como é baixo, os preços no Brasil são estupidamente mais caros que no resto do mundo. Como consequência, as exportações caem, diminuindo o número de empregos, e as importações sobem, também acabando com empregos por aqui. E por aí vai...

Com isso, o governo ganha um argumento ótimo: não é você que ganha pouco, são os produtos que são muito caros. Portanto: mudem de tática para proteatar. Urgente, pois os nossos governantes são bem espertos e já conhecem todas as táticas para ferrar com o povo. E o povo somos nós.