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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

GOVERNO, BANQUEIROS E ECONOMISTAS

Carl Barks
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No mundo inteiro, quem manda no governo são os banqueiros. Isto está mais do que claro. Quando se quer evitar isto, como se tentou fazer na Revolução Russa de 1917, deu no que deu. Mas não vou ficar aqui comentando a história da União Soviética, que já acabou por que se esgotou em si mesma, mostrando que o comunismo, realmente, não funciona - nem existe - na prática. Vinte e seis anos depois, Cuba também está provando isto. E chegará a vez da Coreia do Norte. Quanto à China, eles apenas falam que são comunistas. O que são mesmo é uma ditadura ferrenha e controladora, que nada tem de comunista, mas faz as coisas como um capitalista disfarçado.

E no Brasil? A mesma coisa? Claro - só que, aqui, eles são mais vorazes. Nem vou tentar dar uma explicação, por que já cheguei à conclusão que essa explicação é um grande mistério.

Basta citar um fato. Não sei se isto somente acontece por aqui e não em outros países, mas chamar de "taxa referencial de juros" o que o Banco Central modifica segundo critérios em que não acredito - isto quando os critérios são publicados e motivos que me parecem absurdos - é realmente confirmar que somos todos uns idiotas.

Ontem ou hoje, não sei, essa taxa chegou a doze por cento ao ano, Ou um pouco mais, não faz difereça. Há alguns meses estava por volta de 6,5 %. Estava praticamente igual à taxa de inflação, o que fazia com que os juros, na verdade, fosse próxima de zero. Usando o mesmo cálculo, a tal taxa está próxima de 6% ao ano.

Até que não é muito alta, certo? Bom, na verdade, está. Nos Estados Unidos, essa taxa está por volta de 1 a 2% ao ano, quando não menos. Lá, você pede um empréstimo a um banco e o que você vai pagar de juros vai também estar nesta faixa.

E é aqui que vem a pior parte. No Brasil, hoje, as taxas de juros para empréstimos, catões de crédito, etc, estão na faixa de 4 a 15% ao mês. Veja bem, ao mês. Ao ano, estão entre 200 e 700%. 

Portanto, alguém me diga: que diferença faz a taxa referencial - que não é realmenre referência de coisa alguma, visto a disparidade absurda com o que acontece no mercado,- para a vida real aqui na terrinha? Que palhaçada é esta? Por que aguentamos isto? Um dos motivos seria cômico se não fosse trágico: nós, brasileiros, não fazemos as contas baseado nos juros, mas sim no que podemos pagar de prestação por mês. Aí, perdeu o emprego ou sua microempresa faliu? Babau, você se ferrou - e feio.

Enquanto isto, os economistas fazem previsões pessimistas e otimistas para o curto, médio e longo prazo todos os dias em discursos nos rádios e na televisão baseadas nisto e num futuro linear. Como se nesta bagunça de país, cheio de gente que faz literalmente o que quer sem ser punido, alguém pudesse prever alguma coisa. E você acredita? Eu acredito?

Se o economista acerta, faz uma baita propaganda dele mesmo e os outros o veneram. Não é, Sr. Delfim Neto - este é somente um exemplo, mas há mutos outros. Como ele quase sempre erra, por que as previsões pessimistas, mais comuns, e otimistas, raras, são na realidade chutes no escuro, a gente se ferra.

E a vida continua. Até quando? E ainda tem gente que quer provar para mim que o PT é ótimo oara o país. São loucos ou mais idiotas ainda. Entretanto, existe algum que seja bem?

Não vou propor soluções para o caso, pois ninguém vai gostar: elas não são politicamente corretas. E eu também estaria sendo mais um chutador.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ATENÇÃO, BOMBEIROS DO RIO DE JANEIRO

Atenção, bombeiros do Rio de Janeiro que se rebelaram contra os salários baixos: esqueçam, vocês vão continuar com os salários baixos para o resto de suas vidas, a não ser que consigam ser promovidos para um cargo muito superior ao que têm atualmente.

Como eu sei disso? Bom, não é muito difícil. Primeiro, gostaria de salientar que moro em São Paulo e que, portanto, não tenho a menor ideia dos problemas que podem estar tendo no momento. Se acho que seus salários são baixos? Sim, acho. Assim como acho que a enorme maioria dos salários no Brasil é baixo demais. É baixo por diversos motivos.

Vamos a eles? Bom, suponham que o governo resolva aumentar os seus salários até um nível de melhor sobrevivência. Digamos, duplicá-los. Certamente seria muito bom ganhar o dobro que vocês ganham hoje. Provavelmente não vai resolver todos os seus problemas, mas vai ajudar muito. O governo, no entanto, vai entrar numa enorme maré de problemas: todos os funcionários desse governo também vão querer ter os salários duplicados. Tanto os que merecem, pois trabalham e dão duro, quanto os que não merecem, pois existem, como vocês sabem, funcionários fantasmas, funcionários apadrinhados, funcionários que têm salários altos demais e o cargo não aguenta isso, etc.

O governo iria ficar assustado, pois não teria dinheiro para bancar isto. Não teria mesmo? Bom, é difícil de saber, pois certamente não existe nenhum planejamento global, nenhume estudo para se saber se os salários atuais são justos, se são baixos ou altos, se há funcionários demais em certas áreas, ou de menos. Os problemas são sempre resolvidos (ou não) isoladamente e somente quando explode alguma greve... muitas vezes, aliás, elas explodem e nada acontece. Pelo menos para vocês, bombeiros, até onde eu posso saber lendo jornais, vocês só se ferraram até agora. Infelizmente, pois precisamos de vocês e tenho certeza de que muitos de vocês fazem o serviço direitinho.

O buraco é mais embaixo. Não há um estudo global para uma mudança radical de toda a organização do estado do Rio (e de estado nenhum, na verdade) para mudar isso. A maioria dos governadores, secretários e adjuntos são incompetentes ou despreparados para os cargos. Ou ambos. Portanto, duplicar o salário de todo mundo pode quebrar um estado mesmo ele tendo dinheiro. Fora aqueles deputados, vereadores e prefeitos que ganham uma baba para trabalhar no máximo uma vez por semana.

Suponha um pouco mais, porém: um de vocês, ou um parente, uma prima, o seu vizinho, de repente consegue ser eleito para ser... governador. Ele é honesto, sempre foi competente, boa pessoa, boas intenções. Quando chega lá, ele descobre o óbvio: ele não pode duplicar os seus salários, como prometeu. Não há dinheiro para isso e ele sabe que os outros funcionários vão reivindicar a mesma coisa. Não há estudo nenhum e ele não vai ter apoio nenhum para mudar tudo, nem para parar o estado por 6 meses para fazer um estudo destes. Ou por mais tempo. Portanto: não interessa em quem você vota, as coisas não mudarão.

Pessimista o que escrevo? Realista, eu diria. É bom você mudar de emprego. Nesse, você jamais vai ganhar muito, vai sempre ser essa miséria. O certo seria emv ez de fazer greve, todos se demitirem. Onde o governo iria arrumar novos bombeiros de uma vez só? Pois é, ele teria de recontratá-los. E aí, sim, vocês teriam cacife para pedir mais. Talvez o dobro. O dinheiro teria mais chance de aparecer de dentro daquele buraco negro que é o caixa do estado e dos municípios.

Agora, fazer bagunça e dar chance para o governador populista que o Rio tem de falar e fazer tudo que ele diz que vai... mau negócio, não é mesmo? Está na hora dos grevistas pararem para pensar em como gerenciar sua crise. Greves já não dão mais certo, pelo visto. Sim, sou paulista e vivo em São Paulo, mas as coisas por aqui não são muito diferentes nessa área. Pode estourar alguma coisa aqui a qualquer hora também . Simplesmente alguém não teve ainda essa ideia.

Enquanto isso, o jornal daqui publicou hoje uma reportagem dizendo que as taxas de juros no Brasil são as mais altas de mundo, e disparado sobre o Chile, que está em segundo lugar. No Brasil, cerca de 6% ao ano. No Chile, por volta de 1,5%. Abaixo, todos os outros países do mundo. Do décimo-segundo lugar para baixo, as taxas são negativas, ou seja: por ano, a taxa de inflação é mais alta que a taxa de juros.

O que os bombeiros têm a ver com isso? Na verdade, a mesma coisa que os restantes 190 milhões de brasileiros: quanto mais alta a taxa de juros, mais se manda dólares do exterior para cá, para especular com essa taxa indecente e fazer dinheiro fácil. Em contrapartida, por que há excesso de dólares por aqui, o preço dele é baixo; como é baixo, os preços no Brasil são estupidamente mais caros que no resto do mundo. Como consequência, as exportações caem, diminuindo o número de empregos, e as importações sobem, também acabando com empregos por aqui. E por aí vai...

Com isso, o governo ganha um argumento ótimo: não é você que ganha pouco, são os produtos que são muito caros. Portanto: mudem de tática para proteatar. Urgente, pois os nossos governantes são bem espertos e já conhecem todas as táticas para ferrar com o povo. E o povo somos nós.

terça-feira, 29 de junho de 2010

LOBOS ESFAIMADOS


É incrível. Faz pelo menos quarenta anos que eu presto atenção, em algumas épocas com maior intensidade, em outras com menor, às notícias econômicas do Brasil. Desde a época do Delfim Netto, para ser mais exato. Hoje (ou terá sido ontem?) a pérola foi do ministro Mantega, que diz que crescimento maior que 5,5 por cento ao ano é prejudicial ao País.

Não sou economista, longe disso. Portanto, realmente, não posso analisar os cálculos que o Ministério da Fazenda, as empresas, os bancos, o Banco Central e outros fazem. Mas — pô! — está na cara que tudo que parece bom causa inflação ou prejuízos ao país. Como aquele ditado que diz que "tudo que é bom faz mal à saúde ou engorda".

Durante todos esses quarenta anos, descobri pelas declarações de nossos ministros, Presidentes e políticos em geral que tudo causa inflação: crescimento, depressão, correção monetária, aumentar salário, crescer pouco, crescer muito, muita produção, pouca produção, aumentar tarifas, abaixar tarifas, aumentar juros, abaixar juros etc. etc. etc.

Será que esses caras realmente entendem do riscado? Ou entendem tanto quanto eu, um químico, pequeno empresário, pesquisador histórico e, às vezes, escritor? São todos banqueiros ou relacionados com bancos. Durante todos esses anos, os bancos brasileiros fizeram lucros altíssimos — para não dizer vergonhosos. A inflação comendo solta, a índices estratosféricos, ou a 4 por cento ao ano, e os bancos com lucros escandalosos. Claro, sempre dando aumentos de salários baixíssimos em relação à inflação e demitindo funcionários a torto e a direito, especialmente quando se deram as diversas fusões entre eles que já acompanhamos há anos.

Será que os ministros e políticos trabalham para os bancos e não para o povo? Será que os bancos dão aumentos baixíssimos para seus funcionários porque estariam preocupados com o aumento da inflação? A primeira parece provável. A segunda, bastante improvável. Mas os políticos negarão a primeira pergunta e os banqueiros responderão afirmativamente à segunda.

Minha experiência de vida mostra que ambos mentem. Agora, não podemos crescer como a China porque a infraestrutura não dará conta. Pode até ser — mas, então, vamos crescer quando? Quando será que os juros vão baixar, se há 40 anos eles não baixam a níveis internacionais? Sempre a resposta é "na hora que for aconselhável fazer isso". Quando será aconselhável? Daqui a cem anos? Será que o país existirá daqui a cem anos? Por que somente o Brasil tem juros vergonhosos, tanto quanto os lucros bancários? Será somente coincidência?

Para quem perguntar e pensar isso lendo o que escrevi, digo: não, não sou comunista nem sou fã de partidos de esquerda. Aliás, não sou fã de partido algum — mesmo porque partidos, pelo menos pela definição da palavra nos dicionários, não existem no Brasil.