Trem da Cantareira em Guarulhos - 1954. Autor desconhecido
Os mais velhos em São Paulo ouviam falar da Cantareira. Especificamente, do Tramway da Cantareira, nascido nos anos 1890 para transportar material para a construção da Represa da Cantareira, no norte do município paulistano. A empresa acabou cedendo trens de passageiros em finais de semana para transporte de paulistanos para fazerem piqueniques no novo parque.
Com isso, o sucesso foi grande e a Cantareira passou depois de pouco tempo a ser um trem de subúrbios. Ganhou até um ramal, em 1917, para Guarulhos. Inicialmente, ligava a estação de Tamanduateí, no atual Parque Dom Pedro II, à estação da Cantareira em bitola de 60 cm e depois també, a Guarulhos. A bifurcação se dava no meio da atual avenida Cruzeiro do Sul, na estação do Areal, que ficava próxima à saída da estrada do Carandiru, hoje avenida General Ataliba Leonel.
O tempo passou e no início dos anos 1940 a empresa acabou incorporada à Sorocabana, mesmo sem ter ligação ferroviária com esta ferrovia - aliás, com ferrovia alguma.
No início, a ferrovia percorria praticamente apenas uma grande zona campestre. Aos poucos, a vizinhança foi crescendo e criando diversos bairros, originários de loteamentos.
Acontece que a esperada melhoria dos serviços com a adoção pela Sorocabana não trouxe a melhoria que a população desejava. É verdade que em 1947 o ramal de Guarulhos ganhou bitola métrica desde a estação inicial - que, embora mantendo o nom e original, havia saído do Parque Dom Pedro II e se instalando num pátio na rua João Teodoro, muito próximo ao pátio do Pari, este da São Paulo Railway.
O trecho Areal-Cantareira somente ganhou bitola métrica em maio de 1958. Porém, os serviços continuavam muito ruins. Uma descrição de o que era a Cantareira foi dada pelo jornal Folha da Manhã, em agosto de 1958. Como sempre, há que se tomar cuidado com os dados - repórteres não são conhecedores de ferrovias e escrevem muitas vezes bobagens à bessa. Porém, eu não fui conferir estes dados em outras fontes, mesmo porque não é tão fácil assim.
Não havia nenhuma dúvida que os serviços eram ruins nessa época. Se de um lado o governo do Estado, dono da linha, afirmava para os meios de comunicação que a eletrificação estava próxima, de outro ele nada fazia para melhorar a situação. Era como se ele estivesse "fritando" a ferrovia, coisa que fez muitas vezes, com a FEPASA, nas décadas seguintes.
Na época da inauguração da bitola métrica na linha da Cantareira, em maio de 1958, foi anunciado pelos diretores da Sorocabana que a linha ganharia seis locomotivas diesel e que esse número dev eria rapidamente chegar a vinte e seis. Porém, a reportagem constatou em agosto que havia apenas quatro delas em tráfego. Enquanto isso, no ramal de Guarulhos, com bitola métrica havia muito mais tempo, somente trafegavam velhas locomotivas a vapor, funcionando com óleo combustível e com madeira - neste caso, eram duas locomotivas que apenas faziam manobras nos pátios.
Os carros de passageiros eram apelidados de "liquidificadores". Seriam (todos?) vagões da antiga bitola métrica da E. F. Araraquara que foram vendidos à Cantareira quando da adoção da bitola larga pela ferrovia do interior. Estes vagões foram modificados e convertidos em carros de passageiros para 40 pessoas sentadas. Havia ainda carros de madeira que haviam sido da Central do Brasil e que agora trafegavam com goteiras e nenhum conforto. Havia carros da "série 700" que não tinham iluminação, permanecendo às escuras nas viagens noturnas.
Havia carros melhores, produzidos nas oficinas da própria Sorocabana, metálicos, mas que eram pesados demais para serem puxados pelas locomotivas a vapor. Só eram usados com as diesel, que conseguia puxá-los.
Pois é, estes são alguns detalhes sobre a velha Cantareira seis anos antes de sua morte. Era previsível. Em parte do seu percurso, do início até a estação de Santana, ela foi substituída pelo metrô. Parte do velho ramal de Guarulhos também recebeu, na região do Jardim São Paulo e em Tucuruvi, metrô. Até a estação Parada Inglesa manteve seu nome de Cantareira, embora seja completamente diferente na aparência e também no local.
Mas seria interessante ver o que seria hoje a Cantareira se houvessem mantido os velhos percursos substitundo-os por linhas com as da CPTM e mantendo as velhas estações restauradas.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
AS CALÇADAS DA PREFEITURA PAULISTANA
Enquanto a prefeitura de São Paulo alardeia que já distribuiu "n" multas por calçadas malcuidadas na cidade e eu (que ando bastante a pé) não vejo nenhuma melhora significativa nos trechos por onde ando (que é a zona oeste, teoricamente a região mais rica da cidade), surgem os casos como o que se apresenta bem ali, ao lado do escritório onde trabalho, no Jardim Paulistano - tecnicamente, a Eusébio Matoso é uma avenida que separa este bairro do de Pinheiros.
Sempre atravesso essa avenida, e mais ainda, especificamente a pista dessa avenida que dá acesso para entrar à direita na avenida Brigadeiro Faria Lima, para quem vem da Marginal Pinheiros.
Entre essa pista e a segunda pista, somente para os ônibus que cruzam a Faria Lima também vindos da Marginal, existe uma calçada em forma de triângulo, que é mostrada na foto do Google Maps colocada bem aqui acima.
Olhando mais de perto e fotografando com uma câmara, vemos o que está na fotografia lá no topo deste artigo: calçada quebrada e lixo à vontade, especialmente mato e bitucas de cigarro (Mensagem do Ministério da Saúde: o cigarro pode causar morte por câncer do pulmão!).
Quem deve cuidar desta calçada? A prefeitura, visto que não há propriedade alguma junto a este pequeno pedaço de calçamento. Por que ela não dá o exemplo e conserta? Isto está assim desde o final do ano passado. Nõs podemos multar a prefeitura?
Para terminar, vejam as pequenas manchas pretas que existem nesta outra foto aqui acima, tirada no mesmo local por mim. Há várias, a mais visível é uma que está na primeira faixa branca além da calçada. Sabem o que é isto? A calçada branca da avenida (pelo menos naquele ponto) está cheia delas, bem visíveis. São chicletes pisados - que acabam ficando assim depois de pouco tempo, pisados ao máximo e exepostos ao ar. Ô povo sujo que somos. Não me incluo nisso: tenho muitos defeitos, mas não jogo lixo na rua nem a pau.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
QUANDO FOI MESMO QUE RODOU O PRIMEIRO TREM PARA BRASÍLIA?
Pois é, se você é do ramo (o ramo que gosta de ferrovias brasileiras), deve responder que foi em 1968. Mas, de acordo com a imprensa, não foi. Foi dez anos antes, em 1958.
Uma composição da Rede Mineira de Viação partiu da estação de Alfredo Maia (no Rio de Janeiro) no início da madrugada de um domingo (0h30), 20 de julho de 1958 e, percorrendo por bitola métrica todo o trecho, via linha Auxiliar até a estação de Governador Portela, onde passou para o ramal de Santa Rita de Jacutinga, chegou a esta cidade que dava o nome ao ramal. Dali seguiu pela Linha da Barra (da Rede Mineira, os velhinhos vão se lembrar) até a estação de Rutilo, de onde passou para a linha-tronco da RMV até Goiandira, em Goiás, e dali até Anápolis, onde chegou na noita da terça-feira, dia 22 de julho.
Bom, daqui para a frente, não havia mais linha. Porém, a composição foi recebida com festas pelos presentes na estação da cidade e seus integrantes, uma comitiva chefiada plor um tal Coronel Gaspar Peixoto da Costa, então chefe da quarta seção da EMFA, seguiram por estrada (asfaltada, já) até Brasília. Lá ficaram durante todo o dia seguinte, voltando a Anápolis à noite para iniciar a viagem de volta logo em seguida: a noite de quinta-feira, dia 24.
Queiram ou não, esse fato foi noticiado pelos jornais (no caso, a reportagem que li foi da Folha da Manhã, publicada no dia 26 de julho) com a manchete do tipo da que aparece no alto deste artigo.
Até aí, tudo foi festa. A chegada do trem foi até com folga, pois chegara a Anápolis com seis horas a menos do que o previsto, depois de 1.524 quilômetros de percurso.
A volta, no entanto, teve problemas. Deu "enguiço" no chamado "Trem Brasília". Isso se deu na estação de Imbuzeiro (para quem não sabe, a penúltima estação da linha da Barra, uma antes de Santa Rita do Jacutinga, sentido Rio), quando "a máquina apresentou avarias", tendo, no entanto, conseguido puxar o trem até Santa Rita. (Aliás, que máquina? Vapor? Diesel? A reportagem nada fala sobre isso).
Aí a máquina foi substituída por outras duas e isso já estava com oito horas de atraso quando chegou a Valença, onde outra vez trocaram de máquina. E, horror dos horrores: trocaram as locomotivas mais duas vezes, uma em Governador Portela e outra em Japeri. O trem Brasília acabou chegando a Alfredo Maia às 19h10 de sábado, dia 26, quando deveria ter chegado no mesmo dia às 9 da manhã. É o que conta a segunda reportagem publicada na Folha no dia 30 de julho, com o título que está logo acima deste parágrafo.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
CONCESSIONÁRIAS NO BRASIL SERVEM PARA ACABAR COM AS FERROVIAS
A página que é mostrada a seguir foi colocada no Facebook, hoje, pelo Paulo Thiengo, morador de Cachoeiro do Itapemirim.
Lá no Estado do Espírito Santo, todos - ou pelo menos os que têm algum envolvimento na área ferroviária - estão revoltados com a decisão da ANTF de desativar e desmontar a ferrovia, o trecho da antiga "Linha do Litoral" que ficava em reduto capixaba.
A reportagem pode ser lida com alguma boa vontade, pois infelizmente as letras saem pequenas nesta reprodução. Para quem não conhece, a linha costeia - mas de longe - o litoral do Estado desde Vitória até a divisa com o Rio de Janeiro.
A parte entre Vitória e Cachoeiro do Itapemirim é a mais montanhosa, com paisagens lindas. Tanto assim que parte dela é usada por um trem turístico que corre durante os fins de semana já há cerca de dois anos.
Concordo que a linha, construída no início do século XX, foi feita com tecnologia já obsoleta: apesar da quantidade de viadutos e túneis no trecho, se fosse hoje, teria sido construída de forma a permitir maior velocidade das composições.
Porém, mantê-la com um trem regional de passageiros e linha regular (quer dizer, diário) seria algo muito, mas muito útil, mesmo. Por que nossos governantes jamais pensam nisto? Morrem de medod as empresas de ônibus? É isso?
Enfim, não sei se será possível, mas já se tenta de todas as formas impedir a catástrofe que seria a retirada dos trilhos dessa linha histórica e que somente não é útil porque o governo e as concessionárias não querem que ela seja.
Lá no Estado do Espírito Santo, todos - ou pelo menos os que têm algum envolvimento na área ferroviária - estão revoltados com a decisão da ANTF de desativar e desmontar a ferrovia, o trecho da antiga "Linha do Litoral" que ficava em reduto capixaba.
A reportagem pode ser lida com alguma boa vontade, pois infelizmente as letras saem pequenas nesta reprodução. Para quem não conhece, a linha costeia - mas de longe - o litoral do Estado desde Vitória até a divisa com o Rio de Janeiro.
A parte entre Vitória e Cachoeiro do Itapemirim é a mais montanhosa, com paisagens lindas. Tanto assim que parte dela é usada por um trem turístico que corre durante os fins de semana já há cerca de dois anos.
Concordo que a linha, construída no início do século XX, foi feita com tecnologia já obsoleta: apesar da quantidade de viadutos e túneis no trecho, se fosse hoje, teria sido construída de forma a permitir maior velocidade das composições.
Porém, mantê-la com um trem regional de passageiros e linha regular (quer dizer, diário) seria algo muito, mas muito útil, mesmo. Por que nossos governantes jamais pensam nisto? Morrem de medod as empresas de ônibus? É isso?
Enfim, não sei se será possível, mas já se tenta de todas as formas impedir a catástrofe que seria a retirada dos trilhos dessa linha histórica e que somente não é útil porque o governo e as concessionárias não querem que ela seja.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
OS TRENS VÊM AÍ? OUTRA VEZ?
Foto: José de Vasconcellos
Muitos brasileiros reclamam há anos, mas os trens de passageiros acabaram e não voltaram nem a paulada.
Ah, mas tem o Carajás, o Vitória-Minas, tem o da E. F. Amapá... curiosamente, dois dos três trens regulares do país estão em áreas mais pobres e pouco habitadas. Até o Vitória-Minas passa por uma área que nem de longe é uma das áreas mais ricas do país... aquela região de Minas e a do Espírito Santo por onde ele passa não é um poço de riqueza. Justamente - o vale do rio Doce.
Será que se esses três trens acabassem, as pessoas reclamariam? Creio que no Amapá e no Pará/Maranhão, sim - sabe-se que o trem preenche uma lacuna muito grande no péssimo sistema de transporte rodoviário por aquelas bandas. Já o Vitória-Minas tem alternativas. Mas ficou tão tradicional, resistiu bravamente à febre do fechamento das linhas de passageiros na segunda metade do século passado e agora, para tirá-lo, seria muito difícil. Seus usuários são fiéis e realmente precisam dele.
Mas a afirmação que fiz lá em cima, de que "muitos brasileiros reclamam"... é correta? No meio em que me comunico, com duas centenas, talvez três, de amigos e conhecidos, muitos de facebook, todos querem os trens de passageiros de volta. Mas e quanto aos outros 189.999.700 brasileiros, o que acham de fato?
Muitos deles, mas muitos mesmo, jamais viram um trem de passageiros, quanto mais, andaram neles. As pessoas que lamentam o fim dos trens são os que nele viajavam. Já são gente idosa. Ainda se lembram do trem como ele era e, se um dia eles voltarem, não será daquela forma. Ah. mas tem trem turístico... ora, trens turísticos são brinquedinhos apenas. Muito bonitos e bem cuidados quando de organizações particulares, como por exemplo a ABPF, acaban se tornando um mar de incertezas e de dinheiro jogado fora quando tocados por prefeituras.
O certo mesmo seria ter mantido os trens antigos e ir substituindo-os aos poucos... como o governo paulista fez com a CPTM. Já falei disso mais de uma vez aqui. Mas isso não aconteceu, apenas poderia... sim, deveria... ter acontecido.
Agora, cada vez mais se ouve falar de linhas de passageiros ligando aqui a ali, etc. A última foi a São Paulo a Sorocaba, mas qual será o custo de uma linha nova entre essas duas cidades? Quem deverá bancar isto? O governo? A iniciativa privada? Dizem que esse trem teria duas paradas, além da inicial e a da final... São Roque e Brigadeiro Tobias. Esta última tem uma estação abandonada há anos. O bairro é quase rural e pequeno. Justifica? A estação terá de ser posta em outro local, como a de São Roque, que, aliás, tem duas - uma com trilhos e outra sem, a mais antiga. E Mairinque? Vai ficar sem? E Alumínio, para os trabalhadores da CBA?
No fim, ouve-se falar das coisas sem maiores detalhes, numa desconfiança onde somente falam, sem detalhes mesmo, por que, no fim, todos sabem que é só fogo de palha... quem entra nos detalhes é só quem acompanha o que sucede nesse mundo, como as três centenas de que falei.
Hoje há notícias de ligações privadas com novas linhas entreAmericana a Santos e Taubaté a Sorocaba. Quem acredita? Serão coisa séria? Ou algo jogado apenas para firmas de projetos ganharem dinheiro? Ou para visionários se divertirem?
Não se enganem, sou totalmente a favor de todas essas linhas de que falam (como sabemos, há muitas outras mais por aí, na "nuvem"... Londrina a Maringá, São Paulo a Santos, a Campinas, a São José dos Campos... Goiânia a Brasília, Pelotas a Rio Grande, VLTs por várias cidades, alguns até em construção ou testes... vide Santos, Maceió...).
Será, no entanto, que daqui a dez anos alguma dessas linhas estará pronta e funcionando? Num país cheio de falcatruas e roubalheiras, como podemos acreditar em qualquer coisa dessas? Só mesmo depois de feitas! E o pior, depois de feitas, como ocorreu com toda a remodelação da CPTM em São Paulo, louvável e que aconteceu nos últimos quinze anos, abriu-se agora uma caixa de Pandora com um enorme conteúdo de detalhes sórdidos.
Será que estamos condenados a somente conseguir as coisa que queremos de governos que só sabem agir debaixo do cobertor da corrupção?
Muitos brasileiros reclamam há anos, mas os trens de passageiros acabaram e não voltaram nem a paulada.
Ah, mas tem o Carajás, o Vitória-Minas, tem o da E. F. Amapá... curiosamente, dois dos três trens regulares do país estão em áreas mais pobres e pouco habitadas. Até o Vitória-Minas passa por uma área que nem de longe é uma das áreas mais ricas do país... aquela região de Minas e a do Espírito Santo por onde ele passa não é um poço de riqueza. Justamente - o vale do rio Doce.
Será que se esses três trens acabassem, as pessoas reclamariam? Creio que no Amapá e no Pará/Maranhão, sim - sabe-se que o trem preenche uma lacuna muito grande no péssimo sistema de transporte rodoviário por aquelas bandas. Já o Vitória-Minas tem alternativas. Mas ficou tão tradicional, resistiu bravamente à febre do fechamento das linhas de passageiros na segunda metade do século passado e agora, para tirá-lo, seria muito difícil. Seus usuários são fiéis e realmente precisam dele.
Mas a afirmação que fiz lá em cima, de que "muitos brasileiros reclamam"... é correta? No meio em que me comunico, com duas centenas, talvez três, de amigos e conhecidos, muitos de facebook, todos querem os trens de passageiros de volta. Mas e quanto aos outros 189.999.700 brasileiros, o que acham de fato?
Muitos deles, mas muitos mesmo, jamais viram um trem de passageiros, quanto mais, andaram neles. As pessoas que lamentam o fim dos trens são os que nele viajavam. Já são gente idosa. Ainda se lembram do trem como ele era e, se um dia eles voltarem, não será daquela forma. Ah. mas tem trem turístico... ora, trens turísticos são brinquedinhos apenas. Muito bonitos e bem cuidados quando de organizações particulares, como por exemplo a ABPF, acaban se tornando um mar de incertezas e de dinheiro jogado fora quando tocados por prefeituras.
O certo mesmo seria ter mantido os trens antigos e ir substituindo-os aos poucos... como o governo paulista fez com a CPTM. Já falei disso mais de uma vez aqui. Mas isso não aconteceu, apenas poderia... sim, deveria... ter acontecido.
Agora, cada vez mais se ouve falar de linhas de passageiros ligando aqui a ali, etc. A última foi a São Paulo a Sorocaba, mas qual será o custo de uma linha nova entre essas duas cidades? Quem deverá bancar isto? O governo? A iniciativa privada? Dizem que esse trem teria duas paradas, além da inicial e a da final... São Roque e Brigadeiro Tobias. Esta última tem uma estação abandonada há anos. O bairro é quase rural e pequeno. Justifica? A estação terá de ser posta em outro local, como a de São Roque, que, aliás, tem duas - uma com trilhos e outra sem, a mais antiga. E Mairinque? Vai ficar sem? E Alumínio, para os trabalhadores da CBA?
No fim, ouve-se falar das coisas sem maiores detalhes, numa desconfiança onde somente falam, sem detalhes mesmo, por que, no fim, todos sabem que é só fogo de palha... quem entra nos detalhes é só quem acompanha o que sucede nesse mundo, como as três centenas de que falei.
Hoje há notícias de ligações privadas com novas linhas entreAmericana a Santos e Taubaté a Sorocaba. Quem acredita? Serão coisa séria? Ou algo jogado apenas para firmas de projetos ganharem dinheiro? Ou para visionários se divertirem?
Não se enganem, sou totalmente a favor de todas essas linhas de que falam (como sabemos, há muitas outras mais por aí, na "nuvem"... Londrina a Maringá, São Paulo a Santos, a Campinas, a São José dos Campos... Goiânia a Brasília, Pelotas a Rio Grande, VLTs por várias cidades, alguns até em construção ou testes... vide Santos, Maceió...).
Será, no entanto, que daqui a dez anos alguma dessas linhas estará pronta e funcionando? Num país cheio de falcatruas e roubalheiras, como podemos acreditar em qualquer coisa dessas? Só mesmo depois de feitas! E o pior, depois de feitas, como ocorreu com toda a remodelação da CPTM em São Paulo, louvável e que aconteceu nos últimos quinze anos, abriu-se agora uma caixa de Pandora com um enorme conteúdo de detalhes sórdidos.
Será que estamos condenados a somente conseguir as coisa que queremos de governos que só sabem agir debaixo do cobertor da corrupção?
domingo, 4 de agosto de 2013
AS CIDADES NÃO AGUENTAM MAIS
O conjunto de edifícios em Barueri do qual falo abaixo. 21 prédios, 12 andares cada, 6 apartamentos por andar.
Estive em Curitiba mais uma vez, há cerca de duas semanas. Tenho ido a ela cerca de uma vez por ano durante os últimos cinco anos. Porém, é sabido que estive lá morando por seis meses em 2002, a trabalho. Aprendi a gostar da cidade, e muito.
Desta vez, porém, achei que a cidade mudou demais desde 2002. Vi os enormes edifícios que se construíram e estão sendo construídos no Batel e outros bairros próximos ao centro da cidade. E isto é mau. Os prédios estão formando já verdadeiras barreiras na avenida Sete de Setembro. Enormes, formadores de enormes sombras e tapadores de paisagens. Uma lástima.
Vi o Shopping Estação, construído há treze anos no pátio da estação velha de Curitiba, desativada em 1972. Além do crescimento que não para deste shopping, para cima e para os lados, hoje ele praticamente engoliu a velha estação, que ainda serve de fachada em parte da Sete de Setembro. Do lado da plataforma, no entanto, eu, que a conheci ainda ao ar livre com o shopping ao lado e tendo algumas lojas em algumas salas da antiga estação, hoje vejo a mesma plataforma coberta com tetos altos do shopping expandido e abarrotada de restaurantes. A entrada do pequeno museu, que é a antiga entrada do hall da bilheteria, quase passa despercebida dos nossos olhos.
A um quarteirão dali, abaixo da rua João Negrão, aquela do pontilhão, um prédio monstruoso está em fase final numa esquina, creio que da rua Conselheiro Laurindo com a avenida Sete. É daquele tipo que de tão grande parece que vai despencar sobre a avenida. Enfim: nada que vi de novo em Curitiba me agradou desta vez. Aquela cidade de crescimento controlado e organizado dos anos 1970-80 já não existe mais.
Logo em seguida, de volta para casa, fui ao outro lado do rio Tietê em Barueri, às margens do rio, numa avenida recentemente urbanizada (a marginal de lá) e da qual saem ruas para os bairros mais altos, portanto, constantemente em rampas. Aquele condomínio de trocentos prédios (para quem conhece) existente numa dessas ruas, mas que quase encosta na Marginal, não tem lugar para tanto automóvel. Uma vaga por apartamento (quem não não tem dois carros hoje em dia, mesmo para apartamentos pequenos como são aqueles?) somente. Evidentemente, o segundo carro vai ficar na rua. E os que visitam os amigos que lá moram nos finais de semana, param também na rua. Só que a rua que sobe (rua Marte) não tem vagas para tudo isso, Acabam parando na Marginal. Pare e ande... muito. E suba a rampa para chegar na portaria do condomíniol, claro. E ela é estreita, tem duas mãos e por ali passam caminhões. Como fazer?
Como foi que o prefeito de Barueri autorizou um empreendimento desses sem pensar pelo menos nesses problemas? O pior é que isso não sucede somente em Barueri, onde os exemplos de construções no "nobre" Alphaville causam um trânsito de proporções desesperadoras durante quase todo o dia. Onde esse pessoal tem a cabeça? Evidentemente, na carteira, aquela que fica no bolso.
E, finalmente, São Paulo, minha terra, lugar onde trabalho até hoje. Na mesma semana demoliram mais uma casa na avenida Paulista. A casa deveria ter sido tombada pela sua arquitetura? Não, realmente, pois era uma casa grande, mas sem graça, arquitetura anos 1950, quadradinha. Mas deveria ter sido tombada, sim, para manter o que ali estava em termos de tamanho e número de moradores. Quer derrubar? À vontade; Mas só se for para fazer um estacionamento. Ou para construir outra, no máximo com a mesma área projetada e mesma área útil. Como o prefeito de São Paulo autoriza mais um prédio - que é, evidentemente, o que vai sair ali - na Paulista? Já não bastam os que existem lá hoje?
Está mais do que na hora de se prestar atenção numa proposta que fiz há tempos neste blog. Porém, há um problema: quantas pessoas lêem este blog? Quem sou eu, para pedir que sigam meus conselhos? Não sou o dono da verdade, mas, neste caso, gostaria realmente de sê-lo, para pedir encarecidamente que se criem leis em TODAS as cidades que impeçam novas construções de edifícios. Que se construam novos apartamentos, casas, escritórios, SOMENTE em locais que já têm outras construções e que estejam abandonadas, obsoletas ou o escambau, sempre mantendo a área projetada e a área útil, mas mantendo um máximo nessa área útil.
Você tem um terreno? Ora, pode construir, desde que... o que você vai construir seja realmente necessário e mereça um estudo bem feito, com o cérebro e não com a necessidade financeira de quem autoriza ou de quem quer construir. Senão, daqui a poucos anos todas essas cidades citadas - Curitiba (2 milhões de habitantes), Barueri (400 mil) e São Paulo (12 milhões) - vão estar totalmente decadentes e em um estado que nos fará sentir saudades do ano 2013. Nós, hoje, já sentimos saudades dos anos 1950... quem viveu, viu. Falo em tamanho de cidade, não em tecnologia.
E mais: citei apenas três cidades com esse problema. Há muitas, muitas, mais no Brasil.
Estive em Curitiba mais uma vez, há cerca de duas semanas. Tenho ido a ela cerca de uma vez por ano durante os últimos cinco anos. Porém, é sabido que estive lá morando por seis meses em 2002, a trabalho. Aprendi a gostar da cidade, e muito.
Desta vez, porém, achei que a cidade mudou demais desde 2002. Vi os enormes edifícios que se construíram e estão sendo construídos no Batel e outros bairros próximos ao centro da cidade. E isto é mau. Os prédios estão formando já verdadeiras barreiras na avenida Sete de Setembro. Enormes, formadores de enormes sombras e tapadores de paisagens. Uma lástima.
Vi o Shopping Estação, construído há treze anos no pátio da estação velha de Curitiba, desativada em 1972. Além do crescimento que não para deste shopping, para cima e para os lados, hoje ele praticamente engoliu a velha estação, que ainda serve de fachada em parte da Sete de Setembro. Do lado da plataforma, no entanto, eu, que a conheci ainda ao ar livre com o shopping ao lado e tendo algumas lojas em algumas salas da antiga estação, hoje vejo a mesma plataforma coberta com tetos altos do shopping expandido e abarrotada de restaurantes. A entrada do pequeno museu, que é a antiga entrada do hall da bilheteria, quase passa despercebida dos nossos olhos.
A um quarteirão dali, abaixo da rua João Negrão, aquela do pontilhão, um prédio monstruoso está em fase final numa esquina, creio que da rua Conselheiro Laurindo com a avenida Sete. É daquele tipo que de tão grande parece que vai despencar sobre a avenida. Enfim: nada que vi de novo em Curitiba me agradou desta vez. Aquela cidade de crescimento controlado e organizado dos anos 1970-80 já não existe mais.
Logo em seguida, de volta para casa, fui ao outro lado do rio Tietê em Barueri, às margens do rio, numa avenida recentemente urbanizada (a marginal de lá) e da qual saem ruas para os bairros mais altos, portanto, constantemente em rampas. Aquele condomínio de trocentos prédios (para quem conhece) existente numa dessas ruas, mas que quase encosta na Marginal, não tem lugar para tanto automóvel. Uma vaga por apartamento (quem não não tem dois carros hoje em dia, mesmo para apartamentos pequenos como são aqueles?) somente. Evidentemente, o segundo carro vai ficar na rua. E os que visitam os amigos que lá moram nos finais de semana, param também na rua. Só que a rua que sobe (rua Marte) não tem vagas para tudo isso, Acabam parando na Marginal. Pare e ande... muito. E suba a rampa para chegar na portaria do condomíniol, claro. E ela é estreita, tem duas mãos e por ali passam caminhões. Como fazer?
Como foi que o prefeito de Barueri autorizou um empreendimento desses sem pensar pelo menos nesses problemas? O pior é que isso não sucede somente em Barueri, onde os exemplos de construções no "nobre" Alphaville causam um trânsito de proporções desesperadoras durante quase todo o dia. Onde esse pessoal tem a cabeça? Evidentemente, na carteira, aquela que fica no bolso.
E, finalmente, São Paulo, minha terra, lugar onde trabalho até hoje. Na mesma semana demoliram mais uma casa na avenida Paulista. A casa deveria ter sido tombada pela sua arquitetura? Não, realmente, pois era uma casa grande, mas sem graça, arquitetura anos 1950, quadradinha. Mas deveria ter sido tombada, sim, para manter o que ali estava em termos de tamanho e número de moradores. Quer derrubar? À vontade; Mas só se for para fazer um estacionamento. Ou para construir outra, no máximo com a mesma área projetada e mesma área útil. Como o prefeito de São Paulo autoriza mais um prédio - que é, evidentemente, o que vai sair ali - na Paulista? Já não bastam os que existem lá hoje?
Está mais do que na hora de se prestar atenção numa proposta que fiz há tempos neste blog. Porém, há um problema: quantas pessoas lêem este blog? Quem sou eu, para pedir que sigam meus conselhos? Não sou o dono da verdade, mas, neste caso, gostaria realmente de sê-lo, para pedir encarecidamente que se criem leis em TODAS as cidades que impeçam novas construções de edifícios. Que se construam novos apartamentos, casas, escritórios, SOMENTE em locais que já têm outras construções e que estejam abandonadas, obsoletas ou o escambau, sempre mantendo a área projetada e a área útil, mas mantendo um máximo nessa área útil.
Você tem um terreno? Ora, pode construir, desde que... o que você vai construir seja realmente necessário e mereça um estudo bem feito, com o cérebro e não com a necessidade financeira de quem autoriza ou de quem quer construir. Senão, daqui a poucos anos todas essas cidades citadas - Curitiba (2 milhões de habitantes), Barueri (400 mil) e São Paulo (12 milhões) - vão estar totalmente decadentes e em um estado que nos fará sentir saudades do ano 2013. Nós, hoje, já sentimos saudades dos anos 1950... quem viveu, viu. Falo em tamanho de cidade, não em tecnologia.
E mais: citei apenas três cidades com esse problema. Há muitas, muitas, mais no Brasil.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
NOTÍCIAS FURADAS - QUEM PAGA?
Como a notícia mostrada acima em reportagem do hoje extinto Jornal da Tarde, publicada em 17 de dezembro de 2002, existiram, somente nos últimos anos, dezenas de outras: novidades anunciadas que não se realizaram, por um motivo ou por outro.
O pior de tudo é que cada uma dessas notícias "furadas" geram prejuízos para o erário público, como o pagamento de projetos não aproveitados a particulares e mesmo o início das obras que acabam por gorarem.
Imaginem, nesse caso, o que se gastou para quebrar a calçada e depois para consertarem. Fora as inúmeras reuniões e projetos. Isso precisa acabar. Para dizer a verdade, sem fazer nenhum levantamento (por isto não posso provar o que digo), eu diria que mais da metade das notícias dos fatos que "vão acontecer" ou não acontecem ou demoram o triplo ou até o quádruplo do tempo para se tornarem reais.
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