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domingo, 15 de fevereiro de 2015

HISTÓRIAS DA ALTA SOROCABANA EM 1940 - I e II


I) A decima-primeira zona, da região de São Paulo, do Serviço Nacional de Recenseamento, compreende os seguintes municípios: 1) Presidente Venceslau; 2) Santo Anastacio; 3) Presidente Bernardes; 4) Presidente Prudente; 5) Regente Feijó; 6) Martinópolis; 7) Rancharia; 8) Quatá; 9) Paraguassú; 10) Maracaí; 11) Bela Vista; 12) Assis; 13) Candido Mota; 14) Salto Grande; 15) Palmital.

Séde da Delegacia Seccional: Presidente Prudente.

Sédes das Delegacias Municipais: Nas sédes dos municipios funcionam as respectivas Delegacias Municipais.

II) O ELEMENTO HUMANO

Os japonêses, notadamente nos municipios de Presidente Prudente, Bela Vista e Rancharia, são em numero bastante elevado. Uma próva desta assertiva - próva, aliás, um tanto pitoresca para os individuos recem-chegados à zona - é constituida pelos anuncios dos medicos, advogados, casas comerciais, etc., anuncios êsses que são sempre redigidos em dosi idiomas: português e japonês. Na cidade de Presidente Prudente vemos niponicos no exercicio de quasi todas as profissões, inclusive as liberais - exceção feita da advocacia. A sua grande maioria, porém, se dedica à agricultura.

Os espanhóes também são encontrados em proporção bem apreciavel, especialmente no municipio de Santo Anastacio.

Não menos consideravel é a percentagem do elemento sírio radicado à Zona. Pode-se notar que os representantes desta raça não se entregam, como geralmente o fazem nos grandes centros, ao comercio de armarinhos. São possuidores de fortunas ponderaveis e se dedicam, de preferencia, à agricultura.

Em suma: é bastante apreciavel o total de extrangeiros, das mais diversas nacionalidades, disseminados por toda a região.

Individuos procedentes de outros Estados da Federação, notadamente de Minas, Baía e Alagôas - entre as classes liberais -, estão espalhados, em grande numero, por toda a zona.

(continua)

Extraído de "Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Serviço Nacional de Recenseamento - MEMORIAL apresentado pelo Delegado Seccional da 11a Zona - Séde: Presidente Prudente". Documento original, Oficio 37, enviado de Presidente Prudente em 31 de Março de 1940, por Trajano Pupo Netto - Delegado Seccional da 11a Zona ao Exmo. Sr. Professor Sud Mennucci - DD. Delegado Regional - CAPITAL.

Refere-se ao Recenseamento Geral do Brasil do ano de 1940, do qual Sud Mennucci era o Delegado no Estado de São Paulo. Acervo Ralph Mennucci Giesbrecht. O português apresenta-se na escrita da época.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O RECENSEAMENTO DE 1940

Ribeirão Preto
Já falei deste assunto antes. Aqui, mais algumas fotos do Censo de 1940, do qual meu avô Sud Mennucci foi o Diretor para o Estado de São Paulo.

A foto principal foi tirada em frente à Escola Normal de Ribeirão Preto. Sud em primeiro plano, de óculos e sem o chapéu na mão.
Itararé
A outra foto mostra a sede da Delegacia Censitária em Itararé. Meu avô está em primeiro plano, em frente à porta, de lado, olhando para uma criança.
Itararé
A última fotografia foi tirada de sobre a ponte sobre o rio Itararé, mostrando a entrada do Estado de São Paulo, na divisa com o Paraná, em Itararé.

Sud viajou mais do que o normal nessa época. Embora muitas das viagens durante esse censo de 1940 tenham sido de automóvel, a maioria parece ter sido mesmo por trem.

Para Itararé, Sorocabana. Para Ribeirão Preto, Mogiana. Como delegado, Sud visitou praticamente o estado inteiro. Tenho sérias dúvidas que um delegado censitário estadual - suponho que o cargo ainda exista durante os recenseamentos - faça a mesma coisa hoje em dia.

sábado, 9 de abril de 2011

VELHOS DOCUMENTOS PESSOAIS

Alguns documentos que meu avô Sud Mennucci utilizou em sua vida (1892-1948) estão relacionados nesta página.
Notar que a carteira de identidade era escrita a mão. A data de seu nascimento está errada (15 de março de 1892), pois ele foi registrado nessa data e não na data real de seu nascimento (20 de janeiro de 1892), aparentemente porque seu pai perdeu a data limite para o registro e, para não pagar a multa, registrou-o no dia em que foi ao cartório.
Os outros documentos são do recenseamento de 1940, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, do jornal O Estado de São Paulo, onde trabalhou até 1932 (a assinatura é de Julio de Mesquita Filho) e da Sociedade dos Escritores Brasileiros.
Hoje em dia seriam muitos deles provavelmente como cartões plásticos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SUD MENNUCCI E O RECENSEAMENTO DE 1940


Quem deu a chefia do Estado de São Paulo para o Recenseamento Geral de 1940 para meu avô Sud Mennucci sabia o que estava fazendo. Ele provavelmente sorriu como um bebê quando vê um doce ao receber a notícia.

Depois de vinte anos sem se fazer o recenseamento, Getúlio Vargas tomou esta nova contagem como algo muito sério para o Brasil. Ele não estava errado. E, pelo menos em São Paulo, entregou o serviço para quem entendia do assunto e, não somente isso, gostava de viajar e, antes de viajar, conhecia com a palma da mão o que ia ver. Sud viajou para boa parte das cidades-sede do censo e promoveu-o como se fosse a sua vida em jogo. Não é esta uma afirmação vazia. As notícias da época e seus relatos e entrevistas a jornais, as fotos que ele e seus colegas tiraram dessas viagens, muitas delas guardadas no seu belo arquivo, provam tudo isto.

A cada viagem sua, os jornais promoviam a epopéia. Afinal, viajar por um Estado onde metade dele não tinha ainda nem trinta anos de povoamento era realmente algo desafiador. Não acredito que meu avô conhecesse todos esses locais, apesar de viajar muito. No papel, sabia muito sobre eles. Conhecia a geografia e a hidrografia de cidades próximas e das muito afastadas como se as tivesse conhecido in loco. Era sopa no mel.


Para muitas delas ele foi de trem, meio de transporte ainda principal e mais confortável, confiável e rápido da época. A fotografia acima foi tomada da frente da antiga estação ferroviária da cidade de Ourinhos - Sud, seus amigos, colaboradores, curiosos e puxa-sacos aparecem nela.


Para uma ou outra, de avião - mais veloz que o trem, é verdade, mas caríssimo e ainda não tão confiável. As fotografias tomadas na pista do aeroporto de Araçatuba mostram um desembarque de meu avô saindo do avião, cercado de curiosos (acima) e descendo a escada de acesso à pista passando no meio de um túnel de gente. Avião se esperava na pista mesmo. Bem diferente de hoje em dia, quando na maioria dos aeroportos a gente não tem vista para a pista por questão de segurança dos passageiros... leia-se terrorismo (mesmo assim, é bom lembrar que viajei de Ponta Grossa a São Paulo em 1993, portanto somente 17 anos atrás, e esperei o avião na pista. O prédio estava abandonado!!!).


Muitas fotografias foram tiradas também dos escritórios locais. Nesta, acima, o carro do recenseamento aparece estacionado em frente ao escritório da cidade de Rio Claro.

Sem computadores, os resultados levaram anos para serem publicados. Porém, em 1941, já se tinha uma ideia do que havia sido contado e catalogado. Sud adorava dar explicações e entrevistas para os jornais, falar do crescimento das cidades paulistas, etc. Não conheço a organização do censo de hoje, mas não duvido que a empolgação por fazê-lo seja muito menor do que naqueles tempos de - ainda - grandes descobertas.