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domingo, 13 de maio de 2012

TRILHOS EM MANDURI, SÃO PAULO

A estação atual de Manduri. Foto de 2010 (Douglas Nascimento)

Diversas cidades pelo Brasil tiveram suas estações ferroviárias deslocadas do local original. A construção de variantes que corrigiriam antigos erros de traçados de projetos originais, de forma a aumentar a velocidade dos trens e reduzir o índice de acidentes em pontos cruciais das linhas, foram sempre feitas à medida que a evolução tecnológica favorecia essas alterações.

Uma dessas cidades foi a pequena Manduri, localizada entre as cidades de Avaré e de Ourinhos, na linha-tronco da E. F. Sorocabana. A linha original por ali passou em 1908. Nos anos 1960, uma nova modificação foi feita, principalmente para facilitar a eletrificação da linha, que já havia alcançado Avaré e deveria seguir pelo menos até a cidade de Assis. Para isso a redução de curvas era essencial.
Manduri, final dos anos 1930 (Emilio Tozoni Neto/O Diário de Manduri). Ainda passava pela cidade a linha original (assinalada como Sorocabana), que vinha de Cerqueira Cesar (da esquerda da foto). A estação estava na avenida Brasil.

Não se sabe a data exata em que isso ocorreu, mas foi na primeira metade da década de 1960. No caso de Manduri, a modificação da linha foi grande. O leito da linha velha cruzou o leito da linha nova na entrada da cidade perpendicularmente. A estação velha, que ficava atrás do que hoje é a igreja matriz estava situada numa rua que, hoje, é perpendicular à rua que acompanha a linha atual.
Manduri, anos 1940. Local da velha estação. (Instituto Geografico e Cartografico). A rua Nhonho Braga é a atual avenida Brasil.

A estação original era um prédio bem típico da Sorocabana no início do século XX. Durante algum tempo, nos anos 1950, esse prédio parece ter sido substituído por um de madeira (provisório? não há explicação de porque nem quando houve essa modificação), aparentemente ainda no mesmo local. Em meados dos anos 1960, na linha nova, a estação nova e atual, bem maior, foi construída na nova linha da cidade.
A estação original de Manduri (Autor desconhecido).

Hoje e desde sua desativação nos anos 1990, a estação está fechada e semi-abandonada. A linha tem pouca utilização - um ou dois cargueiros de combustível passam por ali por semana, no máximo.

Manduri nos dias atuais (Google Maps). Notar à esquerda da foto o leito não mais utilizado da linha velha. A linha nova vem do canto esquerdo superior para a parte inferior central da foto. A estação nova está próxima a onde se cruzam o leito da linha velha e a linha nova.

A cidade pouco cresceu para além da linha nova. A cidade permanece pequena. A população não passa de 9 mil habitantes no censo de 1910. No local da antiga estação não há nada mais que lembre algum tipo de ferrovia. Há de se considerar que dali saía também um ramal para a cidade de Piraju, que deixou de funcionar em 1966. Diagramação das fotografias Adriano Martins.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

RESTAURAÇÕES EM SANTA CRUZ E PIRAJU

Estação restaurada de Santa Cruz do Rio Pardo em dezembro de 2011. Foto Edson Rodrigues

A estação ferroviária de Santa Cruz do Rio Pardo fechou em dezembro de 1966. O último trem da Sorocabana, um trenzinho misto (passageiros e cargas) que ia e vinha da cidade e estação de Bernardino de Campos percorrendo 24 quilômetros, parou um belo dia pela última vez ali. Ramal deficitário, diziam.
A estação de Piraju restaurada em 2010. Foto Reinaldo Rodrigues
Provavelmente era mesmo. Ramais curtos valeram a pena quando a ferrovia transportava muita carga, inclusive café, que existia ali na região. Após 1930, diminuiu muito o que transportar. Até passageiros, que aos poucos preferiam tomar os ônibus, que tinham mais horários e já podiam percorrer rodovias melhores.
A estação de Santa Cruz do Rio Pardo abandonada em 2000. Foto do autor
Aliás, esse ramal e também o de Piraju foram custeados pelas prefeituras das duas cidades, uma perto da outra. O ramal de Piraju saía da estação de Manduri. Fizeram as obras, as estações e entregaram de mão beijada para a Sorocabana operar. Ambas as estações foram construídas pelo arquiteto, à época ainda não tão famoso, Ramos de Azevedo, entre 1906 e 1908.
A estação de Piraju abandonada, em 2000. Foto do autor
Os dois ramais pararam no mesmo dia. As duas belas construções foram abandonadas. E assim ficaram até o ano passado. A de Piraju, em verdade, foi restaurada um pouco antes. A de Santa Cruz estava quase pronta na virada do ano, ou seja, há 10 dias atrás. Deviam ser construções bem sólidas, pois com todo o abandono, mantiveram-se em pé.

As restaurações, pelo que pude ver, principalmente externamente, não parecem ter alterado muito os prédios originais. Apenas as cores foram alteradas, aparentemente. Seja como for, valeu a pena, era melhor do que deixá-los largados.
A estação de Santa Cruz em construção, em 1906. Ampliando a foto, nota-se que um peru está posando também no meio dos funcionários. Seria o almoço daquele dia?
Basicamente, as duas estão fora das duas cidades, ou melhor, no limite da sua zona urbana. Assim era em 1906, assim é hoje. Portanto, sujeitas a agressões de vândalos: necessitam ter gente que realmente tome conta delas. Esperamos que assim o seja. As duas ainda estão, pelo que sei, vazias, mas ainda restam pequenos detalhes a serem feitos, pelas informações que recebi. Vão ser, quase que certamente, centros culturais, seja lá o que este nome queira dizer: para cada cidade, a definição é diferente...

Mas valeu pelo esforço, esperemos que nada se deteriore a partir daqui.