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sábado, 26 de março de 2016

A ESTAÇÃO DE GUAXUPÉ HÁ CEM ANOS

A estação original de Guaxupé, poucos anos antes de se tornar um grande entroncamento de linhas
Guaxupé, Minas Gerais: de 1904 a 1913, sua estação ferroviária  foi apenas o terminal de uma linha da Mogiana que saía de Casa Branca, SP. A partir de 1912, passou a ligar a estação a Guaranésia; a partir de 1914 a Muzambinho, e a Tuiuti (e por conseguinte à linha da E. F. de Muzambinho que terminava ali), em 1915 a Biguatinga, por outro ramal, e em 1922 a Passos no mesmo ramal que passava por Guaranésia e outras cidades do sul de Minas.

Portanto, em dez anos, o futuro da cidade estava moldado. Em 1916, já com boa parte da região acima sendo atendida, a Mogiana via acontecer um verdadeiro caos na estação, que recebia gente de inúmeras cidades por quatro linhas diferentes. Não havia acomodações aos passageiros que baldeavam para o ramal de Tuiuti, o de maior movimento na época (Nota: a estação de Tuiuti teve o nome alterado para Jureia em 1944). A aglomeração de pessoas causava empurrões am mulheres e crianças; e por incrível que possa parecer, a maior parte dessas pessoas na estação era de... curiosos, gente que corria para ver as manobras dos trens e locomotivas, complexas por atenderem a quatro destinos diferentes no mesmo pátio.

A Mogiana passou a receber reclamações constantes por causa disso. Notícias de roubos no meio da multidão pioravam a situação. Além disso, os passageiros dos trens se queixavam que a Mogiana pegava água para servir a eles nos trens, e na própria estação, de um córrego próximo (o ribeirão Guaxupé), que por sua vez recebia dois afluentes poluídos por esgotos, bem próximos à coleta dessa água. Esta era visualmente suja.

Como a Mogiana lidou com isto, não se sabe exatamente. O que se sabe é que o prédio da estação só foi aumentado nos anos 1930.

Assim foi até 1962, quando dois dos ramais mineiros foram extintos (Tuiuti e Biguatinga). Sobrou o terceiro, que, na prática, passou a ser apenas a continuação da linha que saía de Casa Branca. O trem de passageiros que ligava Casa Branca a Passos foi extinto em 1977.

A estação de Guaxupé hoje é de propriedade da Prefeitura e tem vários departamentos que servem à cidade. Os trilhos do pátio e das linhas foram arrancados. Os leitos que dali saíam e chegavam viraram avenidas. Vários depósitos que havia ali e que eram servidos pela ferrovia foram fechados. Alguns ainda podem ser vistos às margens da avenida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MUZAMBINHO 1913

Muzambinho em 1913: Avenida Américo Luz. Ao fundo, a velha igreja. O api de Américo Luz, fazendeiro e dono de garimpos na região, foi o idealizador da E. F. Muzambinho. Acervo Henrique Annunziata

Conheci a cidade de Muzambinho em 2008, dois anos atrás. Eu ouvia falar dela desde quando estava no ginásio: um colega meu de classe, que havia perdido dois ou três anos devido a problemas de visão, queria apressar sua entrada na faculdade e por isso planejava fazer madureza, como era chamado o exame para ser aprovado mais cedo no segundo grau. Ele sempre dizia que iria fazê-lo em Muzambinho. E dava risada.

Depois, foi o radialista Milton Neves que falava sempre da sua cidade natal - justamente ela, Muzambinho - em seu programa de rádio, na época na rádio Panamericana. E fazia, como ainda faz, questão de manter seu sotaque mineiro, pelo menos daquela região.

Mais tarde, com meus estudos sobre ferrovias, fui conhecer a cidade geográficamente, no ramal de Juréia, que passava por Muzambinho vindo de Guaxupé, tocado pela Mogiana. No início dos anos 1910, a Mogiana comprou um antigo projeto de ferrovia da cidade, que por sua vez foi comprado pela Rede Sul-Mineira e revendido à Mogiana. O célebre jogo de venda de concessões. O fato, porém, é que Muzambinho não tinha dinheiro para construir a linha, por isso a vendeu.

A ferrovia ficou pronta em 1914. A cidade, porém, pouco mudou desde então. Francisco Marques, velho morador, reconheceu diversas fotos de uma fornada inédita da cidade que dividimos depois de comprar um álbum sobre a construção do ramal e comenta até o nome das ruas, a posição de onde as fotografias foram tiradas, os edifícios. É ele quem afirma que as mudanças foram poucas. E, em minha visita em 2008, já havia chegado a esta conclusão: era uma cidade antiga, com prédios, em sua maioria, antigos, e uma cidade pequena, sem expansão recente - impressão que me deu, confirmada agora por um conhecedor.

Meus agradecimentos nesta postagem a Francisco Marques e ao Henrique Annunziata.