Parece que o município de São Paulo não sabe, mesmo, como fazer com a reciclagem do lixo urbano. Não há meio de se conseguir colocar uma ordem, uma metodologia no sistema. Sistema, que, aliás, se acreditarmos no que diz a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de hoje, nem existe.
Não entrarei em detalhes sobre os dados. Percebe-se por ela que as promessas que a Prefeitura tem feito (por exemplo, criar centros de coleta de lixo descartável, como a que existe na baixada da rua Inácio Pereira da Rocha, em Vila Madalena) não são cumpridas ou são realizadas longe de atingir o objetivo previsto.
Estamos falando de lixo urbano, mas se a Prefeitura não sabe nem limpar a cidade, cada vez mais suja (uma limpeza em regra ao longo da Marginal do Pinheiros, sentido sul, entre o Cebolão e a ponte Eusébio Matoso - por onde passo religiosamente todas as manhãs - daria com certeza caminhões e mais caminhões de lixo), como vai pensar em organizar a coleta de um lixo mais "nobre", como o lixo potencialmente reciclável?
Outra reportagem no mesmo jornal publicada há menos de uma semana mostra que o asfaltamento de ruas com asfalto tendo na composição borracha moída oriunda de pneus velhos não ultrapassou a marca de oito quilômetros na Capital nos últimos dez anos, sabendo-se que, além de ajudar a eliminar toneladas de pneus velhos, o asfalto feito dessa forma aumenta a durabilidade do material, além de outros benefícios para o trânsito.
Claramente, a Prefeitura é incompetente nesse ramo de lixo, assim como em outras áreas. E falo, aqui, não só da atual, como em todas ou na maioria das anteriores. Mais outra reportagem mostra que as próprias empreiteiras contratadas pela Prefeitura para recolher entulho joga o material em outro lugar... para que retirar do lugar original, então?
Talvez isso não seja culpa somente dos administradores, mas também do gigantismo de uma cidade possivelmente ingovernável. E - sinceramente - é culpa da sociedade também, que atira lixo no primeiro lugar que vêem, de dentro de suas casas, das suas mãos quando passeando na rua ou jogando o que não quer pela janela dos veículos.
É uma sociedade que espera que o governo faça tudo por ela, em vez de tentar se esforçar para resolver seus problemas sem a ajuda do governo sem dinheiro e sem capacidade para tal, geralmente corrupto e/ou ineficiente. A primeira coisa que a população poderia fazer seria não atirar o lixo em qualquer lugar. A segunda, separar decentemente o lixo reciclável. Não é nada difícil, muito pelo contrário. A coleta, sim, é mais problemática - mas parece que a Prefeitura não saiu do zero depois de mais de vinte anos de propagação da doutrina da reciclagem. Então, por que não fazermos nós mesmos?
Num momento em que os lixões e até os aterros sanitários são contestados por quase todo mundo, não reciclar lixo parece insanidade.