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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A ESTRADA DE RODAGEM PARNAHYBA-PERUS

Acima, em mapa atual extraído do Google Maps, a área onde a estrada Parnaíba-Perus foi destruída em parte (clique para ver melhor os detalhes): no canto esquerdo superior, a Tenente Marques, vindo de Parnaíba; a seguir, a curva para o sul (rua Bento da Silva Bueno), uma área vazia, o reapareceimento do leito na Estrada de Pirapora, a centro-sul do mapa; no centro-direita, a estrada subindo para nordeste e desaparecendo no vale do Santa Fé e finalmente, no canto direito superior, reaparecendo como Estrada de Perus.

Resolvi falar um pouco mais sobre a "Estrada de Pirapora", sobre a qual discorri ontem no meu artigo Percorrendo Velhos Caminhos. A estrada de rodagem que ligaria Parnahyba a Perus começou a ser traçada em 1922, quando a Prefeitura parnaibana resolveu melhorar a travessia do topo do morro do Vacanga, um obstáculo natural entre a sede do município e o vale do Juqueri-Guaçu, onde hoje está o enorme bairro da Fazendinha, que, na época, apenas continha pequeníssimos povoados, um deles, a Várzea do Souza.

Percebendo que a extensão da travessia do Vacanga até o povoado dos Perus, já no município da Capital e estação ferroviária da São Paulo Railway poderia ser uma alternativa ao caminho até Barueri para tomar a Sorocabana, a Prefeitura decidiu tocar a obra em frente já em 1923. Em 1928 já chegava ao Polvilho, avançando por dentro do que hoje é parte do município de Cajamar, mas que na época era terra parnaibana. No ano seguinte, a faixa junto à divisa Parnaíba-São Paulo (córrego do Itaim, onde hoje está o bairro Colinas do Anhanguera) era desapropriada para passagem da estrada. Parnaíba pagou pela construção no seu município e São Paulo na dele; porém, quem empreitou a obra nas terras da Capital para ser reembolsada mais tarde foi Parnaíba. Em 1929 a estrada já estava pronta até a divisa no cõrrego do Itaim.

Já dentro da Capital, o trecho mais crítico foi a passagem pelo córrego Santa Fé (nas proximidades de onde 20 anos mais tarde seria construída a via Anhanguera). Em 1930 a ligação Parnahyba-Perus estava pronta. O mapa da Sara Brasil deste ano já mostra o seu leito em terras paulistanas. Esta ligação ainda existe em boa parte de sua extensão. Ela segue desde a ponte sobre o Tietê, a única em território parnaibano, pela Estrada Tenente Marques (nome dado nos anos 1960) até as margens do córrego do Itaim, a cerca de um quilômetro do km 29 na via Anhanquera; a seguir, ela, em 1930, dobrava à direita (sul) e seguia próxima a este córrego até entrar para o vale do Santa Fé, depois de galgar um morro (seria o Morro Doce?), cruzando o córrego, depois de várias curvas, e finalmente chegar ao ponto que hoje é aproxumadamente o km 24 da Anhanguera e saída da atual Estrada de Perus, daí tomando a estrada que mantém o leito original até chegar à estação, costeando em grande parte o atual Parque Anhanguera.

Este trecho entre a curva no Itaim e o afastamento deste já dentro de solo paulistano não durou muito. Desapareceu em parte, para manter-se depois com o nome atual de Estrada de Pirapora e depois desaparecer de novo junto ao Santa Fé, reaparecendo depois somente no trevo do km 24 da Anhanguera - acesso para Perus.

Vê-se, portanto, que uma estrada que era considerada estratégica em 1930 já estava abandonada em 1950, com a Anhanguera pronta. Com os alargamentos pelos quais passou esta rodovia nos anos seguintes, o que estava perto desapareceu. O acesso da Tenente Marques a Perus passou a ser, entre os quilômetros 29 e 24 da rodovia, a própria rodovia, sendo que no 29 foi construída, possivelmente ainda nos anos 1940 (ou mais tarde, há que se pesquisar isto), o trecho ligando a Tenente Marques a essa estrada, transformando o trecho semi-desaparecido em trechos de ruas locais. A rua Bento da Silva Bueno, na atual divisa Cajamar-São Paulo, é quase que certamente um trecho dessa velha estrada.

domingo, 12 de setembro de 2010

PERCORRENDO VELHOS CAMINHOS

Avenida Cidade Jardim em dois tempos: 1930 e 2010

Hoje, domingo, dei uma pequena saída para ver a situação de antigos caminhos rurais na região da divisa municipal entre São Paulo e Santana de Parnaíba. Nos mapas da Sara Brasil de 1930, feitos para a prefeitura da Capital, há inúmeras estradas em regiões afastadas do centro que hoje são em sua grande maioria áreas urbanas, porém muitas habitadas pela população carente.

Fui à região de Perus, na área da via Anhanguera naquele ponto. O mapa de 1930 não mostra a rodovia, que ainda não existia; mostra, no entanto, mais ou menos na latitude onde está hoje o trevo de acesso desta via ao bairro de Perus algumas estradas - poucas - e córregos. O córrego principal, ali, é o Santa Fé, nome hoje de um pequeno bairro naquela região e também de uma parada ferroviária da E. F. Perus-Pirapora na barra desse rio no Juqueri-Guaçu, mais ao norte.

No que seria o lado direito da atual rodovia, a estrada para o Jaraguá; à esquerda, saindo desta, a estrada de Parnaíba. Porém, se olharmos um mapa de hoje, a situação é totalmente estranha, e é preciso um pouco de "ginástica cerebral" para descobrir o que hoje existe por ali. Além da via Anhanguera, sobrou apenas um curto trecho da estrada do Jaraguá nesse ponto, que acompanha a rodovia até desaparecer depois de uns 300 metros. A parte mais ao norte chama-se hoje Estrada de Perus e termina nesse bairro, junto à linha férrea. Mudaram seu nome, o que não é ilógico - não confundir com outro trecho da estrada do Jaraguá que ainda existe com esse nome, mais ao sul.

Sobrou também a estrada de Parnaíba, mas sem continuidade - hoje ela não se liga com a antiga estrada do Jaraguá. Dá para notar que a construção da via Anhanguera nos anos 1940 acabou com boa parte das poucas estradas que existiam no seu caminho. Para confundir mais, a estrada de Parnaíba de 1930 chama-se hoje estrada de Pirapora. Pirapora era, até 1959, um bairro, um distrito do município de Parnaíba (hoje Santana de Parnaíba). Não saberia dizer o motivo da mudança do nome em algum ponto do passado. Talvez porque ela entrasse pelo norte de Parnaíba e seguisse para o atual bairro da Fazendinha, de onde se podia seguir mais rapidamente para Pirapora. O fato é que a estrada hoje tem placas oficiais: Estrada de Pirapora.

Andei de carro por ela. Só dá para se a tomar ao sul do córrego Santa Fé; o mapa nem mostra qualquer ponte nem continuidade do outro lado do rio, sentido Anhanguera. A estrada desce para o sul e depois faz uma curva seguindo para oeste. Enquanto é plana, ainda mantém algum aspecto de estrada velha: algumas chácaras com construções mais antigas existem à beira da rua, asfaltada (exceto o pequeno trecho próximo ao córrego).

Porém, a partir do momento em que ela sobe um morro e o desce em curvas, é tomada por um bairro mais pobre. Em seguida, volta a subir, mas nem tanto: a um determinado ponto (na esquina com uma rua chamada "Recife", com uma placa mal feita) o asfalto desaparece. Seria ali a mudança de município? Não sei, esse trecho mais para a frente o mapa não mostra. Não segui por ele. Deve dar na região da fazenda Itaiê e de lá seguia para a atual Tenente Marques, em Cajamar, que depois continua pela Fazendinha, em Parnaíba.

Ainda se pode ver, apesar da invasão habitacional, muita mata nativa em volta de alguns trechos da estrada.

Nem sempre, porém, é possível andar por uma estrada antiga. Como trechos das duas estradas citadas acima, algumas desapareceram. Em 1927, a São Paulo Light aprovou a colocação de trilhos de bondes na avenida Cidade Jardim, até o seu final, no então novíssimo bairro do mesmo nome. Seu final não era o de hoje, na entrada da ponte sobre o rio Pinheiros. Era no início da avenida das Magnólias, que fica onde hoje acaba o túnel que sai da Juscelino. Todo esse trecho, que era uma reta, desapareceu (veja o mapa acima) em 1943, depois que o bonde foi retirado. A retificação do rio também afetou a área, seguida pela construção da avenida Marginal, nos anos 1960.