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quinta-feira, 31 de março de 2011

VÂNDALOS PREVISÍVEIS

Fernando Picarelli - 27/7/2001
O Fernando é uma pessoa que gosta de ferrovias, como diversos que conheço. Ele já está no "metiê" há mais tempo do que eu. Fotografa muito, principalmente material rodante ferroviário. Já faz algum tempo que não tenho contato com ele, que mora em Jundiaí.
Fernando Picarelli -13 /8/2001
Há algum tempo, já, ele postou no Flickr do Yahoo uma sequência que mostra a locomotiva ainda com as cores que tinha na FEPASA, mas já abandonada no Museu da Cia. Paulista em Jundiaí, seguida dos trabalhos de sua restauração externa e depois do transporte para o local de exposição.
Fernando Picarelli -21 /8/2001
Aí começou o problema.
Fernando Picarelli -26 /8/2001
O local de exposição foi onde prefeitos adoram: uma praça. Ora, qualquer um de nós sabe que uma locomotiva de ferro não resiste muito tempo exposta ao sol, chuva e ventos - as famosas "intempéries", enfim. Aqui no Brasil, há mais problemas: o vandalismo, a falta de educação e de vergonha na cara.
Fernando Picarelli -30 /8/2001
Estava na cara que o resultado final não demoraria para acontecer. A recuperação começou em julho de 2001 nos próprios galpões do museu em Jundiaí. Lavagem, retirada de pintura, lixamento, polimento, repintura. Acompanhem a sequência de fotos nesta página, de cima para baixo. Se quiserem ver mais fotografias e em melhor resolução, cliquem aqui.
Fernando Picarelli - 2002
Em seguida, transporte, através de guindastes e carretas, para o local, a tal praça. É uma praça que fica pouco depois da estação ferroviária de Jundiaí, para quem vem dos galpões da antiga Paulista acompanhando a linha à sua esquerda.
Fernando Picarelli -4 /2/2002
Fernando Picarelli -3/3/2002
Menos de um mês depois da inauguração da locomotiva como monumento na praça, ela já estava toda pichada. Foi limpa depois de algum tempo; uma fotografia de 2007 mostra que ela já estava pichada outra vez.
Fernando Picarelli -8/4/2002
Hoje, sem fotografia, não deve estar melhor. Pelo que ouvi, está bem pior. Ninguém a tira dali. Afinal, foi um prefeito que a pôs lá. Gastou bastante dinheiro para isso, mesmo sabendo que ela iria ser vandalizada de todas as formas.
Fernando Picarelli -2/1/2007
Quem se responsabliza? E, pior: quantas pessoas realmente estão preocupadas em saber quem é o responsável por gastar dinheiro à toa e por deixar patrimônio histórico apodrecer na rua?

quarta-feira, 16 de março de 2011

MAIS UM MUSEU PAULISTA QUE SE VAI

Foto Fabiano Maia, Jornal de Jundiaí
O artigo abaixo foi publicado hoje no Jornal de Jundiaí e escrito por Andrea Lavagnini:

Depois de anunciar programação especial para este mês, quando completa 10 anos de atividades na cidade, o Museu da Energia de Jundiaí fechou suas portas, demitiu
seu coordenador Donizetti Aparecido Pinto e, oficialmente, anuncia remodelação de
acordo com "necessidades da cidade". As atividades foram suspensas na segunda-feira e visitações previstas de escolas precisaram ser canceladas.

Segundo a coordenadora de museologia da Fundação Energia e Saneamento, entidade que mantém o museu, Maria Paula Cruvinel, as chuvas intensas do início do ano danificaram o telhado e parte da estrutura do prédio, o que provocou seu fechamento para manutenção. Maria Paula afirma que o local passará por reformas para "atender o
público com mais qualidade", mas ressalta que não há ainda estimativa de quanto será investido.

De acordo com ela, o projeto para Jundiaí deve ficar pronto somente em abril e vai ser feito "levando em consideração as necessidades da cidade, de acordo com a
procura pelos serviços do museu". Ela adianta apenas que haverá novidades como ampliação de espaço para exibição de filmes, no auditório já existente. Maria Paula, também coordenadora do Museu da Energia em São Paulo e que está respondendo temporariamente pela unidade de Jundiaí, diz que a demissão de pessoal faz parte do
processo de reformulação.

O ex-coordenador Donizetti diz que foi pego de surpresa pelas mudanças, às vésperas das comemorações de aniversário. Ele explicou que, com as chuvas, os banheiros
ficaram sem condições de uso, o que levou a equipe técnica da própria Fundação a indicar o fechamento do prédio para visitações. Já para sua demissão a justificativa dada, segundo ele, foi falta de recursos, mas não falou em crise na Fundação.

Maria Paula afirma que o espaço será reinaugurado no dia 21 de maio, na semana em que se comemora o Dia do Museu, já com a remodelação concluída. Mas o novo
projeto ainda não está pronto. Até lá, fica mantida apenas a agenda do circuito de filmes Cinergia, aos sábados, no auditório do museu. O evento é uma parceria com a
produtora Lesovídeo. O Museu da Energia fica na rua Barão de Jundiaí, 202, Centro. Mais informações pelo telefone (11) 4521-4997.

Comentário deste blogueiro: são infelizmente poucas as coisas que se sustentam em termos culturais no Brasil, principalmente quando são bancadas pelo governo. A cada mudança de governo (neste caso, o museu é estadual), fecham-se museus, casas de cultura, centro de memória, mandam-se funcionários embora sem motivo, etc. etc. etc. O negócio mesmo é esquecer. Quem quiser ter cultura que compre seus livros e monte sua própria biblioteca e museu. Tristeza. O texto me foi enviado por Regina Kalman, de Jundiaí, cidade que, aliás, já tem fama de dar as costas para a cultura. O antigo museu da FEPASA, depois Museu da Cia. Paulista, está jogado às traças há anos, mesmo possuindo um acervo, digamos, insubstituível.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

VERGONHA EM JUNDIAÍ

A locomotiva número 1 da Companhia Paulista nos galpóes de Jundiaí, em foto de 2003, de autor desconhecido. Toda enferrujada então, hoje, sete anos depois, a ferrugem só se alastrou. As últimas notícias dão conta de que a caldeira já está vazando

A cidade de Jundiaí teve, durante mais de um século, uma posição muito importante no mundo ferroviário de São Paulo. Primeiro, porque eram ali que ficavam as principais oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro - era ali que se iniciava essa ferrovia. Ao mesmo tempo, era ali o ponto terminal da ferrovia Santos-Jundiaí. Por algum tempo, no século XIX, chegou a ser "boca-de-sertão" para o café e outras cargas que se dirigiam a Santos. Em cinco anos em que isso aconteceu (1867-72), a cidade cresceu como nunca.

Mesmo depois do início de operações da Cia. Paulista, em 1872, seguindo inicialmente até Campinas e depois em duas linhas principais para o norte e oeste do Estado, a cidade teve uma importância fundamental para a Paulista. No início dos anos 1980, quando a Fepasa já imperava e a decadência ferroviária já era uma realidade, o pátio de Jundiaí já não tinha mais a administração da empresa ali, mas uma das alas foi reservada para que a Fepasa ali construísse um museu ferroviário.

Boa parte dos arquivos e da biblioteca que estavam na Barra Funda migraram para lá - e, embora uma parte desse acervo esteja em relativo bom estado na atual biblioteca, parte dele ainda aguarda, há quase 30 anos, separação e catalogação. Até cerca de dez anos atrás, era possível a consulta de seus livros e relatórios com relativa facilidade. Em 2002, a Prefeitura adquiriu o complexo, já praticamente vazio. Nele estavam o museu, a biblioteca e um galpão com locomotivas diesel, vapor e elétricas - inclusive a primeira locomotiva da Companhia Paulista - enferrujando. Algumas, do lado de fora, no pátio.

Nada mudou para melhor depois disso - a ferrugem hoje é maior, o museu tem parca manutenção e a biblioteca é desde então algo cada vez mais difícil de se utilizar. Até 2002, quem tomava conta dali eram ex-funcionários da Fepasa, que davam liberdade às pessoas realmente sérias que quisessem pesquisar nos arquivos. Eu me incluo nestas pessoas. Dali para cá, fui pouquíssimas vezes ali. Muitas vezes não consegui utilizá-la pois não havia pessoas que pudessem "tomar conta" de quem pesquisava na biblioteca. A quantidade de funcionários ali é mínima.

Embora a Prefeitura tenha a propriedade dos prédios e do pátio, o acervo da ferrovia não é dela (embora ela minta e diga que é), mas da Inventariança da RFFSA, e o IPHAN tem responsabilidade sobre esse acervo. Só que o IPHAN não fica lá, mas sim na Capital.

A pergunta final é: qual é a finalidade de um museu, de uma biblioteca, de um arquivo? É, justamente, poder ser utilizado por quem dele precisa. Se fica fechado, por negligência de uma Prefeitura, e somente pode ser consultado como um grande favor, não cumpre sua finalidade. Ali está parecendo o mosteiro de São Bento, que tem um grande arquivo, mas que ninguém pode mexer, exceto os padres - bom, pelo menos neste caso alguém pode.

Infelizmente, quando se tem um acervo desses, inútil por falta de interesse, por falta de dinheiro ou seja lá por quê, a solução sempre pode ser pôr fogo. Não fará diferença. Afinal, se não serve para o que deveria servir, é melhor que não exista. A conclusão pode ser considerada ridícula, claro - mas pensem bem, senhores: vai fazer diferença?

É uma vergonha que tenhamos chegado a este ponto num dos maiores acervos documentais do país. Esperamos que um dia venha alguém mais iluminado abrir as portas para os interessados e também que, nesse dia, os livros, documentos e revistas ainda estejam ali para serem mostrados, e não numa lata de lixo qualquer. Já estou cansado de entrar em locais em que existem documentos antigos espalhados pelo chão, sujos, carunchados e molhados. Posso citar vários lugares em que vi isto durante meus quinze anos de pesquisa ferroviária.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

FURTO NO MUSEU DA CIA PAULISTA EM JUNDIAÍ


No dia 2 de fevereiro último, o Sr. Mauro David Artur Bondi, da regional do IPHAN em São Paulo, pediu-me para transcrever o seguinte e-mail, enviado para mim nesse mesmo dia no sentido de divulgar um furto no Museu da Companhia Paulista em Jundiaí, conforme transcrito abaixo.


O texto foi copiado também por ele para várias outras pessoas interessadas no assunto. As fotografias acima, do quadro, foram-me enviadas no mesmo e-mail.


"Prezados:


Conforme informações da Prof. Karin Bizzarro, Diretora do Museu Ferroviário da Cia. Paulista em Jundiaí, no dia 25 de janeiro de 2010 às 7h45m, foi dada a falta de uma tela de pintura retirada do chassi e da moldura, no salão nobre do Museu da Cia. Paulista, sito à Av. União dos Ferroviários, 1.760, no centro de Jundiaí.


Trata-se do retrato do Dr. Clemente Falcão de Souza Filho - Presidente da Cia. Paulista de Estradas de Ferro de 1869 a 1880. O Dr. Clemente Falcão de Souza Filho foi um dos fundadores e primeiro Presidente da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. O retrato foi encomendado pelo Engenheiro Adolpho Augusto Pinto em 1919 e a pintura a óleo é atribuída ao pintor Oscar Pereira da Silva.


Pelo que ainda me foi relatado, não há sinais de arrombamento e, ao que parece, quem cometeu o furto deveria ter a cópia da chave da porta do Museu. Nenhuma outra peça foi subtraída e o retrato do Dr. Clemente Falcão de Souza Filho encontrava-se no segundo andar do referido museu.


Foi lavrado um boletim de ocorrência, que será encaminhado para a regional do IPHAN amanhã. Aguardamos a orientação superior da CTPF/DEPAM, considerando inclusive que o acervo desse museu ferroviário encontra-se em estudo para tombamento oelo IPHAN".