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sexta-feira, 20 de maio de 2016

SEGUNDA PARTE (FINAL): A CPTM DOS ANOS 1990

Trens chegam para a CPTM em 1998. O Estado de S. Paulo, 27/9/1998

Dois dias atrás, publiquei aqui uma série de fotografias com trens da CPTM no final dos anos 1990. Hoje, mostro o resto que consegui e que mostra fotografias de 1996, quando pelo menos dois desastres com trens da empresa ocorreram. Um em abril e outro em outubro.

Desde 2000, quando aconteceu um dos piores desastres do período CPTM, este na estação de Perus, não somente a empresa melhorou muito os seus serviços, como também mais nenhum desastre grave ocorreu em suas linhas.
Em fotografia publicada no O Estado de S. Paulo de 18/10/1996, trem incendiado oito anos antes, em 1988, ainda no tempo da CBTU em São Paulo

Gostaria também de deixar claro que estes dois textos não têm a intenção de denegrir os atuais serviços da CPTM, muito pelo contrário.
Em outra fotografia publicada no O Estado de S. Paulo de 18/10/1996, trem incendiado seis meses antes, em abril de 1996, agora já no tempo da CPTM. Notar a semelhança desta fotografia com a anterior, de 1988.


Surfistas na estação de Itaquera em 1996 (O Estado de S. Paulo, 18/10/1996)
Trens lotados partem com as portas abertas, em foto publicada em 1996, apesar do logotipo da CBTU no trem. A época era de CPTM. Existiriam ainda trens com o velho logo circulando nesse ano, quatro anos da incorporação da CBTU pela CPTM? (O Estado de S. Paulo, 18/8/1996).
Tumulto na estação de Jaraguá em 14 de outubro de 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)
Tumulto na estação de Jaraguá em 14 de outubro de 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)

Trem incendiado na estação de Perus em 14 de outubro de 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)

Trem incendiado na estação de Perus em 14 de outubro de 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)

Finalmente: não trabalho, nem nunca trabalhei, na CPTM, nem conheço nenhum membro de sua diretoria ou alta gerência. Não sou amigo do governador nem do secretário dos transportes. Não sou fã de carteirinha do PSDB, nem de nenhum outro partido político. Sou usuário assíduo de quase todas as linhas.  Apenas acho ridículos certos comentários que porventura leio ou ouço que levam a crer que a empresa oferece maus serviços. Graças a Deus temos uma empresa como ela em São Paulo, ao lado do metrô.
Trens incendiados na estação de Perus em 14 de outubro de 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)


Trem incendiado na estação de Perus em 14 de outubro de 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)


A CPTM em 1996 (O Estado de S. Paulo, 15/10/1996)



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

FOLCLORE DA FEPASA: O ACIDENTE DE ITATINGA EM 1990

Esta era a estação de Itatinga em 1998, quando o prédio de alvenaria da estação, que existia em 1990, quando houve o acidente abaixo relatado, já havia sido demolido. Esse prédio havia substituído a estação de madeira que pegou fogo dois anos antes. Não tenho foto do prédio de alvenaria que pouco durou. (Foto minha).

O faxineiro morava e trabalhava em Botucatu. Num belo dia do mês de junho de 1990, tomou o trem na cidade e foi visitar o filho que morava na vizinha cidade de Itatinga.

Depois da visita, retornou à estação para tomar o trem de volta (não é mentira: ainda existiam trens de passageiros em São Paulo). Como o trem não parava na estação de Itatinga, apenas reduzia sua velocidade para que passageiros descessem e embarcassem (caso houvessem), ele escorregou e caiu da plataforma. As rodas do trem passaram sobre uma de suas mãos. O faxineiro perdeu três dedos. Ele teria de ficar seis meses afastado do emprego.

Só que pouco depois a FEPASA resolveu cobrar de Claro (o faxineiro) a quantia de Cr$ 5.622,72 (moeda da época: o cruzeiro, que havia sido implantado no começo deste mesmo anos, um ano depois da implantação do cruzado novo e quatro depois da do cruzado. Cada moeda significava a perda de três zeros da moeda anterior). Não era pouco dinheiro.

A FEPASA alegou que ele fora imprudente e por isso atrasara o trem por duas horas. Um dos seus filhos perguntou: como podiam culpá-lo pelo atraso de um trem que vivia atrasado?

E o presidente do sindicato dos ferroviários da região achou normal a multa, defendendo a FEPASA: "quando um funcionário provocava o atraso era punido. Quando o atraso for provocado por terceiros, como o passageiro, ele teria de assumir a responsabilidade".

Não sabemos se Claro pagou a multa e nem como se desenrolou o fato. Porém, se alguém não acredita, que leia a Folha de S. Paulo de 5 de setembro de 1990. A notícia está lá e pode ser lid na íntegra.