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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

1924: AS RODOVIAS ESTADUAIS DE SÃO PAULO


Mapa das rodovias paulistas na região mais próxima a São Paulo (aproximadamente 130-150 quilômetros de raio a partir da Capital), publicado em O Estado de S. Paulo de 28/12 1924.

Essas rodovias eram ainda todas em terra batida, nenhuma era asfaltada, macadamizada ou concretada.

O que já existia não mudou tanto assim em termos de percurso.

A São Paulo-Itapetininga é a atual Rodovia Raposo Tavares.

A São Paulo-Conchas é hoje a Rodovia e bastante recente. O primeiro trecho (São Paulo-Itu) havia sido inaugurado dois anos e meio antes (1922) e hoje chega até o rio Paraná, com o nome de Marechal Rondon - se bem que este nome hoje somente existe a partir de Itu para o interior. O trecho de 1922 não tem mais esse nome há anos. Parte dele (Barueri-Pirapora) chama-se Estrada dos Romeiros.

Já a São Paulo-Limeira não é hoje a Anhanguera, que foi construída nos anos 1940 em trajeto próximo à antiga estrada, mas não ocupa os leitos desta.

domingo, 9 de outubro de 2011

RECADO À CPTM: POR QUE NÃO MAIRINQUE?

Estação de Mailaski em 2011 (Carlos Roberto de Almeida)

Até 1997/98, a CPTM mantinha a linha de subúrbios da antiga Sorocabana/Fepasa chegando até a estação e cidade de Mairinque, a 69 km (distância ferroviária) do centro de São Paulo. Para se fazer esse percurso, havia uma baldeação na estação de Itapevi, hoje ponto final da Linha 8-Diamante da ferrovia.
Amador Bueno (Google Maps)
Porém, jamais se falou em restituir o trem da CPTM até Mairinque. A concessão é da empresa, a eletrificação existe — ou melhor, existia, pois parte já foi retirada, sabe-se Deus por quê —, mas o trem não voltou mais. Há motivos claros para isso?
São João Novo (Google Maps)
Bom, trens são para transportar pessoas. Quando há muitas pessoas e possibilidade para tal, por que não fazê-lo? O município de São Roque tem 79 mil habitantes, a maior parte deles vivendo a uma distância razoável da linha férrea. Já Mairinque tem 43 mil numa área bem menor que a de São Roque, mas também com população em sua maioria concentrada próxima à linha férrea.
Mailaski (Google Maps)
Entre Amador Bueno e Mairinque havia seis estações, contando as duas citadas. Além destas, havia São João Novo, Mailaski, Gabriel Piza e São Roque. Em média, uma estação a cada seis quilômetros. Mesma média da linha Luz–Francisco Morato da CPTM.
Gabriel Piza, bairro do Taboão (Google Maps)
Com exceção de Gabriel Piza — das estações, a única que virou ruínas —, as outras mostram uma boa concentração populacional à sua volta. A estradas de rodagem que acompanham esse percurso são duas: a SP-274 até Mailaski, onde se junta à Raposo Tavares, que leva até Mairinque e além. A primeira é uma estrada de pista única e cheia de lombadas. A Raposo tem pista dupla, mas um monte de lombadas também. Os ônibus não são bons e trafegam em velodidade reduzida devido ao excesso de tráfego, principalmente na Raposo, e ao excesso de lombadas.
São Roque (Google Maps)
Vale ressaltar que a linha que fazia o percurso até 1998 tinha também uma série de paradinhas (plataformas com cobertura de amianto, inadmissíveis para os padrões de hoje) que atendiam em determinados horários as pessoas que iam e voltavam de empresas no percurso, como a Cinzano. Poderiam ser incluídas no percurso, bem como construídas outras intermediárias para atender aos bairros de São Roque e de Mairinque, principalmente entre as duas cidades.
Mairinque (Google Maps)
O trem seria uma excelente alternativa. Parece que somente os políticos e a própria CPTM não veem isso. Eu, sinceramente, não consigo entender, por mais que os técnicos da empresa digam (se lerem isto, vão dizer, sim) que eu não entendo nada, que sou um amador etc. etc. etc.
Estação de Gabriel Piza em ruínas (Eric Mantuan, 2008)
Os mapas e fotos que incluo nesta postagem mostram a situação atual das cidades em relação à linha existente. Note-se que, até Iperó, a linha da ex-Sorocabana é dupla e era antes eletrificada, desde 1944.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

VISITANDO PIRAJUÍ

Parte da fachada da estação abandonada de Pirajuí.


Na minha pequena volta pelo interiorzão de São Paulo, naquela parte que há cem anos atrás ainda era "terra desabitada e povoada por índios", pernoitei nesta noite que passou em Pirajuí. Um hotelzinho simpático na avenida de acesso à cidade (Pirajuí Plaza Hotel), atei as cordas do meu Toyota e fui dormir.


Uma das belas casas da cidade.

Antes, porém, já noite, resolvi dar uma volta de carro pela cidade. Nem precisava, pois com quatro quarteirões eu já estava na praça central. Comi um sanduíche - não achei restaurante algum (não devo ter procurado bem - será?). De manhã, outra vez fui à cidade antes de seguir viagem. Fui primeiro à estação. Sem surpresa para mim, pois conhecia inúmeras fotos dela, um abandono total e ruínas de dar dó.


Outro casarão de Pirajuí.

O pessoal fez um bom trabalho nesse sentido, considerando que só faz 18 anos que a estação foi fechada, com o fim dos trens da Noroeste em 1992. O curioso é que o bairro mais novo e chique da cidade fica junto à estação - e para atingi-lo precisamos passar por um viaduto sob a linha que é quase um bueiro, em curva e por onde passa um carro somente por vez. Segurança máxima! Para completar, sobre o bueiro há uma placa do DNIT dizendo que o viaduto é de propriedade dele.


Velhas casinhas de madeira dos primórdios da cidade ao longo do antigo leito do velho ramal.

Também deu para ver onde era a estação velha, aquela do ramalzinho que vinha de Presidente Alves, entre 1925 e 1948 (nesse ano a linha-tronco foi "endireitada" e a cidade foi incorporada a ela, desaparecendo o ramal). Estava na cara: na entrada da cidade, há uma rua típica de ferrovia, com armazéns mais antigos e na parte mais baixa da cidade. Confirmei com uns velhinhos na praça - um deles me disse que se casou em 1944 e veio de vapor para a cidade ainda no trenzinho do ramal. O que é no local da antiga estação hoje? Claro, uma rodoviária - a velha estação foi derrubada quando entregaram a nova do outro lado da cidade.


A cidade acaba ali...

Há ainda umas casas velhas e interessantes na cidade, que é bem pequena - dá para ver onde ela acaba, basta ver a fotografia que fiz e pus nesta postagem, logo acima. Não demorou muito, peguei de novo o Toyota e segui viagem pela Marechal Rondon. Entre Pirajuí e Lins, bem como entre Bauru e Pirajuí, nenhuma cidade chega à rodovia - por isso, não entrei em nenhuma delas. Somente as citadas chegam.

Em Lins, nenhuma grande novidade, apenas passei para conhecer pessoalmente um amigo de Internet, o Daniel, que me recebeu muito bem. Gente fina é realmente outra coisa.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A CONSTRUÇÃO DA ESTRADA DE RODAGEM SÃO PAULO-MATO GROSSO (1922)

Chegada da comitiva em Itu (1922) aguarda a chegada das autoridades da cidade

Em maio de 1922, foi aberta a Estrada de Rodagem São Paulo-Mato Grosso. Ou, pelo menos, o trecho São Paulo-Itu. A estrada passou a ser chamada indistintamente pelo nome acima como também por Estrada Nova de Itu. A velha era a antiquíssima Estrada de Itu, ou Estrada Velha de Itu, ou ainda Estrada Real de Itu, dos quais alguns vários trechos ainda existem hoje em dia, alguns em péssimo estado.

A Rondon, que ainda não tinha este nome - creio que o ganhou após a morte do Marechal Rondon, em 1959 - passava, como era comum na época, por dentro das cidades. Afinal, o movimento de automóveis era pequeno e os prefeitos comentavam que "era interessante que os autos passassem pelo centro das cidades para poderem ver as maravilhas de cada uma delas".

Trecho não identificado da rodovia no dia de sua inauguração em 1922

O trecho aberto em 1922 era no início - ou seja, o trecho Pinheiros-Barueri - na verdade uma retificação da estrada velha. A atual Corifeu de Azevedo Marques, que continua com o nome de Autonomistas (em Osasco), Rui Barbosa (Carapicuíba) e Anhanguera (Barueri) era o leito da estrada velha e basicamente continuaria como leito da nova. Houve apenas retificações na altura do Instituto Butantan (o trecho ali abandonado em 1922 ainda existe em parte, sem asfalto e quase intransitável) e do Parque Continental (onde o leito original era a rua Emílio Carlos). Dali até a estação de Barueri era praticamente o mesmo de séculos.

A partir da estação de Barueri a estrada velha seguia paralela à linha da Sorocabana (hoje CPTM), sem cruzar a linha; esta somente iria ser cruzada pela estrada antiga lá em Jandira. A nova cruzava a linha em Barueri, subia o morro e entrava por onde hoje é a Estrada dos Romeiros até Santana de Parnaíba, onde também entrava ao lado da Igreja Matriz, passava pelas ruas tricentenárias e saía lá na frente no caminho para Pirapora.

Passando também por dentro desta cidade e depois pela de Cabreúva, desembocava no centro de Itu. Apenas alguns anos depois o trecho além de Itu seria construído, seguindo progressivamente até atingir o rio Paraná na divisa do Mato Grosso.

Construção da nova ponte sobre o Tietê em Pirapora do Bom Jesus (1991) na variante da rodovia construída na cidade nesse ano

Com o tempo, a estrada ganhou o nome de Marechal Rondon. Até por volta de 1980, ela seguia por onde está descrito. Porém, em algum ponto, convencionou-se chamar a Marechal Rondon começando na via Anhanguera, em Jundiaí, e a estrada Jundiaí-Itu ficou com o nome. O trecho Barueri-Itu ficou parcialmente com o nome de Estrada dos Romeiros até Pirapora.

Em 1922, em Parnaíba, a estrada que cruzava o município de Barueri a Pirapora, na época distritos de Parnaíba, teve de sofrer retificações em relação a alguns trechos da estrada anterior. Todo o trecho da Cruz Preta que segue paralelo ao córrego da Cachoeira foi aberto para esta nova estrada; a anterior passava pela área ao lado do córrego do Lageado e pela pedreira que até hoje existe ali.

A ponte metálica da estrada original (1922) em Pirapora foi construída bem antes disso (1880) e retirada (1991) para ser abandonada num depósito de ferro-velho

Em 1982, já com muito mais tráfego de automóveis, ônibus e caminhões, uma variante foi aberta pela Prefeitura de Parnaíba ao longo do morro da Igreja Matriz costeando o rio Tietê, pois esse tráfego estava causando rachaduras na estrutura da velha igreja. Como consequência, os carros deixaram de entrar pelo centro da cidade para cruzar a sede do município, situação que persiste até hoje, para sorte do casario tombado pelo Condephaat.

Ponte velha de madeira inaugurada com a rodovia em 1922 - foi substituída por uma de concreto nos anos 1940 - e na foto menor trecho não identificado da estrada , também em 1922

Nas fotografias, alguns trechos da estrada na época de sua inauguração, registrados pela Revista da Semana de 13 de maio de 1922. A inauguração foi feita em carreata pelo então Presidente do Etado Washington Luiz Pereira de Souza.