sexta-feira, 3 de abril de 2015

VIAGENS RIO-BELO HORIZONTE

Trem Vera Cruz em Belo Horizonte em 1979. Foto Herbert Graf
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Leonardo Bloomfield, que hoje mora em Petrópolis, RJ, trabalhou por anos a fio na Central do Brasil e na RFFSA. Começou nos anos 1950 e aposentou-se sei lá em que ano.

É um grande cara e conta causos e viagens de trens que fez, principalmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Como uma homenagem a ele, aqui vai a transcrição de algumas.

Na verdade, é um texto somente, mas onde ele dá as possibilidades de viagens entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte que existiam na época e que ele fazia com prazer. Leiam só:

"Como se ia de trem (do Rio) até Belo Horizonte, nos velhos e bons tempos de nossas vidas.

Pela Central, você tinha o "Vera Cruz" ou o Noturno, e um diurno chamado Rápido, mas que levava 16 horas para chegar lá.

Eu já fui por outros caminhos, ou seja, pela Leopoldina no Noturno, com carros de aço carbono até Cachoeiro do Itapemirim, em carro dormitório. Lá passava para um carro que eles chamavam de 1ª classe, de madeira, até Vitória. Saía de Barão de Mauá por volta das 20:00 hs, e chegava lá, se não atrasasse, às 19:00hs. No dia seguinte pegava o trem da Vale pela manhã, para chegar lá a noitinha.

Podia também, pela Leopoldina, pegar o "Inconfidente", com carros de aço carbono, que ia para Caratinga. Saia de Barão de Mauá e ao chegar em Campos Elísios, depois de Duque de Caxias, entrava na Variante Campos Elísios-Ambaí, na Linha Auxiliar da Central. Subia a serra de Governador Portela, ia até Três Rios. Lá, margeando o Rio Paraíba do Sul, seguia para Além Paraíba e depois para Ponte Nova. Aí se saltava do trem e se almoçava num restaurante da cidade, e pegava um carro, e em três horas estava em BH.

Outro caminho gostoso, era pegar o inox. diurno para São Paulo, saltava em Cruzeiro depois do almoço, e ali um aço carbono, da Rede Mineira de Viação, a famosa RUIM MAS VAI e com carro leito,  subindo a serra, passava por Três Corações, Divinópolis, e se chegava na manhã seguinte em BH.

Haja saco para se andar de trem, mas que era um "trem bão", garanto que sim, uai !!!!!!....... 

Leonardo Bloomfield"

Sempre é bom lembrar que hoje é impossível qualquer uma dessas viagens por trem. Algumas das linhas que ele cita nem são mais transitáveis.

3 comentários:

  1. Leopoldina, Caratinga, Três Rios e Além Paraíba. Quando de viagem de ônibus para a Bahia pousado por rodar todas estas cidades e especialmente nestes trechos do estado do Rio fico da janela "seguindo" estas ferrovias que tanto serviram a este país, as mesmas que hoje ou estão abandonadas ou só servem a cargueiros, de certa forma me remoendo por dentro, pois não pude viver esse prazer de viajar num desses trens de longe distância que, em até quem não conheceu, deixam saudades...

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  2. Os carros leitos e restaurantes do Trem de Prata estão em Juiz de Fora. Me impressiona o grau de conservação em que se encontram até os dias de hoje, logicamente descontando um inevitável grau de poeira e leve deterioração depois de tantos anos de inatividade.
    Ao entrar em alguns deles através do intermédio do grupo ferroviarista Amigos do Trem, a impressão que me fica é a do desperdício do zelo com que foram organizados e guardados, e desperdício também deste material e da utilidade pública que teria se estivessem em operação nos dias de hoje.
    Nós, brasileiro, temos pressa em descartar nosso presente sem planejamento e trabalho para garantir nosso futuro. O resultado é este passinho pra frente, passinho pra trás que vivemos como nação.

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    1. Estão em Santos Dumont, na realidade, ao norte de JF.

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