sábado, 7 de junho de 2014

PARANÁ: O RAMAL DO PARANAPANEMA E SUA "REFORMA"

Carregamento de dormentes no vagão PEC para distribuição ao longo do trecho. Ao fundo a antiga Matarazzo
 Surgem notícias que a ALL está recuperando o ramal do Paranapanema, o tal que foi construído entre os anos 1910 e 1930 para acabar com o "perigo paulista", como chamavam na época, ou seja, o envio das cargas do Norte Velho paranaense por terra (mesmo com estradas péssimas na época) para a linha da Sorocabana, próxima à divisa, enviar para o porto de Santos e ficar com os impostos.
Composição recém chegada do trecho, reparem as inúmeras folhas na locomotiva#4369 G-22 U
Curioso que, na época, todos sabiam dos planos da Sorocabana e sua linha-tronco (depois de Botucatu também chamada de "Linha do Tibagy") para o seu percurso.
Composição recém chegada do trecho, reparem as inúmeras folhas na locomotiva#4369 G-22 U
Em 1910 a linha que vinha de São Paulo para o rio Paraná, na divisa SP-MT, já havia umtrapassado Ourinhos, ponto mais próximo dessa linha com a divisa paranaense e, em 1922, alcançou  o rio Paraná em Presidente Epitácio. Somente em 1915 o Estado do Paraná, ou melhor, a São Paulo-Rio Gande começou a construir a linha que partia de Jaguariaíva e acompanharia a divisa com São Paulo para recolher as cargas e mandar para porto de Paranaguá. E somente 15 anos depois da chegada da Sorocabana a Presidente Epitácio é que a linha ficou pronta, alcançando Marques dos Reis às margens do rio Paranapanema, divisa com São Paulo e a poucos quilômetros de distância de Ourinhos.
Turma da via carregando as peças de dormentes no trem de lastro
Com a construção da linha de Ourinhos a Londrina, que já havia chegado a Londrina em 1935, o desvio de cargas (madeira, principalmente) havia aumentado para Santos e a ligaçãi das duas linhas em Ourinhos somente se deu em 1937. Aí, até convencer os clientes que seria melhor mandar para Paranaguá...
Vagões GFC carregados de pedra lastro brita#005Enfim, isto mostra que os governos sempre foram indecisos e lerdos para construir infra=estrutura no Brasil. O Paraná perdeu pelo menos 15 anos de cargas no seu porto por causa da falta de investimento na linha que interessava.

Em 1975, foi entregue outra linha, ligando Apucarana, no ramal de Londrina, a Ponta Grossa, linha com tecnologia bem mais moderna, mais reta, curvas mais elaboradas, o ramal do Paranapanema foi sendo abandonado aos poucos. Era preferível em alguns casos enviar via Sorocabana ou via ramal de Londrina-Apucarana-Ponta Grossa do que usar o ramal com todas as suas curvas anacrônicas.
Vista do pátio de Jaguariaíva com o estoque de dormentes para emprego no trecho (tem muito pouco)
Em 2001, a ALL, que já mal usava o ramal, abandonou-o.

Agora, fala-se que o ramal Apucarana-Ponta Grossa está saturado de cargas e a ALL está recuperando o velho ramal para desafogar parte do outro. O problema é que promessa da ALL, que, aliás, se estende a outras linhas paranaenses com pouco ou nenhum uso, é promessa vã. A firma não é séria. Ou será algum acordo com o governo até as eleições?

O fato, no entanto, é que há máquinas e movumentos na linha, como mostram as fotografias do Paulo Stradiotto, que me as mandou ontem.

Milagres acontecem? Há de se lembra também que a ALL está sendo vendida para a Rumo... isto influiria? Num país que não é sério, não se confia em governo nem em empresas.

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