segunda-feira, 28 de outubro de 2013

LEMBRANÇAS DE GORNI - CABRÁLIA PAULISTA

Esta foto tirada no trecho eletrificado de Bauru a Cabrália foi postada hoje mesmo no Facebook (Acervo Hugo Yamamura)

As histórias das velhas ferrovias brasileiras, principalmente da melhor delas, a mítica Companhia Paulista de Estradas de Ferro (vulgo CP), tendem a ser cada vez menos contadas à medida que vai passando o tempo. E foi graças a uma destas lembranças colocadas no Facebook hoje por Antonio Gorni que eu resolvi esticar um pouco mais o assunto, falar um pouco mais de Cabrália e da Paulista.

A empresa foi a última ferrovia a ser estatizada - e à força -, isto em 1961 e, até lá, mesmo com problemas de caixa já aparecendo e greves atrás de greves insufladas pelos "muy amigos" colegas de trabalho das ferrovias já estatizadas, como a Sorocabana (esta principalmente) e a Mogiana, era ainda famosa por ter bons trens (na verdade, nas linhas-tronco, ainda rentáveis e eram duas) e bons serviços.

Um dos trechos lendários era o que ligava Bauru a Cabrália Paulista. Como é que uma cidade tão pequena e hoje decadente pode ter tido uma influência tão grande nos sonhos dos velhos usuários dos trens da CP?
Cabralia Paulista hoje, no Google Maps. A foto foi postada também hoje no Facebook num comentário à foto do título.

Hoje sem estação (demolida há anos), sem trilhos (arrancados em 1976, quando começou a funcionar a variante Bauru-Garça, mais curta, mas não eletrificada e já terminada pela FEPASA) e com a vila ferroviária em péssimo estado, Cabrália, que por um tempo se chamou Mirante (anos 1930-40) tem 4.500 habitantes apenas e é apenas uma cidade decadente, com economia incipiente.

Mas nos "bons tempos", entre 1954 e 1976 - embora o trem já existisse desde 1924 - era na sua estação ferroviária que o trem da Paulista que ia para Adamantina e Panorama trocava a locomotiva, de elétrica para diesel. Era uma festa. "O ronco marcial da dupla de G12 rumo ao interior era fantástico..." conta Antonio Gorni, um dos mais fanáticos admiradores do trecho no qual pouco andou quando morou em Garça, cidade além-Cabralia.

Num belo dia de 1976, o trem acabou, o ritual de troca de locomotivas idem, aliás, a passagem de trens idem. Era a única atração turística da cidade, que simplesmente acabou de um dia para o outro. Uma das elétricas que chegavam até ali eram as chamadas "Quadradinhas", que passavam por um trecho colahado de curvas.

Eu, que fui de São Paulo a Panorama de trem com minha querida Ana Maria em 1978, já não peguei esse festival. Fiz a variante Bauru-Garça, mesmo e a troca de locomotivas elétricas para diesel deu-se no enorme pátio de Bauru mesmo.

E Cabrália só verá o trem novamente no dia em que os porcos voarem, num dia de milagres do Divino Espírito Santo.


2 comentários:

  1. Na imagem dá para "ver" o antigo leito da Companhia Paulista na parte de cima da fotografia, onde se pode notar uma espécie de "cicatriz" na paisagem. Há algum tempo atrás eu lhe passei uma foto da rodovia, mostrando como está o trecho por onde passava a ferrovia antigamente, com os suportes do antigo pontilhão ferroviário que havia ali quando a estrada era de terra, e que hoje estão semi-enterrados, mas ainda visíveis, junto à atual rodovia asfaltada. Cabrália nunca s recuperou do fim da ferrovia por ali, e o Brasil sente hoje todos os efeitos do descaso com que tratou suas estradas de ferro, infelizmente...

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  2. Minha vó mora em Cabrália,meu avô,um primo distante e uma tia distante estão enterrados nela,estive lá no final do ano passado,a cidade tem dado uma melhorada com a entrega de uma rodoviária,recapemento de ruas(uma coisa que precisava ser feita há anos e não era feita),instalação de radares na SP-293(reinvindicação antiga dos moradores),mas a cidade quase 40 anos depois que perdeu a ferrovia não se recuperou do baque.

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