sábado, 24 de novembro de 2012

A SALVAÇÃO DA BRAGANTINA?

Nos idos de 1950, a Estrada de Ferro Bragantina era uma ferrovia decadente de bitola métrica que ligava a estação de Campo Limpo Paulista, na Santos-Jundiaí - hoje é estação da CPTM - a cidades como Atibaia e Bragança Paulista. As extremidades da linha estavam em Piracaia, depois de Atibaia, e em Vargem, município paulista junto à fronteira mineira. Note-se que na estação de Caetetuba, entrada de Atibaia para quem vem de Campo Limpo, a ferrovia se bifurcava, seguindo pelas duas linhas citadas.

Hoje, com exceção de boa parte das estações desativadas e geralmente em mau estado, nada mais existe dessa ferrovia, desativada em 1967. As duas estações que ficavam na zona urbana de Bragança Paulista (Taboão e Bragança) foram demolidas.

O fato é que os principais motivos para a ferrovia já estar com pouco movimento em 1950 devia-se principalmente ao fato de que essas cidades, apesar de relativamente próximas à Capital paulista, somente podiam ser atingidas por ferrovia depois de uma baldeação em Campo Limpo (por causa da diferença de bitolas) e pelo fato de se dar uma volta bastante grande, deixando o caminho longo demais comparando-se às vias de acesso rodoviárias, que, mesmo ainda sendo precárias na época, ainda faziam um percurso mais rápido com automóveis e ônibus intermunicipais.

Em junho e julho 1950, a imprensa - mais precisamente, a Folha da Manhã, atual Folha de S. Paulo - publicou pelo menos duas reportagens sobre um projeto, que jamais veio a ser transformado em realidade, que poderia ter reavivado a Bragantina, fazendo, inclusive, que essa ferrovia (e mesmo outras da região) viessem a sobreviver até hoje, como linhas de trens metropolitanos.

Tal projeto visava a diminuição da distância ferroviária, ligando a E. F. Cantareira, a Mogiana e a Bragantina. O mapa abaixo mostra essas ligações.

Tratava-se da ligação da estação de Guarulhos, da Cantareira, com Bragança, passando por dois (atuais) municípios, Nazaré e Bom Jesus dos Perdões, e depois a Monte Alegre do Sul, na linha da Mogiana, ramal de Amparo. No mapa, todas as linhas mostradas ainda funcionavam, exceto, claro, a que está tracejada, que é justamente o projeto. Tanto Atibaia como Bragança, além de Monte Alegre, poderiam ser beneficiadas com ele.

Por um motivo ou outro, essa ferrovia, seja qual fosse seu nome, não se concretizou - aliás, o número de projetos ferroviários em São Paulo e no Brasil dariam uma verdadeira enciclopédia.

5 comentários:

  1. Ralph, me corrija se estiver errado mas alinha 1 do metrô de sp segue sentido sul-norte em direção a antiga EF cantareira certo? Então numm futurootimista o contínuo prolongamento dessa linha resultaria no traçado desse projeto?

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  2. Olá, Ralph, seguindo o Google Maps, ainda existe alguns metros de linha em Atibaia, que terminam no virador, confere?Fui acompanhando a Estrada da Bragantina, desde Campo Limpo, seria ela o leito da EF Bragantina?

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    1. A linha de Atibaia é particular e nela correu durante algum tempo - nos últimos 20 anos - uma locomotiva a vapor com alguns carros. Nada tem a ver com a Bragantina, o leito jamais passou naquele local.

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  3. Tenho curiosidade de saber onde era o antigo tracado desta ferrovia desde campo limpo e tambem a ytuana saindo de jundia e antiga linha campinas mairinque

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