Automotriz Budd em Juiz de Fora em 27 de dezembro de 2009. Foto Arthur Bilheri Ontem o senhor de meia-idade rabugento (eu) desceu o porrete na velocidade e falta de seriedade com que as coisas são feitas quando se trata de ferrovias no Brasil. Mas nem tudo são espinhos nem o inferno tomou conta de tudo que se relacione a elas.
Por exemplo, eu não citei as obras da Trensurb, que depois de mais de vinte anos de operação finalmente conseguiu desencantar e está seguindo com seus trilhos no sentido de Novo Hamburgo. Ou seja, os gaúchos vão voltar a ter o que tiveram durante cento e dez anos, um trem para levá-los de Porto Alegre para Novo Hamburgo. Aliás, este era o nome da ferrovia original em 1872, a primeira daquela Província.
Enquanto isso, paranaenses, catarinenses, gaúchos e sul-matogrossenses se unem para ver se conseguem desencantar os prolongamentos da Ferroeste e sua junção com a Norte-Sul (que, aliás, está longe deles ainda, mas segue avançando). A notícia saiu ontem e diz que a ferrovia deverá facilitar o envio dos grãos provenientes das cidades de Maracaju e Dourado, ambas no MS, para o porto de Paranaguá.
A ferrovia resultante de tudo isso seria chamada de Ferrosul e esticaria os trilhos por um ou mais ramais que chegariam a SC e ao RS. Resta saber se isso vai sair mesmo ou vai ficar no “vai fazer”. Fora isso, há que se destravar o gargalo da linha existente entre Guarapuava e Irati, velha e cheia de curvas, e a retificação dos trilhos entre Irati e Engenheiro Bley, que reduziria distância e tempo entre Cascavel e Paranaguá, ligação, aliás, prevista há mais de oitenta anos.
O interessante é que, na verdade, as duas cidades já têm essa ligação há muito tempo com o porto de Santos, através de um ramal abandonado há catorze anos (Ponta Porã) e de uma linha pouquíssimo utilizada, ou seja, o trecho Campo Grande–Três Lagoas, da antiga Noroeste. Sim, são linhas antigas, mas mostram que a ligação existe e somente não se as usa porque não se quer. Não seria o caso de pelo menos por enquanto usar isso e aguardar a linha nova ser aberta, mais curta e rápida e com um porto mais eficiente como é Paranaguá (pelo menos isto é o que se lê)? É por aí que se vê que as notícias não espelham toda a verdade.
Finalmente, o Expresso Pai da Aviação. Estranha-me muito ser dada a alcunha de um aviador, aliás, o mais famoso deles, a uma composição ferroviária. Sei que Santos Dumont é a terra dele, por isso leva seu nome, mas, mesmo assim, o que ele realmente tem a ver com trens? (A não ser o fato que, diz a lenda, teria pilotado as locomotivas a vapor das fazendas de seu pai e de seu irmão, respectivamente em Ribeirão Preto e Amália, em São Paulo, e aí aprendido mecânica.) Bom, para quem não sabe, é um trem turístico — ou melhor, uma automotriz de aço inox Budd recuperada, fazendo o percurso de Santos Dumont a Juiz de Fora em finais de semana. O teste foi feito há dez dias em Santos Dumont. É sempre uma boa notícia ver um novo trem andando pelos trilhos brasileiros.
Por exemplo, eu não citei as obras da Trensurb, que depois de mais de vinte anos de operação finalmente conseguiu desencantar e está seguindo com seus trilhos no sentido de Novo Hamburgo. Ou seja, os gaúchos vão voltar a ter o que tiveram durante cento e dez anos, um trem para levá-los de Porto Alegre para Novo Hamburgo. Aliás, este era o nome da ferrovia original em 1872, a primeira daquela Província.
Enquanto isso, paranaenses, catarinenses, gaúchos e sul-matogrossenses se unem para ver se conseguem desencantar os prolongamentos da Ferroeste e sua junção com a Norte-Sul (que, aliás, está longe deles ainda, mas segue avançando). A notícia saiu ontem e diz que a ferrovia deverá facilitar o envio dos grãos provenientes das cidades de Maracaju e Dourado, ambas no MS, para o porto de Paranaguá.
A ferrovia resultante de tudo isso seria chamada de Ferrosul e esticaria os trilhos por um ou mais ramais que chegariam a SC e ao RS. Resta saber se isso vai sair mesmo ou vai ficar no “vai fazer”. Fora isso, há que se destravar o gargalo da linha existente entre Guarapuava e Irati, velha e cheia de curvas, e a retificação dos trilhos entre Irati e Engenheiro Bley, que reduziria distância e tempo entre Cascavel e Paranaguá, ligação, aliás, prevista há mais de oitenta anos.
O interessante é que, na verdade, as duas cidades já têm essa ligação há muito tempo com o porto de Santos, através de um ramal abandonado há catorze anos (Ponta Porã) e de uma linha pouquíssimo utilizada, ou seja, o trecho Campo Grande–Três Lagoas, da antiga Noroeste. Sim, são linhas antigas, mas mostram que a ligação existe e somente não se as usa porque não se quer. Não seria o caso de pelo menos por enquanto usar isso e aguardar a linha nova ser aberta, mais curta e rápida e com um porto mais eficiente como é Paranaguá (pelo menos isto é o que se lê)? É por aí que se vê que as notícias não espelham toda a verdade.
Finalmente, o Expresso Pai da Aviação. Estranha-me muito ser dada a alcunha de um aviador, aliás, o mais famoso deles, a uma composição ferroviária. Sei que Santos Dumont é a terra dele, por isso leva seu nome, mas, mesmo assim, o que ele realmente tem a ver com trens? (A não ser o fato que, diz a lenda, teria pilotado as locomotivas a vapor das fazendas de seu pai e de seu irmão, respectivamente em Ribeirão Preto e Amália, em São Paulo, e aí aprendido mecânica.) Bom, para quem não sabe, é um trem turístico — ou melhor, uma automotriz de aço inox Budd recuperada, fazendo o percurso de Santos Dumont a Juiz de Fora em finais de semana. O teste foi feito há dez dias em Santos Dumont. É sempre uma boa notícia ver um novo trem andando pelos trilhos brasileiros.



