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domingo, 13 de março de 2011

CARAGUATATUBA EA PRESSÃO POR EDIFÍCIOS ALTOS

Caraguatatuba vista do céu: não basta o que já se tem?
No jornal de ontem: o município de Caraguatatuba quer aumentar o gabarito de seus edifícios para até 25 andares. Atualmente, somente se pode construir até oito andares. E diz: não será na rua da praia, mas em ruas mais afastadas, para não fazer sombra na praia...

Parece piada. As cidades sofrem cada vez mais com o trânsito causados pelo excesso de moradores concentrados nas áreas com excesso de edifícios altos e os governos não aprendem. Apenas sabem ceder às pressões das construtoras. E por que cedem, afinal? Porque os vereadores, secretários e prefeitos são convencidos pelo marketing das empresas? Ora, façam-me o favor.

Não adianta me dizer que isso embeleza a cidade (papo furado), que aumenta a renda da cidade (e as despesas também), que a infraestrutura será compensada (sei...). O fato é que isso é prejudicial para as cidades. Caraguatatuba poderia ter mais turistas se liberasse o gabarito? Talvez, mas a cidade precisa mesmo de mais turistas?

Piso aqui em um terreno perigoso: não vou a Caraguatatuba há muitos anos e não conheço a cidade suficientemente para dizer que sua infraestrutura atual não aguentará a liberação da altura. Sei, no entanto, que a passagem de veículos, caminhões e ônibus pela zona urbana da cidade - pois a estrada jamais foi construída fora dela - é um problema que nunca foi resolvido. A liberação de prédios com excessivos números de apartamentos somente vai piorar isto. Ou vão me dizer que as obras da estrada, agora sim, serão feitas?

Não há meio de nossos políticos aprenderem. Quando são criticados, têm respostas imbecis na ponta da língua. Uma delas é "isto dará empregos e fará crescer a renda, estimulando a economia". Sim, estimular a economia baixando a qualidade de vida nas cidades? É o que vem acontecendo. Por que não investir, então, na infraestrutura das cidades - asfaltamento de ruas, melhora dos traçados urbanos, educação no trânsito, reforma e restauro dos edifícios já existentes e degradados ou sem condições de uso, etc.? Acham por acaso que isto empregaria poucas pessoas?

E que aprendam a dar um chute no traseiro das incorporadoras, apresentando alternativas viáveis para novos empregos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

TROPA DE CHOQUE

O Guarujá em 1905. Grande Hotel de La Plage. Ao fundo, a estação ferroviária, em frente à praia de Pitangueiras.

O Governo do Estado anuncia que está mandando tropas de choque para Santos e Guarujá e outras cidades do litoral paulista para combater a onda de crimes, incluindo assassinatos, que está ocorrendo lá nessas bandas já há mais de uma semana. Coincidência ou não, ele toma providências pouco depois que o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo recomendou evitar viagens à região.

A prefeita do Guarujá "lamenta o posicionamento equivocado do consulado. Somos cidades turísticas e essa recomendação mexe com nossa economia". Palavras imbecis. Mostram que, por elas, a prefeita está mais preocupada com a economia da cidade do que com a segurança de quem mora ou viaja para lá.

Afirma que o consulado exagerou. Mesmo? Afirmações de amigos há alguns dias dão conta de que eles estiveram no Guarujá há poucas semanas e a recomendação dos moradores em volta à casa onde eles estavam hospedados era que permanecessem dentro do apartamento, pois o risco de assalto era muito grande. E que não saíssem durante a noite.

Alguém duvida que as tropas de choque só foram mandadas para lá por causa do que o consulado falou? Afinal, se a prefeita é contra...

Precisamos escolher melhor em quem votamos. Pior: Estamos ficando sem escolha.

Há poucos dias relatei a minha estada no Guarujá exatos 41 anos atrás. Era tão tranquilo que se podia andar pelas ruas à noite, de madrugada... não havia problema algum. Logo depois, começou a história dos problemas da baixada.

Deus salve os políticos, porque o povo não tem quem os salve.