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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

1924: LOTEANDO GUARULHOS - VILA SÃO RAFAEL



O mapa publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 1924 mostra o loteamento com a posição norte apontando para o leste...


Dos diversos loteamentos que foram criados no ano de 1924 na área que atualmente é a Grande São Paulo, houve um que foi implantado em Guarulhos, na divisa do município de São Paulo e encostado nos campos que, naquele tempo, haviam sido utilizados pelo aviador Edu Chaves: era a Villa São Raphael.

Para facilitar a comparação com os mapas atuais, aqui o mapa de 1924 aparece com o norte correto

Em tempos em que não existiam leis de zoneamento, em Guarulhos os loteamentos que iam aparecendo na sua maioria seguiam a linha do Tramway da Cantareira e podiam ter seus lotes preenchidos por residências ou indústrias, a não ser que os contratos de compra e venda especificassem que deveria ser de uma forma ou de outra. Não parece ter sido o caso da Villa São Rafael, que, aliás, não estava tão próxima assim da ferrovia, embora citasse no anúncio o bairro da Villa Augusta, que tinha uma estação do tramway.



Aqui dá para ver o loteamento com suas ruas no dia de hoje. Note-se que algumas ruas também trocaram de nome, outras mantiveram os nomes originais. Outras desapareceram e uma ou outra foi criada no loteamento posteriormente à data de venda. (Google Maps)


Uma das divisas do loteamento era o Córrego do Cabuçu, ou Cabuçu de Baixo, que já era a divisa entre os municípios de São Paulo e de Guarulhos. Cerca de 30-40 anos depois, a construção da Rodovia Fernão Dias acompanhou, naquele ponto, o córrego. Por causa desta estrada, uma parte da Villa São Rafael, junto ao rio, parece ter sido sacrificada com desapropriações - basta comparar o mapa original do loteamento com o mapa de hoje.


No centro do loteamento, a mata mostra partes que continham lotes e que hoje continuam sendo parte da varzea do córrego que ali cruza - cujo nome não sei.

Pode-se verificar, comparando o mapa de 1924 com o de 2017, que diversas ruas acabaram por ser eliminadas, enquanto algumas foram criadas desde então. E, ainda por cima, um grande número de lotes parede não ter vingado - há um córrego, certamente afluente do Cabuçu, que continua ali, a céu aberto e com sua várzea ainda hoje parecendo uma pequena selva quando olhada de cima.

O Parque Edu Chaves, a oeste da Vila São Rafael de hoje, aparece do outro lado do rio e da rodovia como tendo ruas em forma de circunferência.

domingo, 27 de dezembro de 2015

A SÃO PAULO DESPOVOADA (I)

Mapas Sara Brasil (1930) e Editora Abril (2003).

São Paulo, em 1930, era um município que cerca de 60 a 70 por cento da área de hoje. Isto porque Santo Amaro não lhe pertencia (da atual avenida dos Bandeirantes para o sul, mais todo o Morumbi de hoje era de Santo Amaro) e o atual município de Osasco ainda era parte de São Paulo.

Sua população era de quase 900 mil habitantes em 1930. Mesmo assim, ainda havia grandes áreas vazias no município, concentradas principalmente nas atuais Zonas Leste e Norte.

Uma dessas áreas era a da avenida Itaberaba, na Zona Norte. É interessante ver como se encheu de ruas esta região a partir de mapas de 1930 e de 2003. De 2003 até hoje, pouco se alterou essa região, pelo menos no traçado das ruas, já saturado doze anos atrás.

A Estrada de Itaberaba teve o nome alterado para Avenida Itaberaba. Os córregos da Água da Pedra e do Cabuçu de Baixo (era Cabussu de Baixo) foram canalizados e entubados, dando origem, respectivamente, às avenidas João Paulo I e Inajar de Souza.

A imensa maioria das ruas existentes em 2003 nem existia em 1930. As poucas que existiam nem tinham nome ou tinham denominações diferentes da atual. A rua Parapuã, por exemplo, uma das mais importantes do bairro, não tinha nome algum, nem se sabe se já era transitável - mas o leito é mostrado no mapa de 1930. A igreja Santa Cruz de Itaberaba, na esquina da avenida Itaberaba com a rua Parapuã, era uma capela, cujo nome nem era citado no mapa antigo.

A Vila Brasilândia não existia.

Enfim, dá para se divertir, principalmente para quem conhece a região, bastante olhando os dois mapas.