domingo, 22 de julho de 2012

AS ESQUECIDAS HISTÓRIAS DA ESTAÇÃO DE SANTA TEREZA, EM RIBEIRÃO PRETO

A estação de Santa Tereza na época de sua inauguração, em 1911

Quem passa hoje pelo contorno sul da cidade de Ribeirão Preto, vindo do oeste e presta atenção ao que existe em volta, vai ver que, no ponto onde a continuação da rua Caramuru (que vem da Vila Tibério e que percorre em grande parte aproximadamente o leito da antiga linha original da Mogiana), pode notar ao alto, à esquerda, um condomínio residencial de casas, dentro do qual, no alto da colina, está o prédio da antiga estação ferroviária de Santa Tereza.

Até o final de abril de 1964, esta era a última parada do trem de passageiros da Mogiana que vinha de Campinas, antes da estação central de Ribeirão Preto. Dali ele seguia ainda para Uberlândia e Araguari, além de possibiltar baldeações para outras linhas que seguiam para Sertãozinho, Franca e outras cidades.

Então, numa manhã de março de 1944, uma composição de carga descarrilou perto da estação de Santa Tereza. O trem rápido noturno que vinha de Campinas teve de ficar retido próximo à estação (antes ou depois? a reportagem da Folha da Manhã da época não diz). O trem rápido do dia seguinte atrasou, por isto, três horas - teve de seguir pelo ramal de Jataí, que fazia também o percurso entre São Simão e Ribeirão Preto, mas através de uma grande volta a oeste da linha principal - 120 km pelo ramal contra 57 km pelo tronco.

Já do trem que ficou retido, os passageiros tiveram de descer e seguir para outro ponto, onde tomaram outro trem para seguir para Ribeirão Preto.

Que ponto foi esse? A reportagem fala que "os passageiros tiveram de andar 1.500 metros para tomar a nova composição". Até onde eles andaram? Se estavam próximos a Santa Tereza, devem ter seguido para a estação de Silveira do Val, onde teriam tomado um trem no ramal. Porém, se estivessem adiante da estação (o descarrilamento poderia ter sido, por exemplo, entre as estações de Santa Tereza e de Ribeirão Preto, mais próximo desta), eles poderiam ter seguido para a estação central.

O fato é que deve ter sido uma longa noite para os passageiros já cansados. Santa Tereza ficava, na época, no meio do mato e no alto da colina. Sem iluminação, teriam de seguir mais facilmente pela linha como referencial. Até Silveira do Val, seria quase impossível, sem caminhos diretos e sem luz. Seguir para trás, para Vila Bonfim, não resolveria: o trem não poderia seguir em frente também.

Não houve mortos nem feridos e todos sobreviveram. São histórias do tempo em que se tinha a oportunidade de andar de trem pelo Brasil.

Um comentário:

  1. As duas linhas possuem algumas particularidades. Enquanto a linha tronco vem de Bonfim por uma cota mais baixa e segue pela Caramuru, o ramal vem lá de cima de Silveira do Val e "despenca" até cruzar a parte mais baixa da fazenda do IAC, já junto do anel viário. A chegada em Ribeirão pelo ramal de Jataí devia ser fantástica. Nas imediações de Silveira do Val o passageiro tinha uma visão panorâmica de Ribeirão, lá embaixo ao longe. Esta visão é ainda encantadora. Entre o tronco e o ramal existia o Horto da Mogiana e a Mata de Santa Tereza, fragmento da fazenda da família Silveira do Val. Uma linha dista da outra cerca de 3 km. Ainda hoje é possível encontrar fragmentos do ramal lá em cima, inclusive trechos com a faixa da linha intacta, com o empedramento e algum mato. Hoje a faixa da linha tronco ainda existe, segue pela Caramuru, passa pela Estação de Sta Tereza, cruza o anel viário e segue por um leito arborizado até um campo de golf, sentido Bonfim.

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