quarta-feira, 7 de novembro de 2012
CIDADES QUE VISITEI (III) - RIVE, ES
Estive no distrito de Rive, no Espírito Santo, em 2008. O bairro pertence ao município de Alegre. Foi fundado em volta de uma estação ferroviária da Leopoldina que já foi demolida e que originalmente se chamava Engenheiro Reeve, homem que trabalhou e morreu na construção do ramal há mais de cem anos. Há ainda diversos belos casarões por ali, com os que fotografei nessa visita e que seguem abaixo. Lá embaixo, a localização, no Google.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
UM PASSEIO EM INTERLAGOS HÁ (QUASE) 65 ANOS
Mapa publicado pela Folha da Manhã em 1949 - está fora de qualquer escala e não é norte-sul; porém, dá uma boa ideia do trajeto
(Nota: texto original alterado por postagem posterior)
De um artigo publicado no jornal Folha da Manhã em fevereiro de 1949, dá para se saber algo sobre alguns caminhos na São Paulo de então. Passaram-se já quase 65 anos e muita coisa mudou na cidade.
O articulista propunha fazer um passeio do centro da cidade até o "Recanto dos Lagos Paulistas". Não, não era tão longe: apenas 28 quilômetros, todo em asfalto, tanto na ida como na volta. Na sua descrição, ele sugeria sair da Praça da Sé, mesmo, citando ainda que se poderia usar o bonde até Socorro e dali, um ônibus até o autódromo e os "lagos" - que nada mais eram do que as represas Guarapiranga e a "Represa Nova", a Billings.
Somente um desavisado - ou aventureiro - faria o mesmo caminho hoje. Há de concordar comigo quem vir o trajeto descrito a partir de agora. Saímos (em 1949) de automóvel do marco zero, na Praça da Sé, em frente à catedral ainda inacabada e sem suas torres, para a Praça das Bandeiras. Ali tomamos a Nove de Julho, passando pelo túnel, até a avenida Brasil. Ali viramos à esquerda (sim, podia-se virar à esquerda ali. Não era fantástico?) e seguimos até a Brigadeiro Luiz Antonio. Ali fomos até o início da "Estrada Nova" de Santo Amaro. Notar que a Brigadeiro tinha duas mãos; hoje, não seria possível fazer este caminho. A Estrada Nova nada mais é hoje do que o eixo República do Líbano - Indianópolis, entrando depois pela Moreira Guimarães e a Washington Luiz.
Seguimos a Estrada Nova - que, segundo o relato estava com asfalto ruim, "desde que passou a pertencer ao município" (a Auto-Estrada de Santo Amaro, como era originalmente chamada, era de uma firma particular, que cobrava pedágio por seu uso. Isto durou até meados dos anos 1940) - até que cruzamos a linha do bonde de Santo Amaro (cuidado!), que era a atual avenida Ibirapuera, com linha exclusiva para os trilhos e toscos caminhos de terra estreitos e paralelos ao leito férreo para atender às residências que existiam a partir daquele ponto no sentido de Santo Amaro.
Seguimos pela estrada e subimos até encontrarmos, no topo, uma curva para a direita. Se não fizéssemos a curva, teríamos de seguir pela avenida Araci, em terra batida, e cair lá no Jabaquara. Esta "Araci" nada mais era do que a continuação da atual avenida Indianópolis - que passou mais tarde a ser todo o trecho da avenida Ibirapuera até a avenida Jabaquara. Ali no alto não existia o viaduto de hoje: a Estrada Nova descia para o leito da atual Moreira Guimarães (que todos chamam erradamente naquele trecho de Rubem Berta). Pelo que eu particularmente me lembro, nessa época ainda deveria ser pista única, duplicada somente nos anos 1960. Ao lado esquerdo dela, o "Hospital das Crianças", aquele belo prédio antigo que hoje é a Cruz Vermelha, e, logo depois, o aeroporto.
Depois dali o asfalto continua, mas em mau estado. Citou nosso escritor os hangares do aeroporto, que ainda existem, e, do lado direito da estrada, um "edifício abandonado que se destinaria a ser um estúdio cinematográfico". Era onde hoje está o prédio de concreto do Supermercado Extra, ex-Jumbo Aeroporto. A partir daí, a estrada se estreita, e, logo depois, surgiu uma "estrada asfaltada para o Brooklyn". Creio ser esta a rua Joaquim Nabuco.
Passamos então por um posto de gasolina do lado esquerdo (existirá ainda?) e logo depois o "núcleo residencial do Jardim Prudência", recém-loteado então. Logo depois, o Lago das Carpas (lago, ali? Coisa antiga, mesmo!). Ao longe, vimos um cartaz (placa) indicando à esquerda, a estrada para Interlagos e, para a direita, para Santo Amaro (é a continuação da Estrada Nova, que deixamos então). Este é o atual enorme cruzamento da Avenida Interlagos com a continuação da Washington Luiz, naquele trecho ainda em pista única até hoje, espremido entre os muros da Chácara Flora e as ruas estreitas do Jardim Marajoara.
Logo em seguida, uma estrada de terra para Nova Caledônia (bairro do qual jamais ouvi falar) e, logo em seguida, uma cerâmica. Subimos a estrada de Interlagos, bastante estreita, em meio a bosques de eucalipto até que atingimos um cruzamento onde havia uma estrada que à esquerda seguia para Pedreira e, para a direita, Santo Amaro - era a Estrada da Pedreira (trata-se hoje da avenida Nossa Senhora do Sabará).
Logo depois, passamos pelas "obras de terraplanagem da Sorocabana para construir a linha que levará até Engenheiro Marsilac" - a atual linha 9 da CPTM, que seria aberta somente oito anos depois. E cruzamos a ponte de concreto sobre o canal do rio Grande. Logo depois da ponte, a nova antena da Rádio Tupi (ainda existe ali?).
Pudemos ver à esquerda a "povoação operária de Pedreira ao pé da barragem da represa nova". Ao longe, o lago. À direita, saía uma estrada de terra batida e, mais adiante, chegamos ao "balão final da estrada" (Pelo que imagino, o fim da atual av. Interlagos em frente ao autódromo). Na faixa final do asfalto, vimos à esquerda a pista de corrida e, à direita, o Hotel Interlagos, "onde há praia e recantos para passeios, repousos, lanches, etc.". Ainda pudemos avistar do outro lado do lago a seção de iatismo do Tenis Clube. "Em frente, a Ilha dos Amores; à esquerda, as pontas vermelhas do Castelo, edifício plantado entre eucaliptos e ciprestes, em parque que se encontra contornando o lago". Os ingleses da colônia britânica os usavam sempre.
Do balão citado, saía uma estrada de terra batida que seguia para o Clube de Campo - hoje, a avenida Teotônio Vilela, ex-estrada de Parelheiros. Para o retorno, estrada de terra até a rua Manoel Preto, dali até a avenida De Pinedo, atravessando o coração de Santo Amaro (na verdade, aqui ele se enganou: ali sempre foi o centro do bairro do Socorro). Atravessamos então a ponte do canal do rio Pinheiros, "onde se encontra, do lado esquerdo, a ponte de concreto, ainda não acabada, para bondes", chegamos ao balão final do bonde de Santo Amaro (hoje próximo à avenida Victor Manzini) e chegamos à estrada velha de Santo Amaro (hoje, a avenida Adolfo Pinheiro, naquele trecho a partir do largo Treze de Maio até o Borba Gato, que não existia então - depois disso, avenida Santo Amaro, hoje). O piso bem conservado, exceto em pequenos trechos. Fomos até o largo do Bibi (hoje, entroncamento das avenidas Santo Amaro e Brigadeiro Luiz Antonio e ainda rua Joaquim Floriano, chamado praça Gastão Liberal Pinto).
Finalmente, pela Brigadeiro, regressamos ao centro... ainda em 1949.
(Nota: texto original alterado por postagem posterior)
De um artigo publicado no jornal Folha da Manhã em fevereiro de 1949, dá para se saber algo sobre alguns caminhos na São Paulo de então. Passaram-se já quase 65 anos e muita coisa mudou na cidade.
O articulista propunha fazer um passeio do centro da cidade até o "Recanto dos Lagos Paulistas". Não, não era tão longe: apenas 28 quilômetros, todo em asfalto, tanto na ida como na volta. Na sua descrição, ele sugeria sair da Praça da Sé, mesmo, citando ainda que se poderia usar o bonde até Socorro e dali, um ônibus até o autódromo e os "lagos" - que nada mais eram do que as represas Guarapiranga e a "Represa Nova", a Billings.
Somente um desavisado - ou aventureiro - faria o mesmo caminho hoje. Há de concordar comigo quem vir o trajeto descrito a partir de agora. Saímos (em 1949) de automóvel do marco zero, na Praça da Sé, em frente à catedral ainda inacabada e sem suas torres, para a Praça das Bandeiras. Ali tomamos a Nove de Julho, passando pelo túnel, até a avenida Brasil. Ali viramos à esquerda (sim, podia-se virar à esquerda ali. Não era fantástico?) e seguimos até a Brigadeiro Luiz Antonio. Ali fomos até o início da "Estrada Nova" de Santo Amaro. Notar que a Brigadeiro tinha duas mãos; hoje, não seria possível fazer este caminho. A Estrada Nova nada mais é hoje do que o eixo República do Líbano - Indianópolis, entrando depois pela Moreira Guimarães e a Washington Luiz.
Seguimos a Estrada Nova - que, segundo o relato estava com asfalto ruim, "desde que passou a pertencer ao município" (a Auto-Estrada de Santo Amaro, como era originalmente chamada, era de uma firma particular, que cobrava pedágio por seu uso. Isto durou até meados dos anos 1940) - até que cruzamos a linha do bonde de Santo Amaro (cuidado!), que era a atual avenida Ibirapuera, com linha exclusiva para os trilhos e toscos caminhos de terra estreitos e paralelos ao leito férreo para atender às residências que existiam a partir daquele ponto no sentido de Santo Amaro.
Seguimos pela estrada e subimos até encontrarmos, no topo, uma curva para a direita. Se não fizéssemos a curva, teríamos de seguir pela avenida Araci, em terra batida, e cair lá no Jabaquara. Esta "Araci" nada mais era do que a continuação da atual avenida Indianópolis - que passou mais tarde a ser todo o trecho da avenida Ibirapuera até a avenida Jabaquara. Ali no alto não existia o viaduto de hoje: a Estrada Nova descia para o leito da atual Moreira Guimarães (que todos chamam erradamente naquele trecho de Rubem Berta). Pelo que eu particularmente me lembro, nessa época ainda deveria ser pista única, duplicada somente nos anos 1960. Ao lado esquerdo dela, o "Hospital das Crianças", aquele belo prédio antigo que hoje é a Cruz Vermelha, e, logo depois, o aeroporto.
Depois dali o asfalto continua, mas em mau estado. Citou nosso escritor os hangares do aeroporto, que ainda existem, e, do lado direito da estrada, um "edifício abandonado que se destinaria a ser um estúdio cinematográfico". Era onde hoje está o prédio de concreto do Supermercado Extra, ex-Jumbo Aeroporto. A partir daí, a estrada se estreita, e, logo depois, surgiu uma "estrada asfaltada para o Brooklyn". Creio ser esta a rua Joaquim Nabuco.
Passamos então por um posto de gasolina do lado esquerdo (existirá ainda?) e logo depois o "núcleo residencial do Jardim Prudência", recém-loteado então. Logo depois, o Lago das Carpas (lago, ali? Coisa antiga, mesmo!). Ao longe, vimos um cartaz (placa) indicando à esquerda, a estrada para Interlagos e, para a direita, para Santo Amaro (é a continuação da Estrada Nova, que deixamos então). Este é o atual enorme cruzamento da Avenida Interlagos com a continuação da Washington Luiz, naquele trecho ainda em pista única até hoje, espremido entre os muros da Chácara Flora e as ruas estreitas do Jardim Marajoara.
Logo em seguida, uma estrada de terra para Nova Caledônia (bairro do qual jamais ouvi falar) e, logo em seguida, uma cerâmica. Subimos a estrada de Interlagos, bastante estreita, em meio a bosques de eucalipto até que atingimos um cruzamento onde havia uma estrada que à esquerda seguia para Pedreira e, para a direita, Santo Amaro - era a Estrada da Pedreira (trata-se hoje da avenida Nossa Senhora do Sabará).
Logo depois, passamos pelas "obras de terraplanagem da Sorocabana para construir a linha que levará até Engenheiro Marsilac" - a atual linha 9 da CPTM, que seria aberta somente oito anos depois. E cruzamos a ponte de concreto sobre o canal do rio Grande. Logo depois da ponte, a nova antena da Rádio Tupi (ainda existe ali?).
Pudemos ver à esquerda a "povoação operária de Pedreira ao pé da barragem da represa nova". Ao longe, o lago. À direita, saía uma estrada de terra batida e, mais adiante, chegamos ao "balão final da estrada" (Pelo que imagino, o fim da atual av. Interlagos em frente ao autódromo). Na faixa final do asfalto, vimos à esquerda a pista de corrida e, à direita, o Hotel Interlagos, "onde há praia e recantos para passeios, repousos, lanches, etc.". Ainda pudemos avistar do outro lado do lago a seção de iatismo do Tenis Clube. "Em frente, a Ilha dos Amores; à esquerda, as pontas vermelhas do Castelo, edifício plantado entre eucaliptos e ciprestes, em parque que se encontra contornando o lago". Os ingleses da colônia britânica os usavam sempre.
Do balão citado, saía uma estrada de terra batida que seguia para o Clube de Campo - hoje, a avenida Teotônio Vilela, ex-estrada de Parelheiros. Para o retorno, estrada de terra até a rua Manoel Preto, dali até a avenida De Pinedo, atravessando o coração de Santo Amaro (na verdade, aqui ele se enganou: ali sempre foi o centro do bairro do Socorro). Atravessamos então a ponte do canal do rio Pinheiros, "onde se encontra, do lado esquerdo, a ponte de concreto, ainda não acabada, para bondes", chegamos ao balão final do bonde de Santo Amaro (hoje próximo à avenida Victor Manzini) e chegamos à estrada velha de Santo Amaro (hoje, a avenida Adolfo Pinheiro, naquele trecho a partir do largo Treze de Maio até o Borba Gato, que não existia então - depois disso, avenida Santo Amaro, hoje). O piso bem conservado, exceto em pequenos trechos. Fomos até o largo do Bibi (hoje, entroncamento das avenidas Santo Amaro e Brigadeiro Luiz Antonio e ainda rua Joaquim Floriano, chamado praça Gastão Liberal Pinto).
Finalmente, pela Brigadeiro, regressamos ao centro... ainda em 1949.
domingo, 4 de novembro de 2012
TRISTEZA NA E. F. CAMPOS DO JORDÃO
Jornal do Brasil
Ontem, infelizmente, soube do desastre ocorrido no início da noite na E. F. Campos do Jordão. A automotriz, saída de Campos do Jordão, havia parado na estação de Eugenio Lefèvre, na cidade de Santo Antonio do Pinhal, e estava no início da segunda parte da viagem, dirigindo-se a Pindamonhangaba, seu destino final, quando a automotriz - que foi chamada erradamente de "bonde" em diversas das reportagens que li nas últimas horas - saiu dos trilhos e chocou-se contra o barranco.
Este relato feito por mim acima baseou-se nas descrições e relatos de pessoas em diversas reportagens. Infelizmente três pessoas morreram, entre elas, uma mulher grávida. Uma fatalidade a se lamentar, realmente.
Nos próximos dias saberemos exatamente o que aconteceu. Até agora, o que concluo - e posso estar erraso, pois estou me baseando no que li na imprensa - é que o trem não conseguiu frear numa descida - fato relatado - e descarrilou, indo contraoum barranco ao lado da linha. O choque a alta velocidade causou a soltura dos bancos, jogando pessoas umas contra as outras, causando, além das mortes, cerca de 40 feridos.
Algumas reportagens falam que a automotriz rolou pela encosta. Não parece ter sido o que aconteceu, pois é possível se ver o poste da rede aérea em uma das fotos, o que mostra que a batida aconteceu ao lado da linha. De qualquer forma, algo aconteceu para o terrível desastre onde vidas se perderam.
A automotriz era a A-2, totalmente reformada há poucos meses. Poderiam realmente os freios terem falhado numa automotriz totalmente revisada? Poderia a linha em mau estado em determinado ponto ter causado o descarrilamento? Se é verdade que o freio teria falhado, qualquer curva, mesmo com trilhos em bom estado, poderia ter ajudado o descarrilamento a alta velocidade.
Seria interessante lembrar que a E. F. C. J. vem passando há mais de um ano por um processo de total revitalização, com a revisão de todo o seu material rodante e de sua via permanente. O fato pode ter sido simplesmente uma fatalidade. É uma pena que isso tenha ocorrido exatamente no momento em que, depois de mais de vinte anos, a ferrovia tenha sido colocada novamente na ordem de prioridades do Estado e esteja em reforma permanente desde então.
Ontem, infelizmente, soube do desastre ocorrido no início da noite na E. F. Campos do Jordão. A automotriz, saída de Campos do Jordão, havia parado na estação de Eugenio Lefèvre, na cidade de Santo Antonio do Pinhal, e estava no início da segunda parte da viagem, dirigindo-se a Pindamonhangaba, seu destino final, quando a automotriz - que foi chamada erradamente de "bonde" em diversas das reportagens que li nas últimas horas - saiu dos trilhos e chocou-se contra o barranco.
Este relato feito por mim acima baseou-se nas descrições e relatos de pessoas em diversas reportagens. Infelizmente três pessoas morreram, entre elas, uma mulher grávida. Uma fatalidade a se lamentar, realmente.
Nos próximos dias saberemos exatamente o que aconteceu. Até agora, o que concluo - e posso estar erraso, pois estou me baseando no que li na imprensa - é que o trem não conseguiu frear numa descida - fato relatado - e descarrilou, indo contraoum barranco ao lado da linha. O choque a alta velocidade causou a soltura dos bancos, jogando pessoas umas contra as outras, causando, além das mortes, cerca de 40 feridos.
Algumas reportagens falam que a automotriz rolou pela encosta. Não parece ter sido o que aconteceu, pois é possível se ver o poste da rede aérea em uma das fotos, o que mostra que a batida aconteceu ao lado da linha. De qualquer forma, algo aconteceu para o terrível desastre onde vidas se perderam.
A automotriz era a A-2, totalmente reformada há poucos meses. Poderiam realmente os freios terem falhado numa automotriz totalmente revisada? Poderia a linha em mau estado em determinado ponto ter causado o descarrilamento? Se é verdade que o freio teria falhado, qualquer curva, mesmo com trilhos em bom estado, poderia ter ajudado o descarrilamento a alta velocidade.
Seria interessante lembrar que a E. F. C. J. vem passando há mais de um ano por um processo de total revitalização, com a revisão de todo o seu material rodante e de sua via permanente. O fato pode ter sido simplesmente uma fatalidade. É uma pena que isso tenha ocorrido exatamente no momento em que, depois de mais de vinte anos, a ferrovia tenha sido colocada novamente na ordem de prioridades do Estado e esteja em reforma permanente desde então.
CIDADES QUE VISITEI (II) - JAÚ, SP
Fotos de 2008, tomadas por mim. Como em todas as cidades brasileiraas, os velhos casarões com seus adornos é que são suas verdadeiras marcas. Idem com os rios e suas velhas pontes, como aqui é o caso do rio Jaú. No final, a localização da cidade pelos mapas do Google.
sábado, 3 de novembro de 2012
CIDADES QUE VISITEI (I) - VARGINHA, MG
Teatro Municipal, 2012Localização do município de Varginha, MG
Ferrovia, saída para Três Corações
Sobrado
Sobrado e linha férrea próximos à estação ferroviária
Sobrado
Estação ferroviária, lado da plataformaCasa em demolição ou reforma no centro da cidade
FERROVIAS BRASILEIRAS EM 1946
Um dia um trem passou por aqui... linha retirada no Embaú, SP (Foto Marco Giffoni, 2012).
Uma publicação do IBGE com o nome do título desta postagem informava que em 31 de dezembro desse ano existiam 35.348 km e 400 metros de estradas de ferro em tráfego no Brasil. Comparando com nossos atuais 28.000 km e sabendo que em pelo menos 18.000 desses quilômetros têm pouquíssimo ou nenhum tráfego, é realmente algo a se pensar. Ainda mais sabendo que, até 1960, a quilometragem ainda aumentaria e chegaria a beirar os 38.000 km.
Vamos ser mais específicos com relação ao ano de 1946. Eram 14.040 km na então chamada Região Sul (SP, PR, SC e RS), 14.620 km na que era chamada de Região Leste (RJ, MG, ES, BA e SE), 4.526 km na então Região Nordeste (AL, PE, PB, RN, CE, PI e MA), 1.374 km na Região Centro Oeste (GO e MT) e finalmente apenas 779 km na então região Norte, onde apenas o Pará e Guaporé (atual Rondonia) possuíam ferrovias.
Minas Gerais era o estado com mais ferrovias (8,450 km) e São Paulo o segundo (7,519 km), que correspondiam a 45,2 de todas as estradas de ferro no país. Essa quilometragem total na época aproximava-se de 2.000 km. Somente para completar, Rio de Janeiro e Bahia ocupavam o 3o, 4o e 5o lugares, respectivamente. Vale ressaltar que nesses números todos não estavam computadas as estradas de ferro particulares, a serviço de fazendas, usinas e indústrias e não abertas ao tráfego público.
Havia 48 empresas ferroviárias na época. A Rede Mineira de Viação tinha a maior rede: 3.985 km. A Viação Ferrea do Rio Grande do Sul tinha 3.578 km. A Central, 3.355 km. A Leopoldina, 3.082 km.
Do total de linhas, 31. 981 km eram de linhas de bitola métrica. 2.261 km de bitole larga (1,60 m). 729 km de bitola de 0,76 m e 360 km de bitola de 60 cm.
Caminhamos para trás, realmente, em muito pouco tempo.
Uma publicação do IBGE com o nome do título desta postagem informava que em 31 de dezembro desse ano existiam 35.348 km e 400 metros de estradas de ferro em tráfego no Brasil. Comparando com nossos atuais 28.000 km e sabendo que em pelo menos 18.000 desses quilômetros têm pouquíssimo ou nenhum tráfego, é realmente algo a se pensar. Ainda mais sabendo que, até 1960, a quilometragem ainda aumentaria e chegaria a beirar os 38.000 km.
Vamos ser mais específicos com relação ao ano de 1946. Eram 14.040 km na então chamada Região Sul (SP, PR, SC e RS), 14.620 km na que era chamada de Região Leste (RJ, MG, ES, BA e SE), 4.526 km na então Região Nordeste (AL, PE, PB, RN, CE, PI e MA), 1.374 km na Região Centro Oeste (GO e MT) e finalmente apenas 779 km na então região Norte, onde apenas o Pará e Guaporé (atual Rondonia) possuíam ferrovias.
Minas Gerais era o estado com mais ferrovias (8,450 km) e São Paulo o segundo (7,519 km), que correspondiam a 45,2 de todas as estradas de ferro no país. Essa quilometragem total na época aproximava-se de 2.000 km. Somente para completar, Rio de Janeiro e Bahia ocupavam o 3o, 4o e 5o lugares, respectivamente. Vale ressaltar que nesses números todos não estavam computadas as estradas de ferro particulares, a serviço de fazendas, usinas e indústrias e não abertas ao tráfego público.
Havia 48 empresas ferroviárias na época. A Rede Mineira de Viação tinha a maior rede: 3.985 km. A Viação Ferrea do Rio Grande do Sul tinha 3.578 km. A Central, 3.355 km. A Leopoldina, 3.082 km.
Do total de linhas, 31. 981 km eram de linhas de bitola métrica. 2.261 km de bitole larga (1,60 m). 729 km de bitola de 0,76 m e 360 km de bitola de 60 cm.
Caminhamos para trás, realmente, em muito pouco tempo.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O HOTEL OTHON DA PRAÇA DO PATRIARCA
O hotel Othon foi um dos mais importantes hoteis da cidade de São Paulo desde a sua abertura, se não me engano, no ano de 1955. Corrijam-me se estiver errado. Até os hotéis começarem a se deslocar para fora do centro, nos anos 1970, ele e outros - e mais tarde o Hilton - estavam na região central e eram as grandes pedidas para quem queria se hospedar bem em São Paulo.
Ele foi anunciado no início de 1949 na imprensa, como pode ser visto pelo desenho no topo da página. Antes disso, porém, em 1949, o local ainda era "povoado" por sobrados mais baixos que a torres da igreja de Santo Antonio, a que mais perdeu com a construção do prédio, pois praticamente sumiu, espremida entre prédios bem mais altos do que ela. O local era assim, de acordo com foto de uma publicidade que apareceu no jornal Folha da Manhã em 1 de janeiro de 1949:
A área começou a se degradar no final dos anos 1960 e o hotel fechou há poucos anos, em 2009, creio. O fato é que meu filho casou-se lá em março de 2006 - ou melhor, o ato religioso e civil foi na igreja do Liceu Coração de Jesus, mas a festa foi ali no salão da sobreloja do hotel. Sala tipicamente dos anos 1950, escura devido às madeiras também escuras que a rodeavam, o casamento foi memorável, pois diversos dos convidados jamais haviam visto a São Paulo noturna - das suas amplas janelas podia-se enxergar o viaduto do Chá e o Teatro Municipal iluminado, bem como os belos prédios do princípio do século XX da praça do Patriarca, numa cena que a todos surpreendeu: o centro da velha São Paulo também tem sua beleza.
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