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quarta-feira, 7 de março de 2012

CÓRREGOS QUE DESAPARECEM

Na foto do Google Maps, vemos no centro a servidão construída sobre o leito do córrego Uberaba. No canto direito inferior, a rua Araguari. No canto esquerdo superior, a avenida Helio Pellegrino

Hoje estive no bairro de Moema, na rua Periquito. Para isso, tive de estacionar o carro em uma pequena rua paralela a essa rua. Andei dali até onde precisava, e para isso cruzei o rio (ou córrego) Uberaba. Já havia estado por ali antes, mas é sempre interessante. Principalmente porque não se vê rio algum, somente uma espécie de calçadão. Uma servidão, na verdade.

Eu me lembro de ter visto esse córrego a céu aberto, anos antes - provavelmente, quase vinte anos atrás - no cruzamento da avenida Santo Amaro com a atual avenida Helio Pellegrino. Nessa época, não existia esta última avenida, mas sim um córrego sujo e ao seu lado um caminho de terra, com uma placa: "Avenida Uberaba". De avenida não tinha nada, nem saída do outro lado.

Ali onde o encontrei hoje, ele cruza a rua Araguari e segue até a avenida Helio Pellegrino, entrando por ela e seguindo até a Vila Olimpia, onde deságua no rio Pinheiros entre as barras dos córregos do Sapateiro e da Traição no mesmo rio.

O que gostaria de ressaltar é que, da mesma forma que considero absurdo canalizar e tapar um córrego que estava ali havia séculos, acho também extremamente difícil manter limpo e sem cheiro uma corrente de água que é constantemente poluída por esgotos clandestinos e servindo como depósito de lixos dos mais variados, desde sacos plásticos até pneumáticos e sofás. Certamente isso passa pela educação das pessoas, que eu, com o passar dos anos, considero cada vez mais difícil de se alcançar.

Uma pena. Em lugar de uma calçada - até que decorada e com pequenos jardins, mas pessimamente conservada, com mato alto e lixo jogado - teríamos um córrego cristalino passando entre os muros das casas ao longo dele. Melhor ainda seria nem ter os muros... É muita imaginação, não é?

domingo, 15 de agosto de 2010

BACIA DO UBERABA

Debaixo desta servidão passa a galeria do córrego Uberaba, entre as ruas Pinrassilgo e Graúna (esta ao fundo). Foto Ralph M. Giesbrecht em 3 de julho de 2010.

Mais uma vez falo dos córregos desaparecidos da cidade de São Paulo. Do norte para o sul, os córregos que desembocam no rio Pinheiros pela margem leste, a partir do das Corujas, que faz a foz no Pinheiros vindo pela Frederico Hermann Junior, seguem o Verde, que tem a foz junto ao Hebraica, depois o da Várzea, na Prof. Artur Ramos; o próximo é o Uberaba.

Pelo que consegui pesquisar, atualmente ele tem a foz não no rio Pinheiros, mas sim no córrego da Traição, junto à alameda Vicente Pinzon. Não, não espere ver nem um nem outro, está tudo canalizado... ou melhor, entubado mesmo. Só que a foz natural dele era junto à rua Pequetita, no exato ponto em que ela muda de nome para rua Funchal. Você sempre achou que não havia motivo para a rua mudar de nome naquela pequena curva? Historicamente, havia sim: não havia passagem ali, pois o riacho cortava as ruas de terra que, na época, não se encontravam.

O córrego Uberaba vem ali da avenida Ibirapuera, cruza-a entre as avenidas Ibijaú e Rouxinol, continua num trecho sob a Ibijaú, cruza as paralelas à avenida Ibirapuera até a rua Tuim, segue e entra pelo centro da avenida Helio Pelegrino. Dali, segue por ela até o seu fim, onde começa a Faria Lima. Entra pelo meio da Vila Olímpia, segue por dentro desta, até fazer uma curva para o sul junto à Vicente Pinzon e desembocar hoje no Traição, sob a avenida dos Bandeirantes. A mudança deste curso final pode ter ocorrido na época da retificação do Pinheiros, nos anos 1940. Veja na foz antiga que o rio fazia uma curva ali e encostava na rua Pequetita, coisa que não faz hoje.

Seu afluente é o córrego Paraguai, que vem do alto do bairro de São Judas, na avenida Jabaquara, desce hoje entubado debaixo da avenida José Maria Whitaker, cruza a avenida Ibirapuera junto à avenida República do Líbano, entra por Moema, segue até a avenida Juriti junto à Helio Pellegrino e cruza a Diogo Jacome, onde se junta com o Uberaba na esquina da rua Marcos Lopes.

E o Paraguai ainda tem seu afluente: o córrego das Éguas, que nasce na esquina das ruas Botucatu e Onze de Junho, no alto da Vila Clementino, desce até onde hoje está um dos viadutos da Rubem Berta, acompanha esta por um quarteirão, onde se encontra com o córrego Paraguai, este sob a José Maria Whitaker.

Enfim, um festival de rios canalizados e entubados que outrora fizeram parte de uma paisagem rural no meio de São Paulo. Disso tudo, cheguei a ver apenas parte do Uberaba, no cruzamento com a avenida Santo Amaro, a céu aberto por muitos anos debaixo de uma pequena placa escrita: "Avenida Uberaba". Esta era o que se tornou a Helio Pelegrino, na época um pequeno caminho de terra ao lado de um riozinho sujo. Isto até o início dos anos 1990. Também me lembro de pequenas pontes nas ruas que cruzavam o córrego ali na região onde hoje se encontram as avenidas Faria Lima e Helio Pellegrino.