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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

MEMÓRIAS DE SÃO PAULO (2): BAIRRO DO IPIRANGA


O Estado de S. Paulo, 5/11/1925


Em 5 de novembro de 1925, um anúncio vendendo quatro quarteirões de terrenos no bairro paulistano do Ypiranga mostravam diversos terrenos (32 por quarteirão) nas ruas Silva Bueno, Manifesto, Lino Coutinho, Labatut, Lord Cochrane, General Lecor e Almirante Lobo.

Na Silva Bueno passava o bonde "Fabrica", que vinha da cidade e terminava ali perto, no Sacoman. Era o chamariz para as facilidades de se atingir os terrenos.


Google Maps - 2017

Interessante é saber que, noventa e dois anos mais tarde, esses terrenos mudaram. Num dos quarteirões foi construída uma escola Estadual. Teria o terreno sido comprado na mesma época ou, depois de os lotes originais terem sido vendidos, o quarteirão já dividido em lotes teria sido comprado outra vez para a construção da escola? Esta, por sua vez, é de 1949.


Google Maps - 2017

Nos outros três quarteirões, ainda se vêem diversos terrenos que têm o tamanho dos lotes originais.


Google Maps - 2017 - rua Labatut x rua Manifesto. Neste quarteirão todos os lotes ainda guardam o tamanho original.

domingo, 31 de outubro de 2010

BELEZAS (AINDA NÃO) PERDIDAS

Foto Douglas Nascimento

As coisas belas às vezes estão perto de nós, embora abandonadas (acima), como a casa de 1929 no bairro paulistano do Pari...

Foto Britto/ZNnalinha

... às vezes também próximas, mas bem cuidadas (acima), como a casinha do Ipiranga...

Foto Amarildo

... e algumas vezes bem mais longe, quase como um sonho (acima), como Conceição do Formoso, em Minas Gerais...

... mas sempre, infelizmente, estão perto de desaparecerem.

A primeira parece sujeita a um desaparecimento rápido, por estar num bairro totalmente deteriorado e já semi-abandonada.

A segunda, por estar num bairro onde uma casa é demolida praticamente no ritmo de uma por semana.

O pequenino vilarejo, por estar no caminho de uma barragem a ser construída nos próximos meses.

E nós, paulistanos, mineiros e brasileiros, ficamos somente olhando.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CASAS NO CHÃO


Mais uma casa histórica paulistana foi demolida. Quantas casas serão demolidas por dia em São Paulo? Desta vez foi uma casa da rua do Bom Pastor, no bairro do Ipiranga e próxima à Xavier Curado, não muito longe do Museu Paulista. Quem me reportou foi o Douglas, do "São Paulo Abandonada".

Perguntar-me-ão: mas o que tinha essa casa de tão especial (foto acima, de autoria do próprio Douglas, meses atrás)? Respondo: para mim, casas com essa tipologia são muito bonitas. Não me perguntem o seu estilo arquitetônico: não sei responder, não sou arquiteto. Mas é um tipo de casa que não se faz mais, infelizmente. São características dos anos 1920 e 1930 na capital paulista e mesmo em outras cidades brasileiras.

Cada uma dessas que vai para o chão representa uma a menos para embelezar as cidades. Representa, também, a presença muito provável de um edifício de apartamentos ou de escritórios no mesmo local. Onde moravam 4, 5 pessoas, passam a viver mais de 200. O trânsito aumenta. A infraestrutura para alimentá-la tem de ser trocada, torna-se mais cara para todos. O céu desaparece um pouco na nossa visão. O verde que costeia a construção é substituído em grande parte por quintais cimentados e com pouquíssima absorção de água. A temperatura em volta do prédio aumenta de alguns centésimos de grau.

E se construíram ali um estacionamento? Menos mal, mas a cidade perde uma bela casa. E se for um galpão para uma loja ou um edifício para algum banco? Ainda é melhor do que um edifício alto, mas a cidade perde calor humano.

Enfim - estamos estragando nossas cidades, em resumo.