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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

NOTÍCIAS DO RAMAL DE CAMPINA GRANDE, NA PARAÍBA

Mapa dos anos 1960 que mostra as linhas da então RFN na Paraíba; em vermelho, o ramal de Campina Grande (Acervo do autor)
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Aqui no Brasil, anunciou-se com grandes pompas a privatização da malha ferroviária da RFFSA (na época, com exceção da FEPASA, E. F. Campos do Jordão, as ferrovias da Vale do Rio Doce e as concessionárias de trens metropolitanos - como CPTM e CBTU, tudo era RFFSA) em 1996.

Dividiu-se a rede toda em "malhas", que basicamente correspondiam às ex-Noroeste (oeste), Central do Brasil+E. F. Santos a Jundiaí (bitola larga), Central do Brasil + Leopoldina+VFFLB (métricas), RVPSC+VFRGS (sul), E. F. Teresa Cristina (a menor delas, separada de todas as outras em SC) e as antigas RFN+RVC+E. F. S. Luís-Teresina, que formavam a "malha nordeste".

Esta última foi a que se deu pior. As ferrovias, que ligavam os Estados do NE, já estavam praticamente sucateadas e, com a Cia. Ferroviária do Nordeste, passaram a ser cada vez menos - e muito rapidamente - usadas. Atualmente, até onde sei, há tráfego em parte da linha Recife a Patos (o tráfego não chega mais a Patos, mas vai apenas pouco além de Campina Grande, sentido Ceará) e na E. F. São Luiz-Teresina e na ligação Teresina-Fortaleza. A antiga linha Central da velha Great Western (Recife-Salgueiro) está em parte debaixo da terra e de asfalto e em parte teve os trilhos roubados. A tal Transnordestina vai ocupar seu lugar... se um dia acabarem de construí-la.

As informações de linhas funcionando ou sendo construídas no Nordeste são mínimas aqui no Sul. Então, as informações são pouco confiáveis. A CFN - que adotou para a sua malha toda o nome Transnordestina - não usa nenhuma linha no Rio Grande do Norte e, na Paraíba, somente o trecho do ramal que liga Itabaiana a Souza - este, o trecho inteiro do ramal de Campina Grande.

Em Alagoas e no sul de Pernambuco (linha Cabo a Alagoas), também não existe movimento algum. Em Pernambuco, onde, pelo fato de não haver tráfego, a população joga lixo na via férrea, além de invadir o leito ferroviário, cometendo dessa forma, crime contra o patrimônio público ferroviário nacional. Parte das linhas de AL foram levadas pela enchente de 2010. Algumas informações dizem que parte foi reconstruída. Não sei se é confiável, mas o tráfego, de qualquer forma, não voltou.
Trabalhadores limpando um dos trechos na cidade de Patos-PB, onde os trilhos foram "asfaltados"
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Agora, nos últimos dias, sabe-se lá por que, a ex-CFN resolveu (ou por pressão da agëncia controladora, ou por alguma decisão própria, o que, francamente, duvido), resolveu "recuperar" o trecho Campina Grande a Souza, abandonado há pelo menos cinco anos - se não mais. Primeira providência: fazer um auto de linha percorrer os trilhos do ramal. A foto logo acima mostra como foi para passar pela cidade de Patos. Os trilhos estavam semi-asfaltados. Não foi o único local em que isto aconteceu.

Um país que dá em concessão o uso de suas linhas férreas para ajudar a infra-estrutura nacional - e sabe-se que elas são insuficientes, além de estarem em mau estado, e não controla coisa alguma, deixando-as largarem quase tudo ao léu, não pode ser sério. Nem o governo que fez os contratos de concessão nem o governo que não administra essa concessão.

Para quem foram boas as concessões? Para as concessionárias, claro - pelo menos enquanto ganharem dinheiro. Pois se não ganhassem, certamente já teriam entregue tudo de volta e caído fora. Para o povo, nada. Os pouquíssimos trens de passageiros que ainda existiam quando se decidiu fazer as concessões foram extintos. Hoje dá para se ver claramente a falta que eles fazem.

O Brasil não sobreviverá por muito tempo. E não será "só" por causa da falta de ferrovias, mas pela bagunça em que se tornou.

domingo, 13 de junho de 2010

TINHA DE ACABAR MESMO

A estação ferroviária de Caraúbas, RN, "no final dos anos 1980", como diz o autor da foto, Ricardo Adriano do Nascimento. O trem provavelmente já não passava mais, mas quem pode ter certeza? Ninguém cuidava mais das estações, de qualquer forma...

Como já deve ter dado para perceber, a maior parte de minhas postagens fala, nem que seja "de leve", em ferrovias. Claro - todos os dias atualizo o meu site das estações ferroviárias brasileiras. E cada dia aprendo mais sobre a sua história.

Hoje, recebi uma fotografia de uma estação ferroviária em Caraúbas, Rio Grande do Norte. Uma cidade que fica a cerca de 100 quilômetros ao sul do porto de Mossoró. A linha que ali existe (existe?) seguia de Mossoró até Souza, no interior da Paraíba, não muito longe da divisa com o Ceará. Alto sertão paraibano.

Jamais estive aí. Não conheço nenhuma das cidades ou vilarejos que tiveram estações nessa linha, há anos desativada, ainda nos tempos da RFFSA. Isso, claro, dificulta as informações sobre as estações e a história da linha. A documentação é muito escassa. As informações que recebo são pouquíssimas. Fotografias, então, raríssimas. Por incrível que pareça, porém, sempre se sabe alguma coisa.

Uma ferrovia numa região tão pobre e seca não podia ter muito futuro, realmente. Ela começou a ser implantada no ano de 1915, em Porto Franco, perto de Mossoró, e somente chegou à cidade de Souza, na Paraíba, no ano de 1951. Foram menos de 300 km de trilhos assentados em 36 anos. É muito tempo para isso.

As poucas fotografias e informações que tenho das cidades ao longo da linha mostram uma região muito pobre e com industrialização mínima. Os trens eram um meio de transporte decente numa época em que as rodovias eram pavorosas, quase inexistentes, e ônibus e caminhõezinhos eram raridades. Com o tempo, a ferrovia continuou no marasmo de sempre, e as estradas foram se tornando, pelo menos, transitáveis. Ônibus e caminhões passaram a ser meios de transporte mais comuns. A ferrovia, maltratada pelos governantes, foi ficando cada vez pior.

Os últimos trens de passageiros nessa linha são notados no ano de 1979 nos Guias Levi - que são uma fonte de referência, mas não são totalmente confiáveis, infelizmente, em termos de informação correta, nessa época. Algumas informações dão conta de que o trem teria ainda trafegado por ali por mais algum tempo. Em 1990 já não existiam mais.

Os trilhos foram arrancados em alguns pontos e cobertos com terra, areia e asfalto em outros. A linha foi, como digamos, parece que esquecida. De vez em quando alguma reportagem da região lembra que um dia o trem passou por ali. E que hoje não há alternativas para o trasnporte de pessoas ou de determinadas cargas, minerais ou de grãos. Ninguém se interessa, na verdade, apenas os saudosistas.

É um país em que o dinheiro é jogado foram constantemente, e quem pagou por isso - ou seja, o povo inteiro, ricos e pobres - ficou a ver navios. O pior é que isso se repete constantemente, em fábricas, escolas, hospitais, rodovias, ferrovias. E cobre-se impostos, altíssimos. Afinal, se pagamos tudo o que o governo manda, para que economizar, certo?

Tratada do jeito que descrevi, a ferrovia tinha de acabar mesmo. Porém, commo não conheço a região pessoalmente, pode - e deve - haver uma série de histórias que podem desmentir o que escrevi acima. Eu, pessoalmente, duvido... enfim...