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terça-feira, 13 de março de 2012

PELO SERTÃO DA BORBOREMA

A estação de Borborema

Era uma vez, no sertão da Paraíba, na Serra da Borborema, um ramal ferroviário de trinta e cinco quilômetros construído pela Great Western nos anos 1920, quando a região era ainda mais pobre do que hoje o é.

Eram cinco estações no chamado ramal de Bananeiras: Pirpirituba, Cacimbas, Borborema, Manitu e Bananeiras, esta a estação terminal. O ramal partia da estação de Itamataí, na linha que ligava João Pessoa a Natal. No final dos anos 1960, o ramalzinho foi para o saco juntamente com um grande número de pequenas linhas no Brasil, vítimas do "efeito linhas econômicas", que analisava apenas a situação débito/crédito dos ramais, sem se preocupar de forma alguma com o que ele afetava a região toda em si e sme ligar para as populações que deles dependiam, especialmente nos locais mais pobres e carentes da nossa terrinha.
Bananeiras: interior da estação, armazém, estação e casas da vila ferroviária

Dessas cinco estações da linha, quatro ainda estão de pé - só a de Cacimbas não sobreviveu. Há cerca de uma semana, Jônatas Rodrigues esteve na região e fotografou apenas duas delas, a de Manitu e a de Bananeiras, junto com algumas outras construções desses dois pátios.

O que se constatou é que uma das cidades, Bananeiras, tem seu antigo pátio extremamente bem cuidado e bonito. Já Manitu não liga para essa época em que o trem passava apitando pela cidade, como se pode ver por algumas das fotografias aqui reproduzidas.

A antiga estação é hoje o restaurante da pousada. O antigo armazém hoje é o dormitório e a antiga casa do agente, abriga desde 2010 o Museu Desembargador Cananéia. Todo o complexo foi tombado pelo IPHAEP e pelo IPHAN em 2001.
Manitu em mau estado: casa do agente, frontão, estação e armazém, hoje igreja

Já no distrito de Manitu, na divisa entre os municípios de Bananeiras e Borborema, a antiga estação ferroviária hoje serve de depósito de frutas. A antiga casa do agente da estação serve de moradia, esta com melhores condições estruturais que a estação. Apenas o antigo armazém, que atualmente é a Igreja Católica local está em bom estado de conservação, enquanto o restante se encontra em péssimas condições estruturais.

domingo, 13 de junho de 2010

TINHA DE ACABAR MESMO

A estação ferroviária de Caraúbas, RN, "no final dos anos 1980", como diz o autor da foto, Ricardo Adriano do Nascimento. O trem provavelmente já não passava mais, mas quem pode ter certeza? Ninguém cuidava mais das estações, de qualquer forma...

Como já deve ter dado para perceber, a maior parte de minhas postagens fala, nem que seja "de leve", em ferrovias. Claro - todos os dias atualizo o meu site das estações ferroviárias brasileiras. E cada dia aprendo mais sobre a sua história.

Hoje, recebi uma fotografia de uma estação ferroviária em Caraúbas, Rio Grande do Norte. Uma cidade que fica a cerca de 100 quilômetros ao sul do porto de Mossoró. A linha que ali existe (existe?) seguia de Mossoró até Souza, no interior da Paraíba, não muito longe da divisa com o Ceará. Alto sertão paraibano.

Jamais estive aí. Não conheço nenhuma das cidades ou vilarejos que tiveram estações nessa linha, há anos desativada, ainda nos tempos da RFFSA. Isso, claro, dificulta as informações sobre as estações e a história da linha. A documentação é muito escassa. As informações que recebo são pouquíssimas. Fotografias, então, raríssimas. Por incrível que pareça, porém, sempre se sabe alguma coisa.

Uma ferrovia numa região tão pobre e seca não podia ter muito futuro, realmente. Ela começou a ser implantada no ano de 1915, em Porto Franco, perto de Mossoró, e somente chegou à cidade de Souza, na Paraíba, no ano de 1951. Foram menos de 300 km de trilhos assentados em 36 anos. É muito tempo para isso.

As poucas fotografias e informações que tenho das cidades ao longo da linha mostram uma região muito pobre e com industrialização mínima. Os trens eram um meio de transporte decente numa época em que as rodovias eram pavorosas, quase inexistentes, e ônibus e caminhõezinhos eram raridades. Com o tempo, a ferrovia continuou no marasmo de sempre, e as estradas foram se tornando, pelo menos, transitáveis. Ônibus e caminhões passaram a ser meios de transporte mais comuns. A ferrovia, maltratada pelos governantes, foi ficando cada vez pior.

Os últimos trens de passageiros nessa linha são notados no ano de 1979 nos Guias Levi - que são uma fonte de referência, mas não são totalmente confiáveis, infelizmente, em termos de informação correta, nessa época. Algumas informações dão conta de que o trem teria ainda trafegado por ali por mais algum tempo. Em 1990 já não existiam mais.

Os trilhos foram arrancados em alguns pontos e cobertos com terra, areia e asfalto em outros. A linha foi, como digamos, parece que esquecida. De vez em quando alguma reportagem da região lembra que um dia o trem passou por ali. E que hoje não há alternativas para o trasnporte de pessoas ou de determinadas cargas, minerais ou de grãos. Ninguém se interessa, na verdade, apenas os saudosistas.

É um país em que o dinheiro é jogado foram constantemente, e quem pagou por isso - ou seja, o povo inteiro, ricos e pobres - ficou a ver navios. O pior é que isso se repete constantemente, em fábricas, escolas, hospitais, rodovias, ferrovias. E cobre-se impostos, altíssimos. Afinal, se pagamos tudo o que o governo manda, para que economizar, certo?

Tratada do jeito que descrevi, a ferrovia tinha de acabar mesmo. Porém, commo não conheço a região pessoalmente, pode - e deve - haver uma série de histórias que podem desmentir o que escrevi acima. Eu, pessoalmente, duvido... enfim...