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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

LEITE VIGOR E O TRANSPORTE POR FERROVIAS


Em 1926, a empresa de laticínios Vigor, fundada em 1917 em Minas Gerais (1910 ou ainda 1918 segundo algumas fontes) já era a maior fornecedora de leite na capital paulista.

A propaganda mostrada acima é desse ano, publicada em "O Estado de S. Paulo". 

O fato curioso do anúncio é a forma que ela se refere às estradas de ferro. Criticava a Central do Brasil (na verdade, já famosa por constantes, quase diários acidentes) e a Rede Sul Mineira (provavelmente estava falando do ramal de Sapucaí, que ligava a linha Cruzeiro-Varginha à Mogiana, na divisa São Paulo-Minas), enquanto, de outro lado, elogiava os serviços da Mogiana e da Paulista.

A estação que a propaganda cita, Sapucaí, era o local de união do ramal de Itapira, da Mogiana, com o ramal de Sapucaí, da Sul Mineira.

Ela dizia que iria enviar seus produtos para essa estação e, a partir daí, levar o leite a São Paulo. O caminho férreo lógico era o ramal de Itapira (Mogiana), depois Mogi Mirim a Campinas (ainda Mogiana) e, de Campinas, Cia. Paulista, até São Paulo.

Não sei a partir de quais fábrica ou fábricas a Vigor enviaria sua produção para Sapucaí, mas a propaganda é muito interessante.

A Vigor, que passou por diversos donos, neste ano completa cem anos - se, como diz a maioria das fontes, tiver sido realmente fundada em 1917.

terça-feira, 28 de junho de 2016

DE TREM PARA AS TERMAS EM MINAS - 1934


Pois é, houve um tempo em que era possível ir de trem para Caxambu, São Lourenço, Cambuquira, Lambari... que delícia devia ser.

De São Paulo, o percurso era Estação do Norte (hoje Roosevelt) - Cruzeiro, onde havia baldeação para as linhas da Sul Mineira. Dali para São Lourenço era direto. Para Caxambu, havia baldeação em Soledade. Para Lambari e Cambuquira, havia baldeação em Freitas.

Já se o destino fosse Poços de Caldas e Pocinhos do Rio Verde, o caminho era pela Estação da Luz, baldeação em Campinas para a Mogiana, pegando um trem direto para Poços de Caldas.

Finalmente, para Araxá, era Luz - Campinas - Uberaba. Em Uberaba, baldeação para a Oeste de Minas até Araxá.

O anúncio acima foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo em sua edição de 31 de dezembro de 1933.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

SÃO GONÇALO DO SAPUCAI, MG

A estação, já desativada.

São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais. Ao lado da cidade de Campanha, mas do outro lado da rodovia Fernão Dias em relação a esta.

A cidade teve uma ferrovia por apenas trinta e quatro anos, de 1930 a 1964. É muito pouco para todo um investimento feito nela. A cidade era a ponta de um ramal de 117 quilômetros em bitola métrica que vinha da cidade de Freitas, na linha Cruzeiro - Jureia. Na verdade, o trecho Campanha - São Gonçalo era considerado um ramal (de 31 quilômetros), mesmo saindo da ponta de um outro ramal (de 86 quilômetros).
A praça, já sem a estação.

Antes, teve uma linha de bondes que ligava-a a Campanha. A linha de bondes acabou bem antes de a linha de trens começar.

Não tenho ideia de como a linha cruzava a Fernão Dias. Esta estrada foi aberta em data bastante próxima ao término de operações na linha. O ramal Campanha - São Gonçalo pode até ter sido fechado tendo como desculpa a passagem da rodovia; porém, esta é uma especulação de minha parte.
A estação de São Gonçalo ainda em funcionamento.

A estação era um prédio muito bonito, com um armazém próximo a ela. Era bem ao estilo das estações da Rede Sul-Mineira (a partir de 1931, incorporada pela Rede Mineira de Viação).

Depois de a ferrovia ser fechada em 1964 (ou 1962, não há uma grande certeza nisto), a estação foi demolida - não consegui saber exatamente quando - para o aumento da praça que ficava em frente a ela.

Não havia nenhum motivo para isto ter acontecido: talvez, apenas, o fato de não se querer restaurar e manter um prédio tão bonito. Bem típico da pequenez da grande maioria de nossos governantes.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

OH MEU DEUS - O TREM NÃO CHEGOU!

A foto tem uma má reprodução, mas mostra o volume de águas no Salto de Avanhandava, que, aliás, nem existe mais hoje, no Alto Tietê
.

Incrível, mas essa expressão foi dita ou pensada inúmeras vezes durante muitos anos em diversas cidades brasileiras - hoje, em muitas delas, nem trilhos existem e muitos habitantes nem sabem que um dia sua cidade dependeu praticamente inteiramente do trem.

Por exemplo, as cidades do Sul de Minas, Tres Corações, Brasopolis, Itajubá e outras tinham problemas com os péssimos serviços, reclamando constantemente da Rede de Viação Sul-Mineira e da . F. Sapucaí, duas antecessoras da Rede Mineira de Viação, na década de 1910. As cargas não eram recolhidas, mercadorias não chegavam, passageiros atrasavam seus compromissos, porque as rodovias eram não mais do que picadas melhoradas, automóveis e ônibus eram raridades e eram as máquinas a vapor que determinavam o progresso das cidades.

Em 1929, uma enorme enchente no Estado de São Paulo, quando choveu como nunca nos meses de janeiro e fevereiro e deixou diversas cidades sem transporte e com os mesmos problemas citados nos casos das cidades minieras.

Convém ressaltar que me referi apenas a dois casos isolados em épocas diferentes escolhidas por acaso. O tempo ruim, greves, os problemas mecânicos que ocorriam com as ferrovias que não eram muito sérias, eram acontecimentos relativamente comuns.

Isso foi mudando. Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, as ferrovias rapidamente perderam seu quase-monopólio. Em 1946, por exemplo, uma reportagem da época falava sobre a cidade de Espírito Santo do Pinhal, na fronteira de São Paulo com Minas Gerais, atendida por um curto ramal da Mogiana que saía de Mogi-Guaçu. A reportagem sugeria que os visitantes se utilizassem de "duas ëxcelentes jardineiras" e "não dos "vagarosos trens" do ramal. A partir dos anos 1960, trens raramente eram citados pelos jornais como meios de transporte para as cidades paulistas - embora o último trem de passageiros paulista de longa distância tenha corrido em março de 2001 - a esta altura, pouca gente sequer sabia que ele ainda existia.

Como exemplo, em 1929, o jornal O Estado de S. Paulo de 9 de fevereiro mostrava que mais estava sofrendo eram as cidades atendidas pela Sorocabana. Em Faxina (hoje Itapeva), "a E. F. Sorocabana ainda não tem horário certo, chegando os trens aqui com grande atraso. Sente-se a falta dos trens de carga, estando a praça um tanto desfalcada dos principais generos alimentícios." Neste ramal, o de Itararé, houve quedas de barreiras sobre a linha em três pontos diferentes. A linha-tronco (São Paulo-Presidente Epitácio) sofreu pelo menos sete quedas de barreiras e um deslizamento de aterro. "Em consequencia destes estragos na linha os trens NO-1 e N-1 estão retidos em Piramboia e os PO-1 e P-1 em Laranjal. Foram  suprimidos os trens PO-2 e N-2, de Botucatu a São Paulo; o P-5, de São João (hoje São João Novo) a Sorocaba; o NS-1 de São João a Mailasky (Este um percurso bastante curto); os trens N-1, NO-1, N-2 e NO-2 entre Botucatu e São Paulo; os trens PY-5 e 6 entre Piracicaba e São Pedro; os MY-5 e 6 entre Costa Pinto (estes dois últimos na linha da antiga Ytuana).

Em Pontal, "até a Paulista chega com atraso" (...) a correnteza arrastou uma ponte de automóveis sobre o rio Mogy-Guassu. Os automoveis são agora despachados por estrada de ferro." Esta cidade era atendida tanto por linhas da Paulista quanto da Mogiana.

Era assim, um dia os trens reinaram. Faz tempo...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MUZAMBINHO 1913

Muzambinho em 1913: Avenida Américo Luz. Ao fundo, a velha igreja. O api de Américo Luz, fazendeiro e dono de garimpos na região, foi o idealizador da E. F. Muzambinho. Acervo Henrique Annunziata

Conheci a cidade de Muzambinho em 2008, dois anos atrás. Eu ouvia falar dela desde quando estava no ginásio: um colega meu de classe, que havia perdido dois ou três anos devido a problemas de visão, queria apressar sua entrada na faculdade e por isso planejava fazer madureza, como era chamado o exame para ser aprovado mais cedo no segundo grau. Ele sempre dizia que iria fazê-lo em Muzambinho. E dava risada.

Depois, foi o radialista Milton Neves que falava sempre da sua cidade natal - justamente ela, Muzambinho - em seu programa de rádio, na época na rádio Panamericana. E fazia, como ainda faz, questão de manter seu sotaque mineiro, pelo menos daquela região.

Mais tarde, com meus estudos sobre ferrovias, fui conhecer a cidade geográficamente, no ramal de Juréia, que passava por Muzambinho vindo de Guaxupé, tocado pela Mogiana. No início dos anos 1910, a Mogiana comprou um antigo projeto de ferrovia da cidade, que por sua vez foi comprado pela Rede Sul-Mineira e revendido à Mogiana. O célebre jogo de venda de concessões. O fato, porém, é que Muzambinho não tinha dinheiro para construir a linha, por isso a vendeu.

A ferrovia ficou pronta em 1914. A cidade, porém, pouco mudou desde então. Francisco Marques, velho morador, reconheceu diversas fotos de uma fornada inédita da cidade que dividimos depois de comprar um álbum sobre a construção do ramal e comenta até o nome das ruas, a posição de onde as fotografias foram tiradas, os edifícios. É ele quem afirma que as mudanças foram poucas. E, em minha visita em 2008, já havia chegado a esta conclusão: era uma cidade antiga, com prédios, em sua maioria, antigos, e uma cidade pequena, sem expansão recente - impressão que me deu, confirmada agora por um conhecedor.

Meus agradecimentos nesta postagem a Francisco Marques e ao Henrique Annunziata.

terça-feira, 27 de abril de 2010

MORTE EM SAPUCAÍ


Sem tempo para escrever hoje, publico acima uma fotografia que recebi também hoje, do Douglas Razaboni, tirada há poucos dias.

Esta estação ferroviária foi construída pela Rede Sul Mineira, antes E. F. Sapucaí, depois Rede Mineira de Viação. Era ali que os trens da Mogiana paravam e voltavam para Mogi-Mirim pelo ramal de Itapira. Também era ali que os passageiros seguiam viagem pela ferrovia mineira até Soledade de Minas, na Cruzeiro-Juréia, passando por Itajubá e Cristina.

A estação é muito bonita, mas desde o seu fechamento em 1976 foi abandonada. No meio de coisa alguma, nem bairro rural existe em volta dela, ela somente aguarda seu fim. Difícil conseguir recuperar um prédio desses e manter sua conservação num país onde o crime e o descaso pelo patrimônio dos outros, ou mesmo pelo próprio, parece crescer cada vez mais.