sábado, 1 de fevereiro de 2014

O PRÍNCIPE PHILLIP EM ELIHU ROOT

Folha de S. Paulo, 18/3/1962
Naquela estação ferroviária situada no antigo ramal de Descalvado, dá já lendária CPEF - Companhia Paulista de Estradas de Ferro, e tantas vezes citada aqui em artigos anteriores, aconteceu muita coisa. Como em 1962, quando lá esteve o Príncipe Philip em meio à sua visita ao Brasil. 

Esta história foi-me contada há uns doze anos pelo morador da casa da esquina do antigo leito ferroviário com a estrada que liga Araras ao rio Mogi-Guaçu e está publicada no meu site, na página desta estação. Ta,bém saiu no meu livro Caminho para Santa Veridiana (2003). Só que, até hoje, constava que a história que contarei ter-se-ia passado em 1968, quando o Príncipe Phillip, príncipe consorte da Inglaterra e do Reino Unido, vivo até hoje e próximo dos seus 90 anos, Duque de Edimburgo e ainda possuindo outros títulos mais, passou por ali. 

Segundo esse morador antigo do bairro Elihu Root - ainda chamado por muitos de Guabiroba, que era o nome até 1906 (cento e oito anos atrás!), "a estação ainda estava bem cuidada, o chefe com o uniforme impecável, enquanto a locomotiva a vapor, com o número 23 ou 25, não me lembro exatamente, chegou com duas bandeiras fincadas à sua frente, uma inglesa, outra brasileira, puxando um carro de administração; eu não me lembro se havia mais um carro de apoio ou não. A máquina era a vapor, sim, embora elas, nessa época, raramente passassem por ali. O príncipe desceu, cumprimentou meus filhos, crianças ainda, e entrou num jipe que também tinha duas bandeiras e que o levou até a fazenda Santa Cruz".
Folha de S. Paulo, 18/2/1962
A fazenda era da família Prado e dos Crespi - Fábio Prado, ex-prefeito de São Paulo nos anos 1930, filho de Martinico Prado e sobrinho do Conselheiro Antonio Prado, havia se casado com Renata Crespi, da família italiana dona do Cotonifício Crespi, que, à época, estava para fechar, ali na rua dos Trilhos, na Mooca paulistana. Mas isso não siginificava que os Crespi deixariam de ter seu dinheiro. 

Fabio Prado faleceria logo depois, em 1963; sua esposa morreria - se não me falha a memória - em 1971 e estava também no jipe que buscou o príncipe. Fabio parece tê-los aguardado na fazenda.

Por muitos anos eu tive certa dúvida que essa história fosse real. A data que citei na página de meu site foi 1968, quando o príncipe voltou ao Brasil, mas agora com sua esposa, a Rainha Elisabeth II. Só que o morador jamais citou essa data. Ele apenas falou que isso ocorrera nos anos 1960. Eu supus que o fato houvesse ocorrido em 1968.

E eis que, folheando velhos arquivos de jornais (Folha de S. Paulo) descobri que o príncipe havia estado aqui em 1962. E sua visita à fazenda Santa Cruz foi citada. E tambpem o jipe. E que ele havia ido para lá de trem. E descido em Elihu Root. O círculo estava fechado. Não havia mais dúvidas, isso não é lenda. foi um fato real.

Seis anos depois, em 1968, a estação foi rebaixada a parada, sem pompas nem circunstâncias.

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