terça-feira, 10 de setembro de 2013

A VERDADEIRA MOEDA NACIONAL

Bem, qual seria, afinal, a moeda brasileira? Eu, que nasci há sessenta e um anos, vi diversas: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo, cruzeiro real e real. Seis.

Minha mãe, que nasceu vinte e oito anos antes de mim, viu mais uma: o real, o velho, mas que, de tão desvalorizado já no século XIX, tinha mesmo como moeda unitária o seu milhar, ou seja, o mil-réis. O mil-réis acabou em 1942, substituído pelo cruzeiro. Um mil-réis virou um cruzeiro; dez réis, um centavo de cruzeiro.

O mil-réis era também chamado de merréis. Um merréis. O que gerou "uma merreca", ou seja, algo que não vale nada, não custa nada. O curioso é que o "merréis" ainda é utilizado até hoje. Crianças que jamais imaginam como poderia ser o mundo em 1942 ainda pedem um, dois merréis para os pais. São poucas, mas a palavra sobrevive. Assim, no plural, mesmo. Não é merréu, ou merreal, mas merréis no singular e no plural. Entre os velhinhos, idem. Mas há que se lembrar que quem viu de fato o mil-réis como moeda e se lembra disso hoje tem pelo menos sessenta e seis, sessenta e sete anos de idade. Mas muita gente mais jovem ainda usa a expressão.

Lembro-me de que quando o governo instituiu o real, em 1994, ele proibiu - isso mesmo, proibiu - que se escrevesse cheques ou os valores novos com o plural "réis". Tinha de ser "reais". Nada que lembrasse o velho e esquecido real do século XVIII. Seria uma humilhação! E a proibição deu certo. Todos usam o plural de real como reais.

O interessante, mesmo, porém, é a moeda mais famosa do Brasil. Bastante versátil, nem sempre é usada no plural: o "pau". Quanto vale um pau? É interessante.

Uma revista em quadrinhos custa, por exemplo, seis pau. Ou seis paus, também se pode dizer. Mais interessante é que um computador pode custar três ou quatro paus. Mas como assim, menos que uma revista em quadrinhos? Não... a pessoa entende. No caso da revista em quadrinhos, cada pau vale um real. Já no computador, cada pau vale mil reais. E as casas grandes? Podem custar um, dois, vinte paus! Neste caso, cada pau vale um milhão de reais!

E qual é o símbolo do pau? Tem cifrão? Não, não tem símbolo nem cifrão. Aliás, nem se escreve a palavra. Só se pronuncia. E todos entendem.

Mas, afinal, é possível que alguém entenda o Brasil?

7 comentários:

  1. Meu pai faleceu a 15 dias com 89 anos, jamais ouvi ele dizer contos, reis, etc, ele simplesmente na sua ignorancia, falava, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro, cruzado e dai por diante, ou seja, a cada mudança de nome ele se adptava .

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  2. Tinha e ainda tem " Barão ", " Conto " e no sul " Pilas ".

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    1. Legal!
      Três observações:

      1)Exatamente, concordo com o Pedro: faltou o Barão! rsrs! Eu lembro quando eu usava uma nota de 1.000 cruzeiros com a cara (e careca) do Barão do Rio Branco para comprar doce na mercearia da esquina.
      E tenho certa lembrança também que, anos antes, meu pai usava essa mesma nota para fazer a compra do mês todo e ainda ter troco...

      2) Um amigo meu utiliza nas conversas uma moeda melhor para definir a nossa: o "dinheiro".
      - Isso custa 300 dinheiros. Aquilo custa 10 dinheiros.
      Mais prático!

      3) E já escutei muito gringo falar comigo "2 Reales" (quando a língua era o Espanhol) ou "2 Reals" (quando a língua era o Inglês). rsrs

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    2. Sim, o "conto de reis" e depois somente "conto" também é famoso... na minha infancia, dois contos re réis ainda era muito dinheiro, eram dois mil cruzeiros (isso em 1958-59). Já "Barão" surgiu num quadro do Jô Soares na Globo e representava a nota de mil cruzeiros (já os novos). Pilas, já falei. Não sei se é só no sul. Aqui em SP existia. Mas acho legal essa eternização de certos nomes que teoricamente hoje em dia não deveriam fazer mais sentido.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Interessante a digressão sobre os merréis, os paus... Gosto também do "contos" e do "mangos". É dez mangos! Uso de vez em quando...

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    1. Sem duvida, tem o "mango" também... tem muita coisa. Mas a que mais me impressiona é o "pau", no bom sentido, claro

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