sexta-feira, 6 de maio de 2011

VELHA PIRACICABA DE MEU AVÔ

Estive hoje em Piracicaba, depois de alguns anos. Gosto de lá; é a terra de meu avô Sud. Fui lá somente a serviço e muito rápido; mas o dia estava bonito e, como fui à Vila Rezende, tive de atravessar o rio na antiga ponte da Sorocabana. Aliás, estão construindo uma nova de concreto ao lado dela. Será que vão derrubar a velha ponte?

Logo a jusante da ponte, fica o salto do rio Piracicaba. O "sarto", como dizem por lá. Ao voltar e cruzá-la novamente, entrei na rua que acompanha o rio e cheguei ao mesmo ponto, a montante do salto, onde estive com meus pais em 1960. Nesse dia, eu, com 8 anos, estava com o Studebaker deles; eles pararam sobre o campo entre as árvores à beira do rio. Meu pai acabou perdendo a chave do carro e foi um carnaval para conseguir abri-lo de novo. Hoje não é possível parar no mesmo local, há que se parar na rua.

Tirei rapidamente algumas fotos ali. O salto é realmente bonito.
O rio tem um grande arvoredo que o acompanha por toda a sua passagem pela cidade. Isso ocorre porque, ao contrário da maioria dos rios que cruzam a zona urbana das cidades, o Piracicaba jamais foi canalizado, retificado e muito menos entubado. É muito bonita a vista do rio, de qualquer lugar que se olhe.
Algumas casas mais antigas ainda são encontradas nas imediações do rio. Também e vários pontos se divisa o Engenho Central, hoje palco de exposições, quando as há.
Para sair de Piracicaba, temos de cruzar a área central. Ao sul do rio, há um morro que se tem de subir e descer, para cruzar a antiga linha da Sorocabana (vale do córrego Itapeva e hoje avenida Armando de Salles Oliveira). Dali, subimos de novo até chegar à avenida Guidotti, que leva para a saída para a estrada que segue para Santa Bárbara e Americana. E a rodovia dos Bandeirantes, que leva para São Paulo.
Piracicaba é uma cidade com poucas avenidas e muitas ruas estreitas. A cidade velha é quadriculada e hoje está praticamente toda ocupada por lojas, comércio e serviços; poucas residências. Mesmo assim, muito do casario antigo se conserva.
O córrego que divide claramente a cidade da área rural é o Piracicamirim, que cruzamos quando chegamos à cidade vindo de São Paulo pela rodovia dos Bandeirantes ou pela Anhanguera. O marco que cerca a cidade pelo lado leste é a famosa Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, hoje da USP.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

70 ANOS DE DIFERENÇA

Em dias com excesso de trabalho, postagens no blog mais curtas. Gosto muito de escrever, mas em alguns períodos fica difícil de se concentrar e criar algo que preste.

Hoje, porém, tive a oportunidade de ter de realizar um serviço na Vila Clementino. Na volta pra Pinheiros, passei pelo local da foto que postei aqui dois dias atrás. Aquela do bonde fazendo a curva ao lado do Instituto Biológico. O local fica praticamente na divisa dos bairros da Vila Mariana e Vila Clementino.

Tirei então uma foto, com o celular - não fico andando com minha máquina fotográfica digital com muita frequência.

Notem os 70 anos de diferença no mesmo local.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

TRADIÇÃO EMPRESARIAL

Vendo as empresas que hoje fazem propaganda de todos os tipos de produtos e serviços no Brasil, noto como desapareceram empresas tradicionais nos últimos, digamos, vinte anos. Nomes como Hoechst e Ciba-Geigy, por exemplo, no ramo químico, Mappin, loja de departamentos... bom, há centenas de exemplos.

Há, no entanto, empresas que já existem há muito tempo, algumas com mais de cem e outras até com mais de duzentos anos de existência. O mesmo se aplica às marcas, como a Maizena, o leite Ninho. Jornais como O Estado de S. Paulo, atualmente um dos mais antigos em circulação no Brasil, com mais de 130 anos no mercado. Mesmo a Folha de S. Paulo tem já cerca de noventa anos.

De novo: há muito exemplos. Mas como seria há cem anos atrás? Comparando hoje com essa época, podemos notar a existência de firmas e marcas que ainda existem, mas também há inúmeras das quais jamais ouvimos falar e outras que até já ouvimos, mas que já desapareceram há muito tempo.

O que quero dizer é que poucas empresas e marcas conseguem sobreviver por muito tempo num universo enorme delas. Algumas ficam na memória ou são ligadas a outras coisas cujos nomes derivam da época em que essas empresas existiam. A Sorocabana, a Paulista e a Mogiana sõa ferrovias que desapareceram há quarenta anos, mas os nomes ainda permanecem nas regiões que lhe tomaram o nome: Alta Sorocabana, região Mogiana, zona Paulista.

É surpreendente o número de pessoas que ainda hoje usam a expressão "mil-réis" ou "contos de réis", ou mesmo "contos" para se referir a quantias de dinheiro; essas expressões desapareceram oficialmente em 1942, portanto, quase setenta anos atrás! Na verdade, já ouvi até crianças usarem essa expressão ao se referirem a notas de 10 reais, por exemplo. Nem o "cruzeiro" durou tanto na boca do povo.

Quantas das empresas que conhecemos hoje apareciam ou existiam há cem anos atrás? Realmente, poucas, pelo menos que saibamos. Nestlé, DuPont, Bayer... essas existiam, bem como alguns jornais (o Jornal do Brasil desapareceu há poucos meses). Microsoft, Google e Twitter, essas então, são novíssimas. Por quanto tempo durarão?

terça-feira, 3 de maio de 2011

VELHOS BONDES


Eu hoje cedo recebi a foto acima, que pertence ao acervo do Museu do Transporte Público Gaetano Ferolla, também conhecido por "Museu do CMTC".

O que mais me impressionou na fotografia, tomada da avenida Conselheiro Rodrigues Alves, na Vila Mariana, no sentido da avenida Ibirapuera (que começa ali e é na prática hoje a continuação da rua Joaquim Tavora), não são os trilhos dos bondes, que ali bifurcavam. Pela avenida Ibirapuera, seguiam para Santo Amaro. Seguindo pela própria avenida Rodrigues Alves, seguiam até perto do Matadouro pela rua Tangará, fazendo ali um balão e retornando.

O que me deixou espantado é que esta cena, do bonde fazendo a curva para seguir no retão de Santo Amaro - a avenida Ibirapuera ali somente dava passagem para o bonde, era um leito ferroviário - está viva na minha memória. Cansei de ver essa cena no final dos anos 1950 e nos anos 1960 (não necessariamente um bonde como esse, com reboque). Eu passava bastante por lá, com meus pais, nessa época.

Estou, realmente, ficando velho.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

NO FIM DO MUNDO, ENGENHEIRO MENDES

Eis a única fotografia da estação de Engenheiro Mendes que conheço. É do Album da Mogiana, publicado por volta de 1910.
O título desta postagem leva a um outro quase igual, sobre a estação ferroviária de Engenheiro Maia, na Sorocabana, região de Itararé e que escrevi em 4 de dezembro último.

No trabalho que desenvolvo há quinze anos já, cataloguei por volta de 5 mil delas no Brasil todo. Desde Belém do Pará até Rio Grande, no RS, de São Paulo à Madeira-Mamoré em Rondônia, há estações diversas delas, nas mais variadas condições. Muitas abandonadas, poucas ainda com o uso original a que se destinaram... algumas prédios suntuosos, outras paradinhas sem nenhuma cobertura.

Curiosamente, é mais fácil se arranjar fotografias que histórias que contam o passado dessas estações. E, assim como há algumas delas que das quais até hoje não consegui fotografia alguma, há outras das quais não consegui qualquer informação que seja.

Muitas delas estão não muito longe de minha "base" de atuação: São Paulo. Querem ver exemplos? Na estação de Engenheiro Mendes, da Mogiana, jamais consegui chegar. Ela fica na linha original dessa ferrovia, logo depois da estação de Aguaí, sentido Casa Branca. A essa estação estava previsto um futuro bem diferente do que se tornou - um pequeno ponto de parada no meio do nada. Mas era dali que se recebia toda a carga de café que vinha de Poços de Caldas, chegando por carros de boi, carroças e o que fosse possível na distante década de 1880, quando ainda não havia sido construído o ramal de Caldas, que hoje liga Aguaí a Poços.

O dono das terras não quis ceder nada para a construção do ramal, que deveria se entroncar ali com a linha principal (o nome da estação em 1880 era Caldas, pois dali se chegava à cidade mineira). Com isso, os engenheiros e diretores da ferrovia resolveram fazer o ramal partir de Cascavel, onde nada havia, nem estação. Resultado: Cascavel cresceu, mais tarde virou Aguaí e cidade. Engenheiro Mendes foi esquecido.

Tão esquecido que nas várias vezes em que estive pela região jamais consegui chegar ao local da estaçãozinha. Ninguém sabe, ninguém viu. Nunca recebi fotos dessa parada, esteja ela demolida ou não - nem disso se tem certeza. Triste destino!

domingo, 1 de maio de 2011

NOS CONFINS DA GRANDE SÃO PAULO

Capela do Cururuquara, mais que centenária (a instituição capela, não a construção). No mapa abaixo, é a fotografia 8.
Pois é, o município de São Paulo é hoje ainda um dos maiores municípios do Estado. Até alguns anos atrás, não era: com a expansão da civilização para o Oeste existiam inúmeros municípios enormes, desmembrados mais tarde. Um dos exemplos era o de Araçatuba. O último desses a oeste que sobrou foi o de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema. Nos anos 1990, sofreu desmembramentos e diminuiu bem.
No mapa do Google, que aqui acima está pequeno (mas que pode aumentar clicando-se sobre ele), os números na estrada que liga o bairro de Santa Rita (1) à capela (8) mostram o local das fotos que tirei hoje pela manhã. A divisa passa por essa estrada, que é a Estrada Velha de Itu. Os nomes no Google das ruas da região estão diferentes na maioria dos casos da placas hoje lá existentes.
Foto 1 - No entroncamento do local Santa Rita, o município é Araçariguama.
Suas divisas com os municípios limítrofes cobrem um perímetro bastante longo. Não, não sei quantos quilômetros essas divisas percorrem. Mas são muitos. Trezentos? Quinhentos quilômetros? Não sei. O fato é que fotografar todas essas divisas seria um trabalho cão. É possível vê-las nos mapas, mas em poucos, pois, geralmente, os mapas viários não cobrem toda a área municipal e não chegam até as divisas.

Hoje estive numa delas. Não foi a primeira vez. Mas é perto de casa, então... bem, cheguei à divisa tripla Santana de Parnaíba-Itapevi-Araçariguama. O ponto exato, ainda tenho dúvidas. Mas estive por ele. É uma divisa seca, ou seja, o que a divisa é o divertium aquarium, o célebre "divisor de águas", ou o contrário dos rios ou junções de rios.
Foto 2 - Estrada do Paiol, saindo para o sul. Esta estrada liga o divisor de águas ao bairro de São João Novo, já em São Roque, onde há uma estação da Sorocabana que não é mais utilizada desde 1998, quando a CPTM deixou de seguir para Mairinque. Reparar também que a estrada velha de Itu, que liga Santa Rita a Coruruquara, tem na placa o nome de Manuel Raimundo de Paula.
A divisa como é hoje começou a ser traçada em 1625, quando Santana de Parnaíba foi desmembrado de São Paulo-município. Depois, com Cotia separando-se de São Paulo e Itapevi de Cotia, enquanto São Roque se emancipava de Parnaíba e Araçariguama de São Roque, estabeleceu-se a divisa tripla de hoje: Santana de Parnaíba-Itapevi-Araçariguama. Ela já existia, por exemplo, em 1930, no mesmo local, mas era Santana de Parnaíba-Cotia-São Roque. Houve várias variações.
Foto 3 - a Estrada Velha de Itu (Manuel Raimundo de Paula, ou ainda nesse trecho Estrada das Palmeiras), sentido Coruruquara. A divisa aparentemente passa nela, ou corcoveanso sobre ela. Neste trecho, no entanto, ela está dentro do município de Araçariguama: mais para a frente, ela vai ter Itapevi à direita (após a estrada do Sabiá) e finalmente, perto da capela, vai encontrar 3 divisas.
O fato é: como é essa divisa? Não é muito clara, sem ter documentações e mapas exatos em mãos. Há poucas construções na área e as ruas são todas não pavimentadas. O ponto mais conhecido ali é a capela do Cururuquara, que está num ponto alto, por estar justamente muitíssimo próxima à divisa. É pequena, antigamente de madeira, hoje em alvenaria e já existia em 1888, quando, segundo reza a história, diversos escravos libertados desceram do morro do Ingaí, perto de onde está Aldeia da Serra, para ir à capela comemorar por três dias e três noites a libertação dos escravos no dia 13. Ou um pouco depois? É sabido que as notícias podiam tomar um ou mais dias para chegar a locais afastados do Rio de Janeiro.
Foto 4 - Para a esquerda, sai a avenida dos Eucaliptos, que, de acordo com a própria placa no cruzamento, já mudou para outro nome. Aqui não dá para saber se Parnaíba já é 'a esquerda, mas se a estrada não estive dividindo, a divisa deve estar próxima. Para a direita, com certeza, Araçariguama, que não pertence à Grande São Paulo.
O fato é que ainda existem ali algumas das palmeiras ali plantadas durante a comemoração. O bairro (ver abaixo) é mais velho, era composto em meados do século XIX como tendo diversas propriedades como "campos de criar" - ou seja, pasto para gado. O nome já havia aparecido também no final do século XIX.
Foto 5 - Outra rua, desta vez saindo para a direita (sul): Adelia Simão. A área é bem rural, apenas algumas chácaras são vistas.
A região onde está essa divisa tripla é chamada de bairro de Cururuquara (ou Coruruquara, ou, como antigamente, também Curuquara). O nome é utilizado pelos três municípios que se encostam ali. Alguns nomes antigos de pequenos bairros que ali existiam são hoje quase desaparecidos, como o Suinanduva. Havia também o nome Taipas de Pedra, por causa do tipo de pedras que existiam no chão da parte mais alta da região, hoje já mais difícil de se ver por causa da terra e pedriscos que vão sendo usados para recobrir os caminhos. E vão desaparecer de vez quando tudo for asfaltado. Outros são nomes de loteamentos recentes que ainda não "pegaram".
Foto 7 - Placa de limite de municípios na avenida Manuel Raimundo de Paula. Entendo que, vindo de Santa Rita (noroeste), aqui a linha divisória cruza a estrada e esta passa a ser a divisa a partir daqui. Mas há de se confirmar. Mais para a frente, num local que infelizmente não deu para fotografar, a estrada do Sabiá sairá para a direita dividindo agora Araçariguama e Itapevi e a Estrada Velha entrará em território parnaibano.

ARTIGO DA FOLHA DE S. PAULO SOBRE BONDES

Bonde na avenida Conselheiro Rodrigues Alves, esquina com a Joaquim Nabuco (a avenida hoje se chama Vereador José Diniz), no Brooklyn, anos 1960. Foto Sergio Hornstein
Hoje (domingo, 1 de maio) foi publicado no jornal Folha de S. Paulo, na página C4 do caderno Cotidiano, o artigo São Paulo perde seu último bonde.

Nele existe uma crônica escrita por mim a pedido do jornal, esta com o título (colocado por eles) "Fomos tolos...". Não tenho o link.