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terça-feira, 26 de junho de 2012

RIBEIRÃO PRETO E OS ERROS DE SEMPRE: A HISTÓRIA SE REPETE

Em frente à antiga estação da Mogiana, na rua General Osório e perto da antiga cervejaria, o belo prédio espera a reforma ou a morte. A história não pe sobre ele, mas ao seu redor. Foto Ralph Giesbrecht, 2007
O que se fala hoje em Ribeirão Preto é a demolição da antiga cervejaria da Antártica para se construir um shopping center no local. O quarteirão é enorme, e fica junto ao centro comercial da cidade, num local hoje deteriorado como o são quase todos os centros de cidades grandes.

A construção de um horrendo shopping ali pode levar à revigoração (como as prefeituras vêem isso) da área ou não. Pode inclusive acabar com o comércio popular do centro, o que seria péssimo para muita gente, mas poderia também acabar deteriorando o próprio shopping.

Nos anos 1960, insistiu-se para demolir a estação ferroviária de Ribeirão Preto, um prédio então de mais de sessenta anos, para se construir uma rodoviária. Embora tenha demorado bastante para isso acontecer, efetivamente ocorreu. Hoje, trinta e seis anos depois da inauguração da rodoviária em 1976, o local está mais deteriorado do que nunca.

Embora os comerciantes dissessem que isso traria a revigoração do local e todos sairiam ganhando, não foi exatamente o que ocorreu. A região que na época estava em início de decadência, hoje está bastante deteriorada, por causa da horrenda rodoviária que substituiu todo um complexo ferroviário que deveria ter se tornado um imenso parque central (para quem não sabe, as linhas ali deixaram de ter função com a remoção das linhas da Mogiana para o outro lado da cidade e a desativação de fdois ramais que dali saíam). Imaginem os senhores todas as casas antigas e históricas da Mogiana mantidas, estação, oficinas, galpões, casas e a rotunda, com seus trilhos e um imenso gramado com árvores no local.

A experiência corre o risco de se repetir. Nunca vi um povo como o brasileiro que goste tanto de derrubar a história para construir avenidas e shopping centers. Haja shoppings, realmente. Deixa-se de caminhar ao ar livre para entrar no ar condicionado de túneis como os dos centros comerciais. Eu nunca gostei, mas certamente sou exceção.

Enquanto isso, ali ao lado da rodoviária, que fica ao lado dos prédios da cervejaria, está também há anos uma locomotiva a vapor que simboliza, segundo moradores do bairro da Vila Tibério e outros de fora dele, uma das únicas lembranças da Mogiana que ali estava em tempos de outrora. O fato é que a máquina jamais pertenceu à Mogiana e jamais rodou em Ribeirão Preto. Pertencia a uma ferrovia de uma fazenda particular desativada em Santa Rosa do Viterbo no final dos anos 1960... ora, se é para ter história, que seja a história correta. Isso, fora o fato de a locomotiva estar a se estragar ao relento. Como é de ferro, obviamente enferruja e serve de depósito de sujeira de pombos e mal-tratos de transeuntes.

A Prefeitura conseguiu verba para pintá-la novamente, etc. Sempre em vésperas de eleições. De qua adiante pin tar? Se ela fosse conservada em ambiente interno, seria muito melhor. Poderia também colocá-la não ali, mas ao lado do sempre prometido e nunca entregue Museu Ferroviário da cidade, na estação do Barracão, que ainda tem seus trilhos mas está fechada há anos e não tão longe dali. Mas isso significaria tirar a máquina da Vila Tibério. Estrague, mas fique ali...

Finalmente, os prédios mais antigos da cervejaria poderiam eles ser o shopping. São pequenos para tanto? Bom, que se os deixe em meio a outras construções. O problema é que shoppings ultimamente têm sido construídos ocupando quase toda a área disponível - e neste caso é uma área grande - e aí, tornam-se monstrngos que parecem dar a impressão de que vão desabar sobre os passantes, de tão próximos que ficam das calçadas. E as construções que sobrevivessem ficariam bastante escondidas, infelizmente. Os automóveis, como sempre, não caberão nos estacionamentos construídos e tudo piorará. E por aí vai, a série de erros de sempre. E a memória da cidade se esvaindo por falte de planejamento, interesse, vergonha, mas não por falta de dinheiro, como sempre.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SARNEYLÂNDIA

Aqui em São Luiz, onde cheguei hoje às 4 da manhã, eu ainda me espanto com o que vejo. Sempre soube - e provavelmente sabia errado - que, desde a época de Vargas, em logradouros públicos somente se pode homenagear pessoas que já morreram. Pois não é que aqui há três deles com o nome do ilustre José Sarney? A avenida Presidente JS, a avenida Governador JS, a ponte Governador JS (as abreviaturas são por minha conta) não homenageiam o mesmo cara? E que está vivo? Ou ele já morreu e ainda não sabe? Ah! E tem o parque Roseana Sarney, também. E possivelmente há outros logradouros com o nome dos familiares os quais ainda não descobri.

O que será que essa família, que governa e manda no Maranhão desde 1966 e que desde 1987 parece mandar também no país, tanto fez pelo estado, que hoje é o mais pobre do Brasil? Outra indicação disso é o fato de que os vinte municípios mais pobres do país estão todos neste Estado. Esta afirmação foi colocada por um repórter em um conceituado jornal maranhense na data de hoje.

Enfim, não pude conhecer a cidade em menos de um dia, claro. Nem fui ainda até o centro antigo, nem às praias... nem sei se dará tempo, visto que estou aqui para um serviço específico, retornando a São Paulo na madrugada de sábado, ou seja, daqui a pouco mais de 24 horas. Mas dá para constatar alguns fatos.

Por exemplo, o sistema viário da cidade é uma bagunça, sem planejamento algum. Até aí, nenhuma novidade, pois São Paulo também é assim. É bastante claro que um crescimento do número de automóveis um pouco mais forte levará a cidade ao caos no trânsito.

As diversas avenidas - que facilitam, realmente, o trânsito, mas que parecem ser sucessoras de estradas antigas e rurais - foram recentemente asfaltadas. Porém, com poucas travessas, tiram a possibilidade de se escapar de um trânsito mais forte. O motorista é tranquilo, típico "motorista de praia", que para em qualquer lugar no meio da rua mesmo e atrapalha quem está atrás. Carros ziguezagueiam no meio das ruas sem motivo aparente. Porém, param sempre nas faixas de pedestres quando um transeunte quer atravessar - o que em São Paulo realmente não ocorre.

A sujeira - lixo, entulho, restos de comida - é grande nas ruas, nas sarjetas, à frente de restaurantes como o McDonalds ou como shopping centers, como o mais sofisticado Tropical, no bairro Renascença. Bairro, aliás, que parece ser o mais chic da cidade, com prédios de apartamentos e de escritórios novos, mas que foram construídos no local de uma grande mata ali existente. Mata, mesmo, não mato. Mata que ainda sobrevive em alguns pontos, mas que rapidamente vai sendo consumida, fato catastrófico para uma cidade muito quente como o é São Luiz.

Enfim, minha primeira visita a esta cidade não me deixou nada entusiasmado. Com o preço do vôo SP-São Luiz de 1500 reais (o mais barato que achei e um absurdo!!!!) e um aeroporto todo feito com galpóes de lona improvisados, não dá mesmo para impressionar nem de querer viajar para lá.

sábado, 30 de abril de 2011

JUNTANDO OS CACOS DE ALPHAVILLE

Mapa do Alphaville barueriense publicado ontem no Jornal de Alphaville.
Um morador do bairro de Alphaville resolveu montar um grupo no Facebook para disdutir e buscar soluções para o caótico trânsito do bairro, especialmente no que tange ao lado de Barueri. Lembrar sempre que Parnaíba tem o problema também, mas ocorrem em trechos menores e o caos ainda não atingiu as proporções do que ocorre no município vizinho. Se o Silvio Pecciolli (prefeito) não abrir os olhos, a cidade vai chegar lá também. O problema é que, para se chegar aos Alphavilles parnaibanos, há que se passar pelo centro do bairro em território barueriense.
Enquanto o trânsito se esboroa pelas ruas, o Shopping Iguatemi é inaugurado e certamente piorará mais as coisas. Não muito longe dele, seu concorrente no Tamboré se expande.
O Jornal do Alphaville de ontem (ele é semanal e sai às sextas-feiras) publicou várrias reportagens espalhadas por suas páginas sobre o assunto. Citou o grupo do Facebook e também o problema dos semáforos, que estão atrapalhando muito mais do que ajudando. Como é um jornal, ele escreve notícias diversas, E aí vêm as contradições, que não são necessariamente culpa do jornal: a inauguração do Shopping Iguatemi e da 7a (sétima!!!) expansão do Shopping Tamboré, o lançamento de novos prédios (meu Deus! Mais?)...
Moradores ensaiam protestos (mas têm eles a experiência de protestos dos moradores de favelas, muito melhores para essas coisas?)
Saí hoje por Alphaville vi que, além dos dois edifícios da Via Parque que estão em final de acabamento, do monstrengo na divisa Barueri/Parnaíba ao lado do corrego do Garcia e do Alphaville 3 e do edifício na entrada da avenida Copacabana (ao lado do Burger King) que deverá ser entregue em agosto, há pelo menos mais um prédio sendo anunciado com placas, este na alameda Mamoré, ao lado do América.

Propaganda da prefeitura de Barueri tentando convencer o motorista de Alphaville que ela é competente... mas somente o desse carro parece acreditar, pois, pela foto, está circulando no abirro Às sete da manhã de um domingo...
Ouvi também falar (não sei se a notícia é real) que um novo edifício, inclusive com um shopping embaixo, vai ser construído onde hoje é o estacionamento da Laville, na Rio Negro.
O Jornal publica seu editorial sobre o assunto, mas, em minha opinião, não chega nem perto do cerne do problema...
Nesta postagem, reproduzo diversas reportagens (ou parte delas), anúncios e fotografias publicadas no Jornal de Alphaville ontem.
A reportagem sobre os semáforos apresenta-os como solução... ou não!
Que Deus tenha piedade de nós. Que faça baixar o bom senso na cabeça dos políticos da região. A esta altura, as possíveis ssoluções para tentar amenizar o problema passam por pelo menos três providências, que, já sei, são impossíveis de ser feitas, pelo menos a curto prazo: o pessoal vai me chamar de louco, mesmo sem provavelmente terem qualquer outra alternativa.
Empreendedores que confiam na falta de pesquisa sobre o assunto pelos prováveis compradores anunciam mais prédios, este na avenida Copacabana (chamado ali erroneamente de 18 do Forte).
Outro prédio tem o lançamento previsto para amanhã... (hoje, já que o jornal é de ontem)
Quais são elas? 1) A imediata paralização de qualquer obra em andamento, excetuando-se a de casas dentro dos loteamentos fechados, independentemente do ponto em que estiverem e no estado em que estiverem para longa e posterior reavaliação; 2) Suspender toda e qualquer licença para novos empreendimentos, inclusive as que estiverem já com licenças obtidas mas ainda não tiverem iniciado as obras; 3) A imediata colocação de transporte sobre trilhos - de preferência VLTs (Veículo Leve Sobre Trilhos, ou seja, bonde modernos) - em todas os canteiros centrais das principais vias do bairro, sendo que todos se ligarão às estações ferroviárias da CPTM em Carapicuíba, Santa Teresinha, Barueri e Antonio João.
Não é muito difícil prever que logo, logo, os canteiros centrais desaparecerão e se tornarão faixas de trânsito para automóveis (em vez de serem adaptados para receber trilhos).
Ah, mas o Ralph é doido! Pode ser. Aguardo alternativas melhores. Porém, como sei que nenhuma das propostas que acabo de fazer serão aceitas, decidirei se continuarei morando aqui assim que tiver para onde me mudar.
A quantidade inacreditável de carros a mais para o bairro todos os dias é notícia...
Para onde? Ora, não para São Paulo... eu diria, para no mínimo 150 km de distância da Capital paulista...
E, para terminar, uma fantástica visão do Monstrengo de Alphaville. À frente dele, a avenida Sagitário, atrás deles, os infelizes moradores do Alphaville 3 e, sentado na placa, um sujeito sorridente dá a impressão que está chamando de idiotas os possíveis interessados em comprar unidades por ali...

Finalmente, para arejar a mente, o link para o Onde era, onde é, de hoje.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

SHOPPING CENTERS

Até o prédio da Light, construído junto ao vale do Anhangabaú no final dos anos 1920 em São Paulo, virou shopping center...

Detesto shopping centers. Para começar, eu sou chato mesmo e acho que eles deveriam se chamar Centro de Compras, que é a tradição literal, e não ter nome em inglês. Ou então, aportuguesar a palavra: "Xopin Center". Não, palavras que começam com X são muito esquisitas. O fato, porém, é que não há "sh" na língua portuguesa.

Aliás, mais curioso ainda é o fato de que o americano, que inventou esse triste centro de consumismo, não chama o que chamamos de shopping centers de shopping centers. Os nossos shopping centers para eles são os shopping malls. Em compensação, o que eles chamam de shopping centers são, na verdade, aqueles shoppings pequenininhos que muitas vezes ficam em esquinas com meia dúzia de pequenas lojas e onde os automóveis estacionam na frente delas.

Hoje tive de ir em um shopping. Normalmente, só vou a eles quando é absolutamente necessário. Entro, tento ir direto à loja em que preciso comprar ou conferir alguma coisa, compro, pago e saio de volta para o carro. Hoje não deu. Por diversos motivos que não vêm ao caso, acabei permanecendo cerca de uma hora e meia lá dentro, e na mesma loja. Dela somente saí para ir ao banheiro e para comprar um refrigerante. Ah, sim: aproveitei para ir ao banco, já que havia um lá dentro bem próximo à loja em que eu estava.

Você já experimentou achar um banheiro num shopping? Claro, se você vai sempre a eles, já descobriu onde eles estão. Mas para quem não vai nunca, achar um banheiro é tarefa hercúlea. Normalmente não há placa indicando onde eles estão. E quando há, mesmo seguindo as placas, você não chega no banheiro. Hoje, por exemplo, no andar em que eu estava não havia banheiro. Perguntei a um guarda onde era e ele me mandou descer a escada e entrar à direita. Que absurdo! Mudar de andar num enorme shopping só para ir ao banheiro.

Outra coisa que não me agrada nos shoppings é a reverberação imensa e insuportável a ponto de não se conseguir conversar direito. Você senta com sua esposa ou com amigos numa mesa para conversar mas não consegue, graças ao insuportável festival de vozes que retumba pelo amplo salão. E mais: restaurantes e barzinhos estão frequentemente cheios demais.

Enfim, reclamo demais, concordo. Mas que continuarei indo a shoppings somente quando precisar muito, ah, isso vai continuar... Prefiro mil vezes caminhar pelas ruas. Pode ser mais inseguro, mas pelo menos me sinto livre sem um teto enorme em cima de mim e sem a luz do sol.