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quarta-feira, 4 de maio de 2016

SOROCABANA, QUE SAUDADE!

Trecho Candido Mota-Sussuí na atualidade - Foto Joaquim Antonio Martini

Por aqui passava o trem para Ourinhos.
Por aqui passava o trem para Londrina e Maringá.
Por aqui passava o trem para Piraju.
Por aqui passava o trem para Santa Cruz do Rio Pardo.
Por aqui passava o trem para Presidente Prudente.
Por aqui passava o trem para Assis.
Por aqui passava o trem para Presidente Epitácio.
Por aqui passava o trem para Euclides da Cunha.

Por aqui passava os trens que levavam e traziam cargas que desenvolveram o país.

Por aqui passava o trem que um dia levou o Presidente Theodore Roosevelt para Piraju em 1913.
Por aqui passava o trem que um dia levou meu avô Sud Mennucci para Presidente Epitácio.
Por aqui passava o trem que um dia levou trabalhadores que construíram a linha para o rio Paraná.
Por aqui passava o trem que um dia levou os ingleses para fundar Londrina e região.
Por aqui passava o trem que um dia levou o povo que fundou as cidades da Alta Sorocabana.
Por aqui passava o trem que um dia levou o progresso de São Paulo e do Brasil.

Não dá mais para cantar: "Tomei um dia de Sorocabana..."

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

QUEM FOI FREI MANUEL?

Comento aqui sobre uma crônica publicada no jornal O Estado de S. Paulo no dia 12 de setembro de 1906 - portanto, pouco mais de oitenta e nove anos atrás.

Nessa época, essa região - no caso, o oeste que começava a ser desbravado para além da cidade de Cerqueira César - era o início da "terra desconhecida e povoada por índios", que aparece nos mapas do final do século XIX e início do XX.

Desde 1896, os trilhos da Sorocabana terminavam ali, na estação dessa cidadezinha, que, por todo esse período, cresceu muito, como costumava acontecer com as "bocas de sertão", que recebiam todas as mercadorias que vinham de além dela, por estradas e picadas horrorosas e que eram embarcadas nos comboios puxados por locomotivas a vapor que trafegavam, em quase todo seu trajeto até São Paulo, entre matas pouco ou nada exploradas.

Somente no final desse ano de 1906 os trens avançaria, por linhas recém-construídas e que seguiam para o lado de Piraju e de Santa Cruz do Rio Pardo. Dali em diante, a ferrovia avançaria bem mais rápido e chegaria em 1922 a Presidente Epitácio.

O que me chamou a atenção foi exatamente o fato de que não existem tantas histórias assim daquele território misterioso. A história não é tão curta e está colocada no fim de minha postagem.

De início, achei que o artigo era de autoria de um tal Frei Manuel, pela forma que seu nome estava colocado no início do texto. Não era. Era, realmente, o título. Fala de Cerqueira César e de Três Ranchos - este último, um nome que começava a desaparecer, pois era o nome primitivo de Cerqueira César. Quem sabe hoje onde ficava ou o que era Três Ranchos?

Fala também de animais e plantas que hoje, se lá ainda existem, já serão decerto raridades, com o avanço da civilização para dentro de um espaço que era dominado exatamente por eles. Fala também de outros nomes quase esquecidos, como o Araquá, São Manuel do Paraíso, fala das aventuras e desventuras de um certo Frei Manuel. E, no fim, o nome do autor de tudo isto, Valdomiro Silveira. Enfim, vale a pena ler.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

RESTAURAÇÕES EM SANTA CRUZ E PIRAJU

Estação restaurada de Santa Cruz do Rio Pardo em dezembro de 2011. Foto Edson Rodrigues

A estação ferroviária de Santa Cruz do Rio Pardo fechou em dezembro de 1966. O último trem da Sorocabana, um trenzinho misto (passageiros e cargas) que ia e vinha da cidade e estação de Bernardino de Campos percorrendo 24 quilômetros, parou um belo dia pela última vez ali. Ramal deficitário, diziam.
A estação de Piraju restaurada em 2010. Foto Reinaldo Rodrigues
Provavelmente era mesmo. Ramais curtos valeram a pena quando a ferrovia transportava muita carga, inclusive café, que existia ali na região. Após 1930, diminuiu muito o que transportar. Até passageiros, que aos poucos preferiam tomar os ônibus, que tinham mais horários e já podiam percorrer rodovias melhores.
A estação de Santa Cruz do Rio Pardo abandonada em 2000. Foto do autor
Aliás, esse ramal e também o de Piraju foram custeados pelas prefeituras das duas cidades, uma perto da outra. O ramal de Piraju saía da estação de Manduri. Fizeram as obras, as estações e entregaram de mão beijada para a Sorocabana operar. Ambas as estações foram construídas pelo arquiteto, à época ainda não tão famoso, Ramos de Azevedo, entre 1906 e 1908.
A estação de Piraju abandonada, em 2000. Foto do autor
Os dois ramais pararam no mesmo dia. As duas belas construções foram abandonadas. E assim ficaram até o ano passado. A de Piraju, em verdade, foi restaurada um pouco antes. A de Santa Cruz estava quase pronta na virada do ano, ou seja, há 10 dias atrás. Deviam ser construções bem sólidas, pois com todo o abandono, mantiveram-se em pé.

As restaurações, pelo que pude ver, principalmente externamente, não parecem ter alterado muito os prédios originais. Apenas as cores foram alteradas, aparentemente. Seja como for, valeu a pena, era melhor do que deixá-los largados.
A estação de Santa Cruz em construção, em 1906. Ampliando a foto, nota-se que um peru está posando também no meio dos funcionários. Seria o almoço daquele dia?
Basicamente, as duas estão fora das duas cidades, ou melhor, no limite da sua zona urbana. Assim era em 1906, assim é hoje. Portanto, sujeitas a agressões de vândalos: necessitam ter gente que realmente tome conta delas. Esperamos que assim o seja. As duas ainda estão, pelo que sei, vazias, mas ainda restam pequenos detalhes a serem feitos, pelas informações que recebi. Vão ser, quase que certamente, centros culturais, seja lá o que este nome queira dizer: para cada cidade, a definição é diferente...

Mas valeu pelo esforço, esperemos que nada se deteriore a partir daqui.