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domingo, 25 de outubro de 2015

ITAPEVA: A PONTE SOBRE O RIBEIRÃO FUNDO

A ponte em 1909

Nos últimos três dias, discutimos no Facebook sobre uma das grandes obras da engenharia ferroviária em nosso país - e praticamente desconhecida: a ponte do Ribeirão Fundo, em Itapeva, no ramal de Itararé. Foi construída com projeto do Engenheiro Huet Bacelar, na época, diretor da Sorocabana.
Posição da ponte de acordo com o Google Maps: à direita, junto a uma área desmatada  e a oeste da estrada que corre no extremo direito da foto de norte a sul. O pátio da estação aparece no extremo esquerdo da foto.

Por uma informação errônea que me foi passada anos atrás, fui levado a pensar que esta magnífica ponte ficasse próxima à estação de Engenheiro Maia, em Itaberá, município vizinho a Itapeva. Se isto fosse verdade, a ponte estaria localizada no meio da mata.
Rafael Rodrigues - 2014

Só que, em meio à discussão dos últimos dias, acabamos percebendo que não - a ponte deveria ficar no município de Itapeva, e, pior (ou melhor, sei lá) - praticamente dentro da sua área urbana e não muito distante da estação da cidade, que tem, aliás, quase a mesma idade da ponte. A estação foi entregue em 1912, substituindo uma provisória de 1909 e a ponte sim é de 1909.
IBGE, 1960 - a ponte está onde está o sinal de "aeroporto". Vejam que há também um rio com o nome de Pilão D'Água - continuação do ribeirão Fundo?

Apesar de ter estado em Itapeva cerca de quatro vezes (nos últimos vinte anos), eu jamais saí à procura desta ponte que, a meu ver, é maravilhosa. E, pior ainda, pensava que havia sido destruída, erro também de meu "informante".
A ponte em duas épocas

Se ela realmente ficasse próxima a Engenheiro Maia, poderia realmente tê-lo sido, pois esta estação fica num trecho de linha que foi eliminado em 2001, entre Itapeva e Itararé. Mas, mesmo assim, por que demolir uma ponte como esta, enorme, de pedras e de difícil acesso? Outra coisa que reforçava o fato de ela ter sido destruída era que a sua pequena parte de ferro teria sido largada no pátio abandonado da demolida estação de Engenheiro Maia. Realmente, existe uma ponte metálica jogada neste pátio há anos, mas poderia ter sido de diversas outras pontes de ferro que existem no trecho. Inclusive a que existe - ou existia - sobre o córrego Pirituba, este sim, perto desta estação.
1o de abril de 1909 - inauguração da ponte.

Finalmente, meu amigo Daniel, que sabe pesquisar na Internet muito melhor do que eu sei, achou um filme (de autoria de Rafael Rodrigues), do qual tirou um fotograma e que mostra a ponte com uma composição da ALL passando sobre ela. Portanto, bem recente. A ponte está lá, pois, nesse trecho, a linha ainda é ativa para cargueiros. O vídeo está aqui.

E mais: eu passei de trem sobre ela em 1998 - era noite e nem pude perceber. Foi na minha histórica (pelo menos para mim) viagem que fiz no trem de passageiros Sorocaba-Apiaí, que existiu por quatro anos apenas.

A ponte metálica parece ter sido substituída por outra, mas a enorme estrutura de pedras permanece ali, parcialmente coberta pelo mato do vale em "v". Aliás, o córrego foi identificado pelo autor do filme como sendo sobre o rio Pilão D'Água. Porém, isto não muda nada - o nome de pequenos cursos d'água nunca são realmente uniformes no tempo. No mapa de 1960, aparece como ribeirão Fundo.

Agradecimentos a Daniel Gentili, Rafael Rodrigues (a quem não conheço), Adriano Martins, Eliezer Poubel Magliano e Jônatas Rodrigues Pereira pelas informações e discussão.

sábado, 4 de dezembro de 2010

NO FIM DO MUNDO, ENGENHEIRO MAIA

1986 - somente ruínas

Uma das estações ferroviárias que desapareceu nos últimos anos foi a de Engenheiro Maia, nome dado em homenagem ao engenheiro Alfredo Maia, que trabalhou para diversas ferrovias, onclusive a Sorocabana, especificamente nesta para a construção do ramal em que a estação estava: o ramal de Itararé.

1912 - a estação pronta, nova e operando

Construída entre 1909 e 1912, inaugurada em 1909, o tipo de construção que ela tinha dava a entender que ali deveria ser - ou vir a ser - local importante para o embarque e desembarque de mercadorias e passageiros. Era a única estação do município de Itaberá, entreos de Faxina (Itararé) e Itararé, sendo, porém, bastante distante da sua sede (23 km) e quase às margens do rio Pirituba, que, aliás, deveria nomeá-la, sendo preterido em lugar de Ibiaté e, finalmente, de Engenheiro Maia, já na sua abertura.

1973 - pouco movimento ainda na estação

Os relatórios da ferrovia, no entanto, sempre acusaram números muito baixos de embarque de cargas na estação, mesmo existindo ali a junção de um ramal industrial da Cia. Agrícola e Industrial de Angatuba. O número de passageiros também era pequeno; realmente, o local permanece com aspecto totalmente rural, mostrando que, com números baixos, não havia razão para crescer e se urbanizar, mesmo com o casa do Barão de Antonina ser ali localizada.

1997 - fora a linha, nada mais do pátio da estação

Enfim, em 1986, a foto que existe num dos raros documentos com fotografias da FEPASA - o relatório de instalações fixas - já mostram um prédio abandonado e em ruínas. Sobraram, no entanto, algumas poucas casas, muito bonitas e simpáticas, da antiga vila ferroviária, mas as fundações da estação - e até a plataforma de concreto - já desapareceram desde 1997 pelo menos, quando estive lá. Ainda existia a linha, mas já desativada havia pelo menos 5 anos e que foi arrancada 4 anos depois.

2006 - A mais bela casinha ali. Nem mesmo a casa do Barão de Antonina sobreviveu.

O local ainda é bastante isolado. A última vez que fui lá foi em 2006. O acesso da estrada Itapeva-Itararé para lá (um quilômetro e meio) ainda era de terra. O pessoal da casa com quem eu estava conversando disse que o dono tinha ido até Itaberá pegar uns papeis - como disse, longa viagem, 37 quilômetros. Apesar de tudo, o local é muito calmo e agradável. Vale uma visita ali e na região. Mais sobre Engenheiro Maia aqui.