Mostrando postagens com marcador Viaduto do Chá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Viaduto do Chá. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A RUA BARÃO DE ITAPETININGA VOLTA A SER BONITA

Prédio de 4 andares construído possivelmente nos anos 1910 ou 1920, na esquina com a rua Dom José de Barros.

Nos últimos tempos, com a expulsão dos camelôs que haviam tomado conta do centro da cidade de São Paulo, diversas ruas do Centro Velho (Lado "de lá" do Anhangabaú) e do Centro Novo (Lado "de cá" do Anhangabaú) passaram a ser mais limpas e terem melhor manutenção.

A rua Barão de Itapetininga, que liga o viaduto do Chá à praça da República, livre de tanto bagulho que atrapalhava o movimento dos pedestres, manteve o seu calçadão e agora é um amplo passeio.
Fachada térrea do belo Edifício "Casa Guatapará"

Com poucos edifícios altos - a grande maioria não passa de oito andares e existem ainda alguns bem baixos - a rua é bastante charmosa. Muitas lojas, auxiliadas pelo fato de não poderem mais colocar os enormes nomes e anúncios de liquidações (com a chegada da lei Cidade Limpa, única coisa realmente séria e boa que o prefeito Kassab fez), ficam geralmente no térreo dos prédios.
Edifício de onde saíram os tiros no dia do MMDC, na esquina da Prça da República. Fotografia de 1932

Até 1892, a rua começava onde hoje é a praça do Patriarca, descendo e subindo o vale. Nesse ano, ficou pronto o primeiro viaduto do Chá e a rua passou a se iniciar na praça Ramos de Azevedo, que surgiu mesmo com a inauguração do teatro Municipal em 1911.
No início da rua, a preça Ramos de Azevedo, com o Teatro Municipal. Lá atrás, meio escondido atrás do poste, o hoje "baixinho" Palacete Sampaio Moreira

O nome da rua foi dado pelo fato de ela terminar no palacete do Barão de Itapetininga. No final do século XIX, o palacete passou a ser do Barão de Tatuí e somente foi demolido nos primeiros anos da década de 1910, para a construção do Palacete Prates, na esquina da rua Líbero Badaró com o viaduto.
O Cinema Universal, na rua Barão de Itapetininga, em foto de 1916. Onde teria sido?

Também no início do século XX, havia na rua alguns cinemas e também oficinas de automóveis. São poucas, no entanto, as fotografias de prédios e edificações na rua.
O mesmo prédio do MMDC, em foto tirada hoje. Sacado da Praça da República

Na esquina da Praça da República, ainda existe o prédio de onde saíram os tiros que mataram Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo em 1932 e foram o estopim da revolução Constitucionalista, ainda está lá.
À esquerda, o belo edifício de 3 andares da antiga Confeitaria Vienense. Para o fundo a rua Barão de Itapetininga, sentido viaduto do Chá

A Confeitaria Vienense, outrora chique e muito boa, decaiu e depois fcehou, embora o prédio ainda exista ali.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PRAÇA DO PATRIARCHA EM 1939

Neste mapa da Sara Brasil de 1930, nove anos antes, vê-se a praça e as ruas à sua volta. Ainda era o viaduto do Chá antigo. As linhas no centro de algumas ruas indicam linhas de bondes elétricos. Os palacetes na esquina do viaduto com a Líbero Badaró, de um lado (norte) era o Prates; ao sul, a Rotisserie Sportsman. Ambos não existem mais.

Por velhas reportagens com fotografias podemos ter o prazer (apesar da má qualidade das fotos) de conhecer a Praça do Patriarca em 1939. A praça foi aberta em 1922 com o nome de Praça do Patriarcha José Bonifácio e mais tarde teve o nome reduzido para o atual, pois era assim que todos a chamavam. Raro caso em São Paulo de reconhecimento governamental de um nome popular.

As fotografias foram todas publicadas pelo jornal Folha da Manhã no ano de 1939, atual Folha de S. Paulo, e mostram diferentes aspectos da praça. Duas outras imagens foram extraídas de propagandas, no mesmo jornal.
A foto acima, de 3 de fevereiro, mostra uma tomada onde se pode ver à esquerda um belo prédio (de construção recente na época) e que até hoje está lá. No centro, na esquina entre as ruas São Bento e da Quitanda, o edifício que por muito tempo abrigou no térreo a famosa Casa Fretin. À direita, o edifício Barão de Iguape, que até meados do ano anterior (1938) abrigava o Mappin Stores, que dali saiu para a Praça Ramos no ano citado.
Em uma propaganda do dia 14 de setembro (acima), o magazine Ao Preço Fixo anuncia a inauguração de sua nova loja no edifício onde até um ano antes estava o Mappin Stores.
No dia 15 de novembro (acima), nova propaganda do "Ao Preço Fixo" mostra a loja novamente em belo desenho a bico de pena.
Em 29 de dezembro, a reportagem acima mostra uma foto da praça tirada de frente do edifício Barão de Iguape no sentido do viaduto do Chá - já o atual. Na foto podem ser vistos à direita o mesmo edifício citado na tomada de fevereiro, na esquina da Líbero Badaró. À sua direita, o Palacete Prates. Lá ao fundo, do outro lado do viaduto, o Teatro Municipal. À esquerda da foto, o atual prédio da Prefeitura em construção, envolto por uma muralha de tábuas, como era costume se fazer na época. Ele foi construído no lugar do antigo prédio da Rotisserie Sportsman.

Dos edifícios citados neste artigo, o Palacete Prates e o Barão de Iguape já foram (infelizmente) demolidos. Hoje, aliás, eu estive na praça. Vi a Galeria Prestes Maia, linda e bem conservada, construída pouco depois das fotos aqui colocadas... pena aquele horror de marquise que a prefeita Marta Suplicy mandou construir sobre ele. A Igreja de Santo Antonio, uma das mais antigas da cidade, continua lá, embora nas fotografias de 1939 ninguém tenha se preocupado em fotografá-la. Também o antigo Hotel Othon - o hotel deixou o prédio há dois anos - construído nos anos 1950 continua lá. No lugar do Barão de Iguape, um enorme edifício que tem o Banco Itaú (era o Unibanco) no seu andar térreo.

Belo lugar. Hoje à tarde estava uma maravilha. Lugar que merece ser preservado.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

HOTEL OTHON


Deu hoje no jornal que o antigo Hotel Othon, na esquina da rua Líbero Badaró com a Praça do Patriarca, em pleno centro velho da cidade de São Paulo vai ser utilizado pela Prefeitura Municipal - cujo prédio-sede fica em frente a ele, na entrada do Viaduto do Chá - para abrigar as secretarias que são mais ligadas e dependentes da administração. O prédio terá inclusive uma passagem subterrânea para comunicação entre os departamentos.

O prédio fora desapropriado depois do fechamento do hotel, o que se deu em 2008. É ótimo ter uma função, para que não se torne mais um elefante abandonado no centro da maior cidade do País. Porém, ele será reformado, com certeza: mudar-lhe-ão as partes externas? Afinal (e meus leitores sabem que não gosto nem um pouco de edifícios altos, sejam residenciais, sejam de escritórios), é uma construção dos anos 1950 que ainda tem alguns atrativos, ao contrário de diversos caixotões por aí. Não sei se é tombado por algum órgão: talvez até o seja.

O que me faz lembrar este prédio é o fato de ele ter sido palco da festa de casamento de meu filho, dois anos antes de fechar, em março de 2006. A recepção foi feita no mezzanino, onde havia o restaurante do hotel. O salão foi alugado para a festa numa noite de sábado. A cerimônia de casamento havia sido realizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no largo do mesmo nome. Diversas pessoas que compareceram a ela comentaram que jamais haviam ido a essa igreja e que, apesar disso, a consideraram uma das mais lindas da cidade pelo seu interior. Verdade. E pouca gente ia e vai pela simples razão que ela está incrustada no meio da Cracolãndia em volta de velhos (e lindos) casarões abandonados. Apesar disso, valeu a pena.

Já no início da noite, noivos e convidados dirigiram-se, de carro, claro, para o Othon. Muitos convidados passaram a noite no hotel. Assim como na igreja, muita gente comentou que não vinha - ou nunca havia vindo - há muitos anos para o centro velho de São Paulo nem de dia, quanto mais à noite. E descobriram que a cena que se vê do primeiro andar do prédio é muito bonita à noite.

Sem a multidão comum em volta dos dias de semana, as luzes e baixo movimento fazem com que a vista seja bastante agradável. Vêem-se os prédios antigos da Praça do Patriarca e da antiga sede da Matarazzo - que hoje é a sede da Prefeitura, o viaduto do chá e, do outro lado deste, o Teatro Municipal, o antigo prédio da Light, hoje shopping, e o Hotel Esplanada, atual sede da Votorantim. Tudo iluminado com iluminação direta.

Tudo isto tornou para muitos presentes e principalmente para meu filho uma ocasião especial. Já seria especial pelo casamento em si: foi algo mais brilhante por ter sido diferente.

Portanto, caro senhor Prefeito, veja lá o que vai fazer com o prédio.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PRAÇA DO PATRIARCA JOSÉ BONIFÁCIO

O antigo e belo prédio do Mappin Stores, no lado oposto ao viaduto do Chá, em 1937. Este prédio foi demolido, provavelmente nos anos 1970, para dar lugar a outro prédio sem-graça: o que abrigava o Unibanco e agora abriga o Banco Itaú. Autor desconhecido

O nome no título desta postagem é o nome original desta tradicional praça da cidade de São Paulo. Localizada no Centro Velho, ela não é tão velha assim: foi construída (posso estar enganado na data, mas é por esta época) em 1928, quando se demoliram os imóveis que existiam ainda no pequeno quarteirão formado pelas ruas São Bento, da Quitanda, Líbero Badaró e Direita. Aliás, na esquina da Direita com a São Bento era o famoso "Quatro Cantos", único cruzamento em ângulo reto que o Centro Velho sempre teve.

Com o tempo, o nome foi resumido para "Praça do Patriarca". A partir de 1892, era na rua Líbero Badaró que desembocava o primitivo Viaduto do Chá, inaugurado nesse ano com sua estrutura em ferro. Quando a praça foi construída, passou a ser a porta de entrada do Centro Velho para quem vinha da Praça Ramos de Azevedo.

Da praça podia-se descer para o Anhangabaú, por uma pequena rua que passava entre o Palacete Prates (no local onde hoje está o sem-graça Edifício Conde Prates) e o início do viaduto. Depois, construiu-se a passagem entre o mesmo Anhangabaú e a praça por um túnel de pedestres com escadas: a Galeria Prestes Maia. Com a abertura do viaduto novo, em concreto, em 1938, a passagem lateral foi eliminada e substituída pela Galeria Prestes Maia. Posso estar errado aqui também e elas teram convivido por algum tempo.

Hoje, a praça ainda é bonita, mas perdeu o antigo prédio do Mappin Stores, substituído pelo edifício que abriga no térreo uma agência do Itaú, ex-Unibanco. À direita, a Igreja de Santo Antonio, de mais de 200 anos de idade, ficou espremida e meio escondida entre o prédio dos anos 1950 do Hotel Othon, fechado, e um prédio baixo horrorosinho e branco. À frente da igreja, um edifício dos anos 1920 ainda está lá, graças a Deus. De um lado do viaduto, a atual Prefeitura, ex-prédio do Matarazzo, está no lugar, desde os anos 1930, do prédio da Rotisseria Sportsman. Do lado contrário, o Conde Prates.

Sobre a saída da Galeria Prestes Maia, no centro da praça, o horror que a prefeita Marta mandou construir em 2002, uma cobertura que consegue ser mais feia do que todos os edifícios mais recentes da praça. Implosão nela (não na ex-prefeita, na cobertura).

Mas o trio Patriarca-viaduto-praça Ramos ainda tem beleza, principalmente iluminado à noite. Meu filho Alexandre deu sua recepção de casamento no salão do Othon, ainda aberto em 2006. Os convidados, muitos deles não tendo ido ao centro velho havia muito tempo, surpreenderam-se com a beleza da paisagem noturna vista das janelas do primeiro andar, mirando o viaduto do Chá e o Teatro Municipal.

domingo, 1 de agosto de 2010

UM DESASTRE


Em 1952, foi demolido o Palacete Prates. Construído pelo Conde Prates, entre outras coisas dono da Fazenda Santa Genebra, hoje no município de mesmo nome, o palacete foi construído juntamente com seu vizinho no ano de 1911, para harmonizar arquitetonicamente com o Edifício Sampaio Moreira e com o próprio Teatro Municipal, este no outro lado do Vale, ambos da mesma época. Todos eles constituiram por muitos anos o cartão-postal de São Paulo.

Mas... muitos anos, mesmo? Afinal, ele durou apenas 41 anos e foi demolido. Uma obra de arte, substituído pelo edifício Conde Prates, que, por mais que tenham arquitetos que possam gostar dele, para mim é totalmente descartável. Uma implosão seria uma dádiva. Não construir nada em seu lugar, uma dádiva maior ainda.

As duas edificações ao lado do palacete duraram pouco tempo mais. O Clube Comercial, ao lado do Martinelli, construído depois do palacete, caiu, se não me engano, em 1958. O outro, em 1972, abrigou a Assembléia por muitos anos. O próprio Palacete Prates abrigou tanto a Prefeitura quanto a Câmara Municipal até meados dos anos 1930. Depois, não sei. É possível que tenha se deteriorado depois disso até a sua demoliçaõ, mas isto é algo a se conferir.

Contrastando com a filosofia americana de construir prédios descartáveis, que são demolidos de geração em geração, a filosofia européia mantém suas construções por muito mais tempo. É uma das razões da amnutenção de suas tradições e, consequentemente, de seu amor às raízes, amor à Pátria.

No Brasil, e principalmente em São Paulo, porque esta cidade cresceu rápido demais, prédios foram abaixo num piscar de olhos. O arquiteto Benedito Lima de Toledo deixou isto bem claro em suas obras. A imagem captada pelas lentes fotográficas mostrada acima, tirada de um livro publicado em 1953, "Isto é São Paulo", mostra o palacete já quase totalmente demolido e visto da rua Líbero Badaró, tendo ao fundo o Teatro Municipal. Não parece, na época, ter havido grandes lamentações ante o que considero, hoje, um desastre.

De todas as obras da remodelação do Vale do Anhangabaú em 1911, sobraram o Teatro e o Sampaio Moreira, além de parte dos jardins das encostas. Mais tarde, obras como o Hotel Esplanada - hoje ocupado pela sede do Grupo Votorantim -, o prédio da Light, o novo Viaduto do Chá, que derrubou o antigo de metal e o Palácio Trocadero embelezaram mais ainda o Vale. O último já foi para o chão, também. O Vale, hoje, com concreto em sua parte baixa onde um dia correu a céu aberto o rio Anhangabaú e depois um belo jardim com ruas em curvas, é algo que deixa a desejar pelo que já foi um dia.

Três prédios enormes ocupam o local dos três casarões citados. Em meu ponto de vista, jamais deveriam estar ali. O Sampaio Moreira, então, mal aparece, pequeninho, epremido entre eles, embora esteja do outro lado da Líbero. A Praça Ramos, com os prédios construídos à sua volta e também o antigo Zarzur-Kogan, na rua Formosa, de certa forma escondem a beleza do Teatro.