quinta-feira, 21 de novembro de 2013

OS TRILHOS DO MAL - BAURU

Mapa feito e publicado no Jornal da Cidade de alguns dias atrás. E reparem na revisão: o que está em azul claro é citado como sendo "linhas aéreas". Claro que não é. São essas as linhas férreas (para o sul, ex-Sorocabana, para o oeste, a Noroeste e a Paulista, para o leste, a Paulista.

Já falamos sobre o assunto Bauru. Com linhas da antiga Paulista, Sorocabana e Noroeste do Brasil, a cidade agora quer fazer um anel ferro viário à sua volta para que os cargueiros não atrapalhem mais a cidade. Sempre a mesma história.

Só que aqgora, há a promessa de se aproveitar as linhas históricas que cruzam a cidade desde 1905 para trens metropolitanos ou VLTs. Resta saber se é verdade, se é sério, se é promessa eleitoral, se é promessa fútil, ou se é mentira mesmo.

Para que gastar milhões de reais fazendo um contorno inútil? É evidente que a cidade pode viver com os cargueiros. Centenas, milhares de cidades pelo mundo inteiro, no primeiro, segundo e terceiro mundo, inclusive o Brasil, convivem com os trilhos e os trens. Muitas delas com os trilhos no meio das ruas, o que não é o caso de Bauru, onde há e sempre houve um corredor específico para as linhas que a cruzam.

A cidade é uma das maiores do Estado, com cerca de 600 mil habitantes e não deixou de crescer por causa dos trens. Muito pelo contrário, se a Sorocabana não tivesse aportado ali com os primeiros comboios em 1905, é muito possível que ela fosse hoje uma cidadezinha de segunda (o que talvez nem fosse um mau negócio).

Muitos a chamam de "o maior entroncamento ferroviário do Brasil". Não é. Mas é (era) um entroncamento bastante importante. A questão é saber para que gastar tanto dinheiro em desaporpiração de terras e em obras e materiais para construir uma linha contornando a cidade em vez de gastar isso para justamente colocar e fazer funcionar trens como os da CPTM ligando os bairros que já estão ligados por trilhos, só faltam os trens de passageiros, ali sumidos desde 2001.

Cada dia que passa chego à conclusão de que o Brasil é um país inviável, onde nada é planejado em termos macro e o que é planejado em termos micro é mal pensado. Caso de Bauru, claramente, com mais uma ideia de jerico como tantas as que proliferam pela nossa terrinha.

5 comentários:

  1. Ralph, licença para um contraponto.

    Como entusiasta de ferrovias, concordo que quanto mais se elimina as ferrovias de um local, pior para o transporte como um todo. Não conheço Bauru e o que vou escrever aqui é apenas uma suposição.

    Como dito, é um entroncamento ferroviário importante. Se é importante, tem alto movimento. E se tem alto movimento, tem riscos.

    Em tempos de CIPA, de valorização de proteção à vida, uma linha férrea que cruza a cidade e imagino que não tenha tanta proteção ou formas de atravessa-la com segurança, a situação por lá imagino que seja desconfortável para seus habitantes. Imagine uma composição com muitos vagões atravessando um cruzamento movimentado por exemplo, e o tempo que demoraria para algum carro cruza-lo.

    Um contorno ferroviário, ferro anel ou similar auxilia a justamente evitar estes gargalos, seja para os trens, que acabam trafegando em baixa velocidade devido a necessidade de segurança; seja para os veículos comuns, como ônibus e carros, e os pedestres, que assim não precisam aguardar para cruzar a via. Claro que se optarem por um VLT ou similar ao manter as linhas, também haverá riscos, mas serão menores, pois a linha ganharia uma requalificação.

    Enfim. Não vejo como ruim tirar os trilhos do centro de uma cidade, desde que os motivos sejam justos e que algo no lugar seja feito para compensar. Vejo como ruim tirar os trilhos para fazer algo inútil ou não compensar a perda de um meio de transporte inteligente. :)

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  2. Discordo, Ligeirinho. Como eu disse, centenas, milhares de cidades convivem com trens em corredores e em ruas. Os prefeitos apenas aproveitam as paranoias atuais com segurança para justificar obras inúteis.

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    1. Mas existem diversos tipos de cidades, diversas densidades, tudo o mais.

      Posso concordar com o Adriano que realmente, a população não respeita a sinalização de segurança (resido em Itapevi e costumo ver as pessoas transpassando as barrerias e ficando centímetros dos trens. Mas isso também mostra que infelizmente, e isso me lembra até de uma frase que escutei de um diretor de ferrovias, de que a ferrovia por mais que integre, também divide.

      Note: Barueri só tem um dos lados da cidade crescido (Norte) em relação a estação. Itapevi e Jandira tem a cidade com maior tamanho ao Sul da estação. Se bem que em todos os casos, no caso da Sorocabana, as cidades são próximas a rios também... Então seguimos para o leste. Suzano, que eu me lembre, tem a cidade mais voltada ao Sul da estação.

      Bem, fora isso, considerando que as cidades crescem no entorno das estações e vias, há o fato de que ambos os lados precisam de comunicação. Há muito tempo atrás, as linhas não tinham paredes divisórias, e pessoas atravessavam sob o risco de atropelamento. Só nos tempos atuais colocaram paredes de divisão, e infelizmente de forma mais lenta, passarelas, pontes e afins.

      A ferrovia ajudou a criar cidades, e a integrar como transporte. Mas no caso de Bauru, ao que noto, o problema é que a ferrovia (de cargas) acaba sendo um problema também. Se de fato fizerem o anel ferroviário, e depois fazerem algum VLT ou similar, com a devida divisão de linha para evitar acidentes como este: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2013/11/menina-tem-perna-amputada-apos-ser-atingida-por-trem-em-bauru.html (que sim, é culpa da menina também, mas vamos convir que uma divisão ajuda a evitar isso), isso ajude.

      Dei uma olhada no Street View e não vi até agora trechos compartilhados entre trem e automóveis, como imaginei, mas apenas áreas quase segregadas.

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  3. Acrescento ainda o fato de que se há acidentes, é porque a população não respeita mais os trens. Impaciência e imprudência são a causa de mais de 95% dos acidentes ferroviários com carros neste país, tudo porque os motoristas não prestam a devida atenção ou tentam passar sem esperar a composição. E antigamente tinha-se até mais trens do que há atualmente, e antes não havia esse repúdio às ferrovias como existe nos dias de hoje. Em todo o mundo, as ferrovias são valorizadas e cumprem um importante papel de transporte tanto de cargas quanto de passageiros. Por que aqui no Brasil a situação é inversa? Nosso país teima em ser do contra, mesmo estando plenamente errado sobre alguma coisa. E em Bauru, as linhas já são bem segregadas, tendo até poucas passagens de nível para o tamanho da cidade. E o movimento ferroviário hoje não é o mesmo de antigamente, quando tinha até mais trens. E nem cheguei a falar que a ALL simplesmente deixa abandonada, sem tráfego, a linha que segue até Panorama, o que significa menos trens ainda...

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