domingo, 9 de junho de 2013

OS TRILHOS DO MAL (XIII): A VEZ DE DIVINOPOLIS E DE JUIZ DE FORA, MG

Divinópolis no Google Maps - a estação está no centro do mapa, em Santo Antonio. A linha cruza a cidade de nordeste a sudoeste. Quando foi construída, estava no limite da zona urbana. Esta fica à esquerda da linha (Google Maps, 2013).

"O Ministério dos Transportes autorizou a liberação de R$ 14 milhões para a execução de obras viárias de transposição da linha férrea que corta a cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. O anúncio foi feito pelo ministro César Borges em audiência realizada na tarde desta quarta-feira (05/06) com parlamentares mineiros. Com a liberação dos recursos, cerca de 600 mil habitantes serão beneficiados com a construção de pontes e de um mergulhão (passagem inferior) que vão transpor a via férrea nos trechos mais críticos. A medida vai proporcionar melhorias como o aumento da segurança e da fluidez do fluxo dos veículos". (06/06/2013 - Ministério dos Transportes - transcrição)

Ora, Juiz de Fora tem menos de 600 mil habitantes. Pelo censo de 1910, tem 517 mil. É uma cidade menor do que diversas cidades paulistas, como Sorocaba, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Bauru, São José dos Campos. Todas estas convivem com seus trilhos (embora reclamem também). Nenhuma tem realmente razão.

Há coisas mais importantes para uma população desse tamanho do que trilhos de trem. Em Juiz de Fora, eles existem há exatamente 138 anos. Notem, no caso, que, pela notícia, não se fala em retirar os trilhos - excelente notícia. Mas sim de investir em pontes e túneis para evitar acidentes. Acidentes que, com simples tabuletas bem colocadas, serão evitáveis. Quanto ao problema com o trânsito de automóveis nas passagens de nível, isso é pouco relevante pelo tamanho da cidade.

E é mentira que as velocidades dos trens na cidade vão aumentar. Quanto aos automóveis, vai aumentar por que? Pelo fato de não ter de esperar para cruzar a linha? Ué, não existem cruzamentos de ruas com semáforos nessa cidade? O efeito não é o mesmo?

Sim, sou rabugento com esse assunto. Afinal, investe-se nas coisas erradas neste país. Todo esse dinheiro poderia ser muito melhor aplicado como, por exemplo, a volta do Xangai a Juiz de Fora - um metrô de superfície. Foi tirado por que? Não há uma razão palatável, realmente, a não ser o lobby dos ônibus urbanos e a birra da MRS. Os trens de passageiros em Juiz de Fora sempre conviveram com os cargueiros. 

Lá longe, em Divinópolis, cidade de 213 mil habitantes (São Carlos, SP, tem 225 mil e não se queixa do trem), querem fazer contorno rodoviário. Para que? Outra vez, há muitas coisas mais importantes neste País e certamente em Divinópolis do que se construir variantes ferroviárias.

A mesma notícia transcrita acima falava de Divinópolis, e dizia, para piorar as coias, que o ministro César Borges "assegurou que é preciso investir nas travessias e nos contornos ferroviários e rodoviários.". Não sabe de nada. O Brasil está, realmente, fora da realidade.

Um comentário:

  1. Nesse maravilhoso país, sempre aparece alguém (movido a interesse pessoal) que resolve discordar das ferrovias e de coisas que realmente são interessantes para o povo e para o desenvolvimento do país e sua discórdia soa como verdade absoluta em detrimento da VERDADE que se construiu durante décadas, destruindo o patrimônio e o futuro.

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