segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A FERROVIA DO NADA

Estação de Engenheiro Enzo Pinto. Foto Jonas Chanan Vichinheski.
 

Nos anos 1970, resolveu-se construir uma ferrovia para diminuir o trajeto entre o norte do Rio Grande do Sul, na região de Passo Fundo, e o porto do Rio Grande. Porém, esta era supostamente uma parte do projeto.

A linha começava em Passo Fundo e seguia até o Tronco Sul, encontrando este na estação de Rocca Salles. A intenção era trazer trigo e grãos para exportação. De Roca Salles o trigo descia até General Luz e, dali, seguia para Porto Alegre ou, pelo outro lado, para o centro do Estado. Para descer até o porto, deveria avançar além de Santa Maria e aí descer por Cacequi e São Gabriel até chegar a Rio Grande.

Precisar-se-ia de uma nova linha que unisse General Luz a Pelotas e Rio Grande, ferrovia projetada havia anos e anos e jamais construída. Que vantagem levava, então, sobre a antiga linha que já ligava Passo Fundo a Santa Cruz desde o final do século XIX, cheia de curva, mas ainda ativa até hoje?
Estação de Major Marques. Foto Jonas Chanan Vichinheski.

Não muitos anos depois, o trecho antigo da linha entre Marcelino Ramos, ponta norte do Estado gaúcho, foi desativado por ter pouco uso ou, mais provavelmente, pela RFFSA ter abandonado o trecho, por ineficiência. A linha era antiga, cheia de curvas, mas atendia toda a região e também a Santa Catarina, seguindo pelo vale do rio do Peixe.

A nova linha ligando Passo Fundo a Roca Salles foi finalmente aberta em 1982. Hoje, serve de passagem para trens da ALL que a usam para transporte para o Tronco Sul e, de lá, para o norte do país, via Lajes e Mafra, SC, até o porto de São Francisco ou de Paranaguá. Seguir para o sul, como vimos, não compensa, dada a enorme volta que se tem de dar para seguir para Rio Grande, o mais meridional dos portos brasileiros.

A Ferrovia do Trigo, como foi chamada, jamais teve tráfego de passageiros e passa, com seus enormes e altos viadutos, por uma região de poucas e pequenas cidades. Suas estações, que nunca viram qualquer trem de passageiros, eram: Engenheiro Enzo Pinto, Major Marques, Casca, Serafina Correa, Guaporé, Dois Lageados, Muçum e chega a Rocca Salles.

Todas as estações hoje não têm função alguma para a ferrovia e estão abandonadas. Apesar disso, apenas uma, Serafina Correa, foi demolida. Como no caso de diversas ferrovias construídas depois dos anos 1960, têm pátios com imóveis demais que por boa parte do tempo de sua existência não tiveram função real. É assim que se desperdiçava dinheiro nos anos 1960, 70 e 80. Construir casas que viravam ruínas muito rapidamente, mesmo estando próximas a sedes de municípios, sendo este o caso de cinco das oito estações citadas.

Um colaborador de meu site visitou várias dessas estações nos últimos anos, mandando-me informações e fotografias. Ontem mandou-me ele fotos das duas últimas às quais ainda não havia chegado. São elas que estão representadas nesta postagem.

3 comentários:

  1. Que alegria, Ralph, você ter escrito sobre esta ferrovia. É lastimável a sub-utilização deste trecho. Hoje em dia, em média, passam só dois trens por dia. Um que sai de Canoas/RS e vai até Passo Fundo carregando principalmente combustível e que depois volta na maioria das vezes com algum granel. É que depois de Passo Fundo a operação não segue, talvez uma ou outra manobra até Carazinho. É uma grandiosa obra, de ótima qualidade técnica, com muitos túneis e viadutos, entre eles o viaduto 13 com 143m de altura. Obrigado por escrever por esta ferrovia.

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  2. olá conheci seu blog agora, pois estivemos com família no viaduto 13 e seus túneis de 2km de extenção (verdadeira maravilha) entre Muçum e Vespasiano Correa. Este trem que lá passa sai de onde e chega aonde, ou seja, qual seu trajeto? É este que chega no porto de Estrela? Obrigado.

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  3. Liga Passo Fundo a Roca Salles. Nesta ultima liga-se à ferrovia que vai para o sul e depois para Porto Alegre

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