segunda-feira, 13 de março de 2017

DE NOVO: O INACEITÁVEL FIM DA SOROCABANA


Mais uma vez, depois da postagem de "Quem pagará os prejuízos", em 25 de outubro de 2016, que mostrava a lamentável situação da Sorocabana na maior parte do seu trajeto original de 843 quilômetros, coloco algo sobre a morte desta tradicional ferrovia paulista. A ideia é sempre a de que algum iluminado da equipe de governo paulista possa apresentar isto aos irresponsáveis que nos governam atualmente e convencê-lo a fazer alguma coisa acerca de toda esta calamidade pública. Alguém acredita nesta possibilidade? Pois é. Nem eu.

O que segue a partir do parágrafo seguinte é um texto enviado a mim há cerca de uma semana por um cidadão de nome Jean Carlos, de 19 anos e apreciador das ferrovias e de sua história. As fotos q que ele se refere são muitas e, aqui, reproduzo apenas algumas, já que todas mostram a mesma coisa: destruição. Por favor, apreciem sem moderação.

Deixo em anexo fotos de uma expedição feita por mim e mais um colega na velha Sorocabana, onde percorri foi de Amador Bueno até a estação de Mailasky. Gostaria também de traçar alguns comentários acerca de tudo o que vi no trecho.


Primeiramente, abandono completo na via. A situação da EFS no trecho era de puro abandono. A vegetação toma conta de tudo. No trecho entre Amador Bueno e São João Novo podia-se ver claramente casas, muitas delas desestruturadas e sem nenhum tipo de saneamento, avançando para próximo da ferrovia desativada. Diga-se de passagem que ali passavam trens da ALL, mas isso foi há mais ou menos três anos atrás. Durante o trajeto era notável a presença de vários postes onde um dia já passou a rede aérea eletrificada que movia os TUEs da Sorocabana e depois da FEPASA até Mairinque. A via ainda permanece com trilhos fortes, mas alguns dormentes estão podres e desapareceram com a ação do tempo. O primeiro trecho citado foi o mais simples.

Somente seguindo entre São João Novo e Mailasky tivemos a real compreensão do abandono. Usuários de drogas, vegetação cobrindo todo o trajeto, árvores tombadas e até mesmo deslizamentos de terra moderados. Era possível ver tudo por ali, desde resíduos de rituais religiosos até carros largados na via, totalmente depredados. Era interessante ver que a EFS construiu até mesmo um sistema de canaletas de água, onde cheguei a beber um pouco de água nas suas fontes. O período mais critico da andança foi a chegada a Mailasky. O trecho de 100 a 200 metros possuía mato altíssimo - arriscaria dizer que estava próximo dos 2 metros de altura ou quase lá. Era uma região de brejo, a água batia nas canelas, foi uma situação praticamente desesperadora por alguns instantes. A chegada foi um alívio, mas, depois de tudo o que pude testemunhar, tenho propriedade para falar: o descaso das autoridades e concessionárias está matando a ferrovia, pouco a pouco. Se não forem mortas por uma norma, o próprio tempo, através do esquecimento, fá-lo-á.



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