sábado, 27 de agosto de 2016

RESTOS DA ESTAÇÃO DE GARÇA, SÃO PAULO


Recebi o e-mail hoje, do amigo Silvio Rizzo, que teve o desprazer de passar por Garça e fotografar a estação de "Garça-nova", aberta pela FEPASA em 1974.

"Seguem fotos tiradas esta semana da estação referida. Não tinha passageiros ou trem de carga mas sim, 2 jovens, menino e menina, na faixa de 20 anos, fumando maconha 2 horas da tarde sem o menor constrangimento com minha presença."

Havia mais fotos. Achei que estas seriam suficientes para se ter uma ideia da quantidade de dinheiro jogado fora com a construção de uma estação deste porte que não funcionou nem por 20 anos. Os desvios, muitos - o pátio era grande - foram retirados em 2001, sobrando apenas a linha principal, por onde não passa hoje em dia trem algum, fruto do enorme descaso dado pelas concessionárias e, por conseguinte, por nosso governo, às ferrovias brasileiras em geral.

Apreciem com moderação.







sábado, 20 de agosto de 2016

A VILA DE SANTANA E A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Aqui (visto da avenida Cruzeiro do Sul) ficava a estação de Santana da Cantareira, exatamente onde está esse canteiro central e o carro que aguarda o sinal.
O atual bairro de Santana, descendente direto da vila afastada do centro de São Paulo no século XIX, é um imenso bairro cheio de edifícios e com o comércio centralizado na rua Voluntários da Prata, algumas travessas e ao redor da estação do metrô do mesmo nome, aberta em 1975.
Sobre o canteiro da foto mais acima, era aqui a estação - também vista da Cruzeiro do Sul. Ao funso, rua Alfredo Pujol seguindo em frente


A primeira estação ferroviária, no entanto, foi aberta em 1895 e era a do Tramway da Cantareira, Ficava em situação perpendicular à atual estação, esta aberta no seu sentido transversal ao longo da atual avenida Cruzeiro do Sul. Ela foi fechada em 1964 e demolida. Era pequenina, comparada com a do metrô e tinha sua lateral localizada ao lado da rua Voluntários da Prata, sua plataforma estava perpendicular a esta rua e em frente a onde começava (e ainda começa) a rua Alfredo Pujol, por onde os trilhos prosseguiam no sentido do Tremembé; um fato raro em São Paulo, onde trilhos (a não ser os de bondes) nunca passavam no leito de ruas.
Mapa do centro de Santana em 1930 - a escola, em forma de U deitado e a Igreja são facilemte reconhecíveis, bem como a linha e a posição da estação do Tramway.

Quando a estação foi demolida, em meados dos anos 1960, uma rua foi traçada no local onde era o pátio ferroviário e essa rua tem hoje um nome bastante estranho (e idiota: veja lá se isto pode ser nome de rua): rua do Racionalismo Cristão. Pois é, que as atuais gerações saibam que ali, um dia, estava a estação onde paravam os trens da velha Cantareira, saídos de uma curva de 90 graus do leito da avenida Cruzeiro do Sul.
Vista da esquina da Voluntários com a Alfredo Pujol, a estação da Cantareira ficava aí. O prédio da esquerda segue o alinhamento do antigo pátio ferroviário e quase que certamente foi construído após 1930 - provavelmente nos anos 1950.
Como não podia deixar de ser, ali ficava o centro do bairro com suas características principais: casario, igreja, escola e estação ferroviária.
Mais uma foto da posição da antiga estação.

As fotos abaixo mostram parte da escola, parte da igreja e parte do casario próximo à estação. A estação do metrõ não foi fotografada, pois é um mostrengo de concreto, um polvo que se alastra por cima e por baixo da terra por todos os lados tendo como eixo o canteiro central da avenida Cruzeiro do Sul.

O casario fotografado na rua Voluntários da Pátria mostra construções no lado par da rua, logo antes de esta cruzar os trilhos da Cantareira na subida para o Alto de Santana, casas que poderiam já estar ali em 1930, ano do mapa que mostra a linha da Cantareira. A avenida Cruzeiro do Sul não era nem avenida nem tinha nome ainda, pois era praticamente um leito exclusivo dos trilhos. A escola e a igreja já estavam ali. As casas geminadas da rua Duarte de Azevedo quase que certamente já existiam ali. O estilo bonito desta construção foi popular na São Paulo do anos 1920 e 1930.

Casas na rua Voluntários da Pátria que possivelmente já estava ali, todas entre a rua Radicalismo Cristão (canto esquerdo) e a  rua Duarte de Azevedo (onde o casarão da direita, este certamente anterior a 1930, faz esquina)


Casas geminadas (foto parcial) na rua Duarte de Azevedo; à esquerda delas, a esquina com a Cruzeiro do Sul)


Vista parcial da escola


Vista parcial da igreja em foto tirada da avenida Cruzeiro do Sul

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

COMO A ANTT TRATA O PATRIMÔNIO FERROVIÁRIO BRASILEIRO

Ponte ferroviaria em Videira - linha Itararé-Uruguai - foto Herculano H. Riffei

Mensagem recebida do amigo Paulo Stradiotto e que mostra claramente a atenção - nenhuma - dada Às ferrovias brasileiras pela ANTT. O IBAMA não libera o corte de mato da via permanente da ferrovia e por isso não se corta o mato... só pode ser piada!!!! Segue a transcrição do textro e, mais baixo, do ofício do órgão inútil.

Prezados.

Que fique registrado anexo uma resposta enviada pela Ouvidoria da autarquia ANTT sobre o abandono do trecho da linha Itararé-Uruguai da RVPSC (nesse trecho também chamada popularmente de Ferrovia do Contestado) - que é agora mais uma das inúmeras respostas que tenho arquivadas aqui em meu escritório...

Sempre o mesmo texto, apenas mudam algumas palavras e datas, mas, na essência, sempre o velho blá,blá,blá... Copio e repasso no Ministério Público para que em futuro breve nenhuma autoridade venha alegar desconhecimento do assunto "perda irreparável do Patrimônio Público" que compõe esse trecho ferroviário abandonado há anos pela concessionária Rumo/ALL Malha Sul.

Ainda tenho esperança que apareça alguma autoridade de "saco roxo" e tome a iniciativa dos rigores da Lei. Mas infelizmente por hora VIVEMOS NUM PAÍS NADA SÉRIO, frase dita pelo grande estadista francês Charles DeGaulle no início da década de 1960. Registre-se: querem porque querem gastar bilhões de reais no projeto de uma ferrovia Leste-Oeste planejada no Estado de Santa Catarina, recursos estes de que o país não dispõe. Profetizo que será uma obra estilo Ferrovia Transnordestina, da qual nem preciso dar mais informações aos amigos, onde se gastou bilhões e a mesma não avança. Com um detalhe: está na lista negra do TCU-Tribunal de Contas da União,

 Na mesma resposta enviada, estou expedindo um despacho particular comunicando ao técnico que me respondeu que está na hore de a agência tomar providências, pois, desde 2010, os consertos estão sendo postergados indefinidamente. Um dos absurdos que dizem é que o IBAMA ou algo parecido não libera verba para cortar o mato na faixa de domínio da ferrovia. Só aqui no Brasil, um país, tão atrasado nestes assuntos pode dar uma resposta burocracia e inútil como essa, que só atrapalha o desenvolvimento da nação. 

Segue texto do oficio recebido para conhecimento
Na resposta diz que o trecho ferroviário é periodicamente inspecionado. Última inspeção ocorrida na data de 23/07/2015, dando prazo de recuperação dos trechos abandonados: no prazo compreendido entre janeiro/2015 - dezembro/2016, de toda a extensão da linha (Porto União Vitória/SC - Passo Fundo/RS); Estamos em Agosto de 2016. Ou seja, isso só pode ser uma piada!

Prezado(a) Senhor(a)
Mensagem cadastrada sob:Número de protocolo de atendimento: 3395288-ANTT Brasilia/DF
Em atenção à mensagem de V. Sª., registrada sob o protocolo nº. 3388499, retransmitimos os esclarecimentos que esta Ouvidoria obteve da Gerência de Controle e Fiscalização de Serviços de Infraestrutura de Transporte Ferroviário de Cargas – GECOF.
O referido trecho ferroviário é periodicamente inspecionado pela Coordenação de Fiscalização ferroviária do Rio Grande do Sul - COFER-RS, sendo a última inspeção ocorrida na data de 23/07/2015, entre os municípios de Porto União Vitória/SC - Marcelino Ramos/RS;
Foram inspecionados a Via Permanente, onde se constatou diversas irregularidades como: drenagem deficiente, erosão no talude de corte, água retida na plataforma da via, excesso de mato/galhos, lastro contaminado, dormentes inservíveis; a Ponte Rodoferroviária sobre o rio Uruguai (Piratuba/SC - Marcelino Ramos/RS); os Pátios Ferroviários de Nova Galícia, Matos Costa, Calmon, Presidente Pena, Caçador, Rio das Antas, Gramado, Videira, Tangara, Herval Doeste, Capinzal, Piratuba;
No que tange à conservação e manutenção da via permanente, foram constatadas irregularidades que incorreram na lavratura do Auto de Infração nº 0440/Bloco018;
Sobre os Pátios Ferroviários, as condutas infratoras ensejaram lavratura do Auto de Infração nº 0438/Bloco018, tendo a ANTT enviado Ofício nº 061/2015/COFER-URRS, determinando a Concessionária ALLMS apresentar no prazo de 30 dias cronograma para realizar, em até 180 dias, reparações, melhorias, substituições e modificações necessárias à correção das várias deficiências descritas no Relatório de Inspeção;
Nessa inspeção ferroviária realizada entre Porto União Vitória/SC - Marcelino Ramos/RS, que compreende o trecho citado pelo Sr. Paulo Roberto (Porto União Vitória/SC - Piratuba/SC), foi observado o cumprimento da Deliberação ANTT nº302/12, que determina à Concessionária ALL/MS a recuperação dos trechos abandonados no prazo compreendido entre janeiro/2015 - dezembro/2016, de toda a extensão da linha (Porto União Vitória/SC - Passo Fundo/RS);
Portanto, informamos que esta Agência Reguladora tem procedido com suas prerrogativas legais de promover a intervenção no domínio econômico através da regulação e fiscalização do setor de transportes terrestres, sempre respeitando o ordenamento jurídico brasileiro vigente.
Finalmente, informamos que os cidadãos podem colaborar com o aprimoramento da atuação da ANTT por meio de contribuições apresentadas presencialmente ou por e-mail nos eventos de participação e controle social realizados pela Agência, tais como audiências e consultas públicas. Sua sugestão é muito importante. Acompanhe os eventos já realizados e os que estão em andamento 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

DE JAÚ A NOVO HORIZONTE - 1947


Meu avô Sud tinha seus ídolos. Um deles era a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, na época, considerada uma das cinco melhores do mundo - será essa colocação real?

Aqui ele escrevia um artigo (mais abaixo) para o já há muito desaparecido  Jornal de São Paulo, publicado em 2 de outubro de 1947, onde comentava algo que muito pouca gente ouviu falar, pelo menos nos dias atuais: a bitola larga de  Jaú para Novo Horizonte.


Notem que ele se refere à compra da Douradense e da São Paulo-Goiaz já efetivadas pela empresa - fatos que, oficialmente, são considerados como tendo sido concretizados, respectivamente, em 1949 e 1950.

Imagino que a linha já existisse - necessitaria, no entanto, de alterações no traçado antigo dos anos 1910 (entre Jaú e Ibitinga) e mais moderno (de 1936) de Ibitinga a Novo Horizonte, construídos pela Douradense. Isso, se as modificações não alterassem o traçado da ferrovia já existente (Jaú-Posto Rangel-Trabiju-Ibitinga-Novo Horizonte).

E ninguém entendia mais da geografia paulista do que meu avô Sud.